quinta-feira, 15 de abril de 2010

ORI PARTE III


Ao escolher sua cabeça e seguir em direção ao àiyé, o ser humano atravessa vários ambientes como de calor excessivo de desertos: muito frio como das zonas gélidas da terra: zonas onde tem de atravessar tempestades com ventos e chuvas fortes. E se as cabeças não tiverem sido bem confeccionadas elas irão se danificar e ficarão em péssimo estado ao chegarem ao àiyé.
Dependendo do estado em que cheguem, se a cabeça estiver boa àquela pessoa trabalhará, e tudo o que fizer será para si mesmo, podendo prosperar na vida, alcançando o sucesso e a fortuna. Se a cabeça estiver danificada, aquela pessoa trabalhará e tudo o que conseguir será para gastar com os reparos mo seu orí.
Quando ele não for muito danificado, os primeiro anos de vida dessa pessoa serão um pouco sacrificados, ela poderá passar por privações e dificuldades em virtude de não conseguir prosperar na vida, pois, tudo o que arrecadar irá para o conserto do seu orí. Depois que ele terminar os reparos necessários, o que ele fizer será para si próprio, é então quando ele começa a prosperar em sua vida no àiyé.
Outras pessoas têm orí tão danificados, que por mais que trabalhem na vida, jamais conseguirão consertar os danos do seu orí. E tudo o que fizerem na vida será para gastar com seu orí ruim. São aquelas pessoas que passam a vida toda vegetando, nunca conseguem fazer nem concluir as coisas, vivendo sempre na penúria e no aperto nunca possuindo nada de seu e não conseguindo serem felizes por mais que se esforcem, pois, tem um orí ruim.
Mas, acredita-se que esses consertos podem ser feitos através de oferendas – eborí – ebo orí, que ajudarão a restaurar aquele orí mais depressa, o que pode mudar um pouco essa predestinação. Não é porque a pessoa tem um bom orí que ela poderá ficar sentada esperando tudo de bom na vida.
Ela está predestinada ao sucesso em sua vida, mas, desde que trabalhe para isso. Seus caminhos estarão sempre abertos para alcançar seus objetivos, esforçando-se para isso.

Àjàlá orí, orí l’ewà, l’ewà, l’ewà.
Àjàlá orí, orí l’ewà, l’ewà, l’ewà.
Opé ènyin edùmarè, wá orí, e kú ó.
Opé ènyin edùmarè, wá orí, e kú ó.
E kú ó òrun, e kú ó òsùpá, e kú òjò, òjò bò ilè.
E kú ó òrun, e kú ó òsùpá, e kú òjò, òjò bò ilè.
Iré orí ó jí, ó jí ire orí,
Iré orí ó jí, ó jí ire orí.

Tradução
Àjàlá que molda cabeças, deixe este orì lindo, lindo, lindo.
Agradeço-te deus, venha para esta cabeça, eu te saúdo.
Eu saúdo o sol, eu saúdo a lua, eu saúdo a chuva, chuva que cai sobre a terra.
Vc será uma cabeça feliz, acorde feliz orí.


Ori o ori o
Ori mi o!
Se rere fun mi!


Tradução
Meu ori!
se alegre comigo!

Para termos idéia quanto a importância e precedência do ori em relação aos demais orisa, um itan do Odu Otura Meji, ao contar a história de um ori que se perdeu no caminho que o conduzia do orun para o aiye, relata: “… Ogun chamou ori e perguntou-lhe, “você não sabe que você é o mais velho entre os orisa? Que você é o líder dos orisa?’…”. Sem receio podemos dizer, “ori mi a ba bo ki a to bo orisa”, ou seja, “meu ori, que tem que ser cultuado antes que o orisa” e temos um oriki dedicado à ori que nos fala que ” ko si orisa ti da nigbe leyin ori eni”, significando, “… não existe um orisa que apóie mais o homem do que o seu próprio ori…”.



Quando encontramos uma pessoa que, apesar de enfrentar na vida uma série de dificuldades relacionadas a ações negativas ou maldade de outras pessoas, continua encontrando recursos internos, força interior extraordinária, que lhe permitam a sobrevivência e, inclusive, muitas vezes, mantém resultados adequados de realização na vida, podemos dizer, “eniyan ko fe ki eru fi aso, ori eni ni so ni”, ou seja, “as pessoas não querem que você sobreviva, mas o seu ori trabalha para você”, trazendo, essa expressão, um indicador muito importante de que um ori resistente e forte é capaz de cuidar do homem e garantir-lhe a sobrevivência social e as relações com a vida, apesar das dificuldades que ele enfrente.
Esta é a razão pela qual o eborí, forma de louvação e fortalecimento do ori utilizada em nossa religião, é utilizado muitas vezes, precedendo ou, até, substituindo um ebo. Isso se faz para que a pessoa encontre recursos internos adequados, esta força interior de que falamos, seja à adequação ou ajustamento de suas condições frente às situações enfrentadas, seja quanto ao fortalecimento de suas reservas de energia e consequente integração com suas fontes de vitalidade.
É importante dizer que é o ori que nos individualiza e, por conseqüência, nos diferencia dos demais habitantes do mundo. Essa diferenciação é de natureza interna e nada no plano das aparências físicas nos permite qualquer referencial de identificação dessas diferenças. . Sinalizando essa condição, talvez uma das maiores lições que possamos receber com respeito a ori possa ser extraída do itan odu osa meji, que reproduzimos a seguir e que é a resposta que foi dada por ifá para mobowu, esposa de ogun, quando ela foi lhe consultar:

“ori buruku ki i wu tuulu.
Aki i da ese asiweree mo loju-ona.
A ki i m’ ori oloye lawujo.
dia fun mobowu ti i se obinrin ogun.
Ori ti o joba lola, enikan o mo ki toko-taya o mo pe’raa won ni were mo.
Ori ti o joba lola, enikan o mo.”

Tradução
“uma pessoa de mau ori não nasce com a cabeça diferente das outras.
Ninguém consegue distinguir os passos do louco na rua.
Uma pessoa que é líder não é diferente e também é difícil de ser reconhecida.

É o que foi dito à Mobowu, esposa de Ogun, que foi consultar Ifá. Da mesma forma que o ori de Afuwape sobreviveu, o seu sobreviverá. Ele será favorável a você. Tudo de que você precisa, tudo o que você quer para a sua vida, é ao seu ori que você deverá pedir. É o ori do homem que ouve o seu sofrimento…”

A espécie de material com o qual são modelados os ori individuais indicará que tipo de trabalho é mais conveniente, proporcionando satisfação e permitindo a cada um alcançar prosperidade. Indica também as interdições – ewo – aquilo que lhe é proibido comer, por causa do elemento com o qual o seu ori foi modelado”.
Ou seja, os ewo representam a proibição de que o indivíduo “coma” alimentos que contenham a mesma “matéria” da qual foi retirada uma porção para modelagem do seu ori. A não observância da interdição traduz-se por uma disfunção energética de consequências profundamente negativas para o equilíbrio do indivíduo, seja do ponto de vista orgânico, seja do ponto de vista do mundo emocional, seja quanto as suas condições de realização do “programa” particular de existência.
Ori., qual o seu papel na vida do homem? O conceito de ori está intimamente ligado ao conceito de destino pessoal e à instrumentalização do homem para a realização deste destino.
Um itan do Odu Ogunda Meji, nos dá a exata dimensão da matéria quando nos relata sobre a correspondência entre o ori e o homem e a relação de causa e efeito existente nesta correspondência:

“… ori, eu te saúdo!”.
Aquele que é sábio,
Foi feito sábio pelo próprio ori.
Aquele que é tolo,
Foi feito mais tolo que um pedaço de inhame,
Pelo próprio ori…”



No Odu Ogbeyonu (Ogbe Ogunda) vamos encontrar ainda, “… quando acordo pela manhã coloco minha mão no ori. Ori é fonte de sorte. Ori é ori!…”.
É um oriki dedicado à Ori, mostrando o papel que Ori tem na vida de cada pessoa quanto as suas relações interpessoais, suas relações com as outras pessoas, e as suas condições de realização e progresso em todos os empreendimentos da vida, nos diz:

“ori mi
Mo ke pe o o
Ori mi
A pe je
Ori mi
Wa je mi o
Ki ndi olowo o
Ki ndi olola
Ki ndi eni a pe sin
Laye



O, ori mi
Lori a jiki
Ori mi lori a ji yo mo laye”

Tradução



Meu ori
Eu grito chamando por você
Meu ori,
Me responda
Meu ori,
Venha me atender
Para que eu seja uma pessoa rica e próspera
Para que eu seja uma pessoa a quem todos respeitem
Oh, meu ori!
A ser louvado pela manhã,
Que todos encontrem alegria comigo”

Toda existência no universo da criação se processa em dois planos: o mundo visível, o aiye, universo concreto que habitamos, e o mundo invisível, orun, onde habitam os seres sobrenaturais e os “duplos” de tudo o que se encontra manifestado no aiye. Não são, como é possível pensar, mundos independentes ou rigidamente separados. Na realidade podemos afirmar que o aiye é, antes de mais nada, uma “projeção” da realidade essencial que tem existência e se processa no orun.
Para o negro-africano o visível constitui manifestação do invisível. Para além das aparências encontra-se a realidade, o sentido, o ser que através das aparências se manifesta. Sob toda manifestação viva reside uma força vital: de deus a um grão de areia, o universo africano é sem costura. (Erny, 1968:19) universo de correspondências, analogias e interações, no qual o homem e todos os demais seres constituem uma única rede de forças.”
É necessário entender, assim, que aiye e orun constituem uma unidade e, enquanto expressões de dois níveis de existência, são inseparáveis e complementares. Essa unidade é simbolizada pelo igba-odu, cabaça formada de duas metades unidas onde a parte inferior representa o aiye e a parte superior representa o orun. No interior, os “elementos indispensáveis à existência individualizada”. Poderia ser representada por uma figura e sua imagem refletida no espelho – há plena identidade entre elas, uma é apenas a imagem invertida da outra.
Podemos dizer nessa figuração que o aiye é a imagem refletida do orun. Essa analogia provavelmente explica a situação conhecida de que os odu, quando vieram do orun para o aiye, tiveram sua ordem de precedência invertida. Ou seja, muito embora no aiye considere-se ejiogbe meji como o mais antigo dos odu, todo babalawo saúda ofun meji, ou orangun meji como é também conhecido, em sua realeza, dizendo: Eepa odu!, louvando assim sua antiguidade e sua precedência efetiva.



Temos assim que toda existência no aiye reflete uma realidade anterior existente no orun. A existência no aiye implica em processar-se uma “modelagem” anterior no orun, a partir da qual porções de matérias-massas que constituem a base da existência genérica são tomadas em fragmentos particulares e vão constituir a manifestação dessa existência em forma individualizada no aiye.
Esses elementos matrizes possuem, por consequência, dupla existência: uma parcela presente no orun e a outra parcela dando vitalidade ou formação às diferentes partes que formam a “realidade” individualizada de vida. A esses fragmentos particulares retirados da massa genitora chamamos ipori e é ele, ipori, que determinará o orisa que cada indivíduo cultuará no aiye, condicionando também sua instrumentalização particular na relação com a vida e o repertório possível de escolhas que possa realizar.
Podemos perceber que a compreensão sobre o papel que ori desempenha na vida de cada homem está intimamente relacionado à crença na predestinação – na aceitação de que o sucesso ou o insucesso de um homem depende em larga escala do destino pessoal que ele traz na vinda do orun para o aiye. A esse destino pessoal chamamos kadara ou ipin e é entendido que o homem o recebe no mesmo momento em que escolhe livremente o ori com que vai vir para a terra.
Ori desempenha um papel importante para os seguidores de IFÁ. Nele acredita-se que escolhemos nossos próprios destinos. E nós o fazemos mediante os auspícios do orisa Ijala Mopim. A esfera de ação de Ijala é junto a Olodumare é ele que sanciona as escolhas de destino que fazemos. Essas escolhas são documentadas pelas divindades que chamamos de Aludundun. Um verso de ifá explica esta questão: “



“você disse que foi apanhar o seu ori.
Você sabia onde Afuwape apanhou o seu ori?
Você poderia ter ido lá para apanhar o seu.
Nós pegamos nossos ori nos domínios de ijala,
Assim somente nossos destinos diferem”

Ijala é responsável pela modelação da cabeça humana, e acredita-se que o ori e o odu – signo regente de seu destino que escolhemos, determina nossa fortuna ou atribulações na vida, como foi dito. Ijala, embora notável em sua habilidade, não é muito responsável e, por isso, muitas vezes modela cabeças defeituosas: pode esquecer de colocar alguns acabamentos ou detalhes desnecessários, como pode, ao levá-las ao forno para queimar, deixá-las por um tempo demasiado ou insuficiente.



Tais cabeças tornam-se assim, potencialmente fracas, incapazes de empreender a longa jornada para a terra, sem prejuízos. Se, desafortunadamente, um homem escolhe uma dessas cabeças mal modeladas, estará destinando a fracassar na vida.



Durante sua jornada para a terra, a cabeça que permaneceu por tempo insuficiente ou demasiado no forno, poderá não resistir à ação de uma chuva forte e chegará mais danificada ainda. Todo o esforço empreendido para obter sucesso na vida terrena terá grande parte de seus efeitos desviada para reparar tais estragos.

Pelo contrário, se um homem tem a sorte de escolher uma das cabeças realmente boas, tornar-se próspero e bem sucedido na terra, uma vez que sua cabeça chega intacta e seus esforços redundam em construção real de tudo aquilo que se proponha a realizar.

O trabalho árduo trará, ao homem afortunado em sua escolha, excelentes resultados, já que nada é necessário dispender para reparar a própria cabeça. Assim, para usufruir o sucesso potencial que a escolha de um bom ori acarreta, o homem deve trabalhar arduamente. Aqueles, entretanto que escolheram um mau ori têm poucas esperanças de progresso, ainda que passem o tempo todo se esforçando.



Sendo estes os pressupostos, retomamos as perguntas: como saber se a escolha do próprio ori foi boa ou má? Pode um homem conhecer as potencialidades da própria cabeça ou da cabeça de outrem?



O jogo divinatório de Ifá possibilita que a pessoa tome conhecimento dos desígnios do próprio ori, saiba a respeito do orisa ou irunmale que deve ser cultuado e conheça seus ewo – proibições quanto ao consumo de alimentos, uso de cores e condutas morais
Muitas referências são feitas às relações entre ori e o destino pessoal. O destino descrito como Ipin Ori – a sina do ori – pode ser dividido em três partes: Akunleyan, Akunlegba e Ayanmo.
Akunleyan é o pedido que você fez no domínio de ijala – o que você gostaria especificamente durante seu período de vida na terra: o número de anos que você desejaria passar na terra, os tipos de sucesso que você espera obter, os tipos de parentes que você deseja.
Akunlegba são aquelas coisas dadas a um indivíduo para ajudá-lo a realizar esses desejos. Por exemplo: uma criança que deseja morrer na infância pode nascer durante uma epidemia para garantir a morte dele ou dela.
Ayanmo é aquela parte do nosso destino que não pode ser mudada: nosso gênero (sexo) ou a família em que nascemos, por exemplo.

Ambos, Akunleyan e Akunlegba podem ser alterados ou modificados quer para bom ou para mau, dependendo das circunstâncias.

Assim o destino descrito como Ipin Ori – a sina do ori pode sofrer alterações em decorrência da ação de pessoas más chamadas como Araye – filhos do mundo, também chamadas Aiye – o mundo ou ainda, Elenini – implacáveis (amargos, sádicos, inexoráveis) inimigos das pessoas.

Entre estes encontram-se as àjé – bruxas, os oso – feiticeiros, os envenenadores e todos aqueles que se dedicam a práticas malignas com intuito de estragar qualquer oportunidade de sucesso humano.

Sacrifício e ritual podem ajudar a melhorar as condições desfavoráveis que podem ter resultados destas maquinações maléficas imprevisíveis.

continua........

ORI PARTE II


IWA LEWA - que significa “caráter é beleza”. É através destas escolhas que fazemos, que somos capazes de ser vistos como algo belo, e estas escolhas são acompanhadas do destino. É através destas escolhas que nosso caráter é moldado.
Nós não conseguiremos alcançar nosso destino a não ser que desenvolvamos bom caráter.

ENIKEJI - , nosso gêmeo espiritual, que se mantém em espírito para nos lembrar do nosso destino escolhido em ILE ORUN. Quando formos para casa, haverá uma reconexão com enikeji para ver se alcançamos nosso destino. Todos os ori vem de Eledá, Olorun. Tudo vem daquele que dá vida – OLÓRUN– e se manifesta como vida – OLODUMARE.
Cada pessoa, pedra, árvore, punhado de terra é composto de odu e tem um espírito de eledá em si, ori ou oro, o que habita dentro. Tudo vem da mesma fonte, não diferentes, eu posso voltar como um pássaro, mas ainda com ori, o que me dá a escolha necessária de alcançar meu destino escolhido. Mas ainda assim ori vem de eledá. O corpo do pássaro é somente a residência do espírito do pássaro, e o espírito vem de Olodumare.

IGBA IWA -  que é nosso corpo que contem o nosso caráter, é somente a residência do espírito, independente de sua forma física. Nós temos a tendência de nos separarmos deste espírito, e é o que nos impede de alcançarmos IWA PELE

KOTOPO-KELEBE era o apelido de ori antes dele se tornar a cabeça de todos os orixás. Especificamente, o apere de ori indica sua vitória sobre as outras divindades, e a ascensão de ori ao alto da ponta do cone da existência, isto é a razão de existir. Para saber como ori lidou com todas as ameaças de oposição de seus rivais e ditou seus destinos, é pertinente para mostrar o duplo sentido mostrado no verbo “da” (vencer ou conquistar ou criar) usado no odu em ori. Nós temos a noção de que em para ser ou criar algo, temos de sobrepor alguma oposição ou vencer alguém. Sem luta, não há sucesso na vida.
O mais alto lugar,a posição de autoridade chamada APERE se tornou o trono de ori. Ori foi mais adiante para provar sua superioridade sobrePRINSÁLA dando a ele um lugar permanente chamado OLE-ALAMOLEKE e em Ode Iranjé,e uma função específica em AJALAMO ambos sobre o controle de ori.
AJALAMO é um lugar muito interessante em IFÉ, é um lugar em que um vai em espírito para escolher seu ori. E a pessoa designada a este lugar é chamada de AJALAMOPIM o moldador de ori ou cabeças,e ORINSALA cuida de moldar os corpos.
Há outro em AJALAMO que não é mencionado,conhecido pelo nome de KORI,o moldador dos espíritos de crianças. Ori é aquele com axé que nos faz tê-lo.
É tão poderoso que até IFÁ tem de se submeter a sua vontade.
Ori venceu todos os orixás e foi o único capaz de abrir o obi do axé. Vontade dita como as coisas acontecem em nossa vida, se deixarmos ori para trás, nós perdemos o direito de reclamar sobre nossa situação.ninguém pode aprisionar nossa mente,mas só nós podemos. Escravidão é uma armadilha mental e quando nós deixamos de lado nossos direitos a liberdade,nós nos mantemos escravos.
Diretamente a IWA que contem a palavra caráter. Para o yorubás IWA não quer dizer cumprir as diretivas de Olodumare que também é chamado de OBÁ MIMÓ. OBA PIPE,significando “o rei puro ou o rei perfeito” ou ALALÁ FUNFUM OKE“aquele de branco que habita no alto”
É esta força que dispersa que é chamado IFÁ IYA ,ou o oráculo do coração. Os oráculos do coração são as diretivas ou ordens de OLODUMARE, aquilo que é o certo ou errado,que leva a cumprir ou não, o destino.todos nós sabemos o que é o certo porque isto também foi dado com o sopro de Olodumare (EMI) que pôs em nós.é o oráculo do coração que nos guia e determina nossa vida ética.o oráculo do coração é a consciência da pessoa. As leis de OLODUMARE estão escritas no coração.

JE ÈWO -  significa “comer o que é tabu” ou “fazer o que é proibido” e GBIGBA ÈWO significa “receber o tabu” ou “fazer o certo” (cumprir o preceito) esta é uma das maneiras que um é reconhecido, no desenvolvimento de IWA. Mas antes mesmo de virmos para este mundo,nós aprendemos e recebemos diretivas enquanto espíritos e isto são o que nós chamamos de instintos,ou deja vu,a memória de ori.

As leis dos homens são feitas para controlar e tirar as escolhas. Olodumare diz que cada um de nós tem escolha e que há uma punição divina. Nós temos a oportunidade de escolher a direção em que queremos ir, mas temos de realizar que todas as dividas deverão ser pagas.é muito importante que nós mesmos escolhemos nossa própria direção para desenvolver iwa, por que isto determinara o sucesso ou insucesso de alcançarmos nosso destino.

De acordo com um dos versos de Ogunda Meji, ORUNMILÁ reuniu todos os orixás e perguntou qual deles acompanhariam seus devotos numa viagem distante através do oceano sem desertá-los em nenhum lugar. Xangô,o deus do trovão e o mais corajoso, respondeu que ele iria com seus devotos para qualquer lugar sem olhar para trás. Orunmilá convenceu xangô que esta não era a resposta correta,e um por um ele convenceu cada um dos orixás que esta não era a resposta a sua pergunta. Eles imploraram a Orunmilá para revelar a resposta correta,a qual orunmilá respondeu que somente ori,a divindade pessoal de cada um,pode nos acompanhar até o lugar mais longínquo do mundo sem voltar atrás.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

ORI - PARTE I

ORI





O corpo humano segundo a tradição afro religiosa é composto das seguintes partes.



ARA - ou corpo físico visível.



OJIJI -  E a nossa sombra, nos acompanha onde quer que vá, ao mesmo tempo é seu amigo e seu inimigo. Quem não tem sombra está morto.



EMI -  é a respiração, o sopro de vida que anima o corpo humano. É o oxigênio que oxida o sangue e produz o calor necessário para a sobrevivência da célula ...



OKAN - o coração, é responsável pela manutenção de todas as partes do corpo vivo, levando o fluido vital (sangue), carregados com oxigênio e alimento para estas.



ORI - A cabeça é ela que pensa e ordena ao corpo (ARA) os movimentos e ações, assim como comanda todas as funções vitais e é onde está contido o ORI INU ..



ORI INU - é o espírito interior do homem, é o eu de cada um, é a parte mais importante e também invisíveis para a existência. É independente de cada ser humano. Ori será afetado por dois componentes do corpo: o estômago  (IPIN JEUN) e os órgãos sexuais (OBO ATI OKO), ambos podem levá-lo a perder o controle.



OPOLO – O cérebro – é ele que acumula através dos anos os conhecimentos necessários para que ori alcançe a compreensão, o conhecimento e a inteligência que serão aspectos que melhorarão seu desenvolvimento dimensional .

IPAKO - Cerebelo: A parte que rege as ações do corpo (ARA). Nem sempre atua em conjunto com Opolo porque se vê influenciado por ipin jeun e obo ati oko.



ABIBO -  O Orixá que ensinou aos homens a trabalhar e a mover os membros. Ele vive dentro do cérebro e da família de ori. É constituída de duas partes: akinkin otun olo orun abibo (hemisfério cerebral direito) e osin olo orun abibo gongo orun (hemisfério cerebral esquerdo).


ORI INU -  se divide em duas partes: ORI APERE e APARI INU.



ORI APERE - É o caminho que já esta predestinado na terra para cada individuo.



APARI INU: Este será o comportamento ou o caráter da pessoa, que definitivamente melhorará ou piorará seu ORI APERE ou seu destino na terra. Se seu APARI INU for bom, então, poderá ser capaz de suportar as vicissitudes da vida em paz e harmonia, pode diminuir a dor, evitar as armadilhas, atenuar as consequências negativas, não dar importância às coisas materiais que só nos acompanham por pouco tempo , vai colocar tudo em termos de espiritualidade e de sua capacidade de adaptar-se a seu  preconcebido destino, nos levará para a  felicidade apenas colocando terra abaixo nossos sentimentos impuros que obscurecem o interior de cada um de nós são eles: a vaidade, o ódio, o ciúme , egoísmo, maldade, ressentimento, etc  Sendo assim, teremos logrado o prazo para o fim, denominado IWA PELE que é a nossa paz interior e o controle do ORI APERE  alcançando assim o estado de ORUN RERE um estado, que é o céu ou a dimensão dos deuses, ou seja, dizer que se converteria em um ORIXÁ que é o verdadeiro objetivo da religião.

Quem tem seu APARI INU em desacordo com seu ORI APERE obterá um estado de ORUN APAADI., que é uma dimensão de sofrimento onde fica ali  esperando apos a morte até chegar a hora de regressar á Terra, AIYE, que é onde passamos as provas e iremos melhorando nossa espiritualidade alcando distintos níveis no ORUN até alcançarmos novamento o final ORUN RERE. Ifa diz que a Terra é um mercado, e o céu é nossa casa. Os animais seriam um exemplo para seguirmos,pois a tartaruga se conforma em nadar em suas águas e ali encontrar seu alimento e faz isso muito bem, porem nunca lhe ocorrera voar como uma águia, e asssim como a águia voa alto e veloz, captura sua presa onde queira , e não lhe ocorre tentar nadar e comer como a tartaruga. A incoformação é o inimigo do APARI INU e por sua vez se APARI INU se perder, nosso ORI APERE será um desastre.

continua............

sexta-feira, 2 de abril de 2010

EKEJI/AJOIÉ/IYAROBÁ/MAKOTA DE ANGUZO/PONCILÉ



Ekeji e ogã devem indicar os caminhos, para o exemplo moral dos iniciados.
Os verdadeiros ogãs e ekejis devem orientar a coletividade de orixá.
A orientação deve ser voltada a preservação dos costumes tradicionais.
Uma das funções dos ogãs e ekejis é de educar a comunidade com exemplos comportamentais que inspirem as pessoas devotamento ao culto ao orixá. Existem muitos ogãs de verdade e ekejis também. Mas reconhecemos que muitos apenas somente têm o título, e muitas vezes nem tem ritual de acordo com os ditames da religião.
A moral no culto ao orixá existe e deve ser observada, pois orixá existe para a nossa melhora como pessoa na vida coletiva e comunitária.
Orientar não é mostrar que ele, ou ela tem prestígio, mas a situação do cargo que ocupa lhe confere ajudar ao templo de orixá de forma adequada, obedecendo ao orixá da casa com o respeito devido.
Encontramos em nosso caminho muitos destes que apenas são simples figuras de poder, e que nada contribuem ao culto de forma positiva, mas somente afugentando as pessoas do culto pelos seus dizeres imprudentes e incabíveis. Infelizmente, muitos sacerdotes se fazem de desapercebidos para não criar discussões, mas nessa parte o sacerdote deve interferir de forma intransigente mostrando a todos a coerência com o cargo assumido.
A humildade é a palavra chave que manterá o equilíbrio daqueles que possuem cargo de relevância, no caso ogã e ekeji.
A função deles é ajudar ao sacerdote para preservar a tradição, ensinar, educar e acompanhar os adeptos do culto com verdade e pura intenção ao orixá.
Um “iyawo” que procura uma “ekeji” para um conselho, e esta última inspirada pela verdade e prudência irá ajudar ao “iyawo” na sua duvida. Eis a verdadeira “ekeji”.
São os pais que educam os filhos e a coletividade no geral.



Qual a função real de quem ocupa esses cargos?



Ekeji - são mulheres escolhidas pelos orixás para cuidar dos seus interesses, são mulheres serias amáveis , respeitáveis e acima de tudo competentes. Elas fazem de tudo para agradar os orisás dos quais consideram-se mães e filhas. As roupas dos orisás e seus acessórios ficam sob seus cuidados. Há ekeji preparadas para tarefas mais fáceis , e outras recebem asé para participar de todas as obrigações.
Assim como os demais oloyés, uma ajoié tem o direito a uma cadeira no barracão. Deve ser sempre chamada de "mãe", por todos os componentes da casa de orixá, devendo-se trocar com ela pedidos de bençãos. Os comportamentos determinados para os ogãs devem ser seguidos pelas ajoiés.
Em dias de festa, uma ajoié deverá vestir-se com seus trajes rituais, seus fios de contas, um ojá na cabeça e trazendo no ombro sua inseparável toalha, sua principal ferramenta de trabalho no barracão e também símbolo do óyé, ou cargo que ocupa.
A toalha de uma ajoié destina-se, entre outras coisas, a enxugar o rosto dos omo-orixás manifestados. Uma ajoié ainda é responsável pela arrumação e organização das roupas que vestirão os omo-orixás nos dias de festas, como também, pelos ojás que enfeitarão várias partes do barracão nestes dias.
Mas, a tarefa de uma ajoié não se restringe apenas a cuidar dos orixás, roupas e outras coisas. Uma ajoié também é porta-voz do orixá em terra. É ela que em muitas das vezes transmite ao babalorixá ou yalorixá o recado deixado pelo próprio orixá da casa.

Existem na casa o cargo de:



Iyatenin: é a primeira ekedi ;os olhos do sacerdote
Sidagã:é a segunda ekedi ;é responsável por vestir os voduns e cuidar de esú (Esse cargo também pode ser ocupado por uma vodunsi
Iyatebexé – Ekeji responsável pelos cânticos e rezas dos orixás
Iyásingè = responsável pela cozinha ritual
Iyáomoniye = cuida das tarefas referentes aos iniciados dentro e fora do quarto de Òrìsà.
Iyáoloye = semelhante a Iyáomoniye. Possui também atribuições específicas relativas aos possuidores de cargos, isto é: iniciado com mais de sete anos (Egbon) que recebeu funções de comando ou responsabilidade (Oye) dentro da própria Casa ou Família de Asé.
Kota mbakisi - cuida das divindades
Gonzegan - Cuida das Gonzen  (quartinhas) e do"Gra" que seria um estado selvagem do vodun. 

No candomblé do Engenho Velho ou Casa Branca, as ajoiés são chamadas de ekejis. No Gantois, de "Iyárobá". Já na nação de Angola, é chamada de "Makota de Angúzo".

O que a pessoa precisa para ser ekeji?

Um grande sentimento maternal, ser ekeji é cuidar dos filhos. Ekeji é mãe por excelência mas não quer dizer que terá que ser sempre boazinha, pelo contrário, a boa ekeji repreende, orienta, dá carinho, enxuga a lágrima e o suor, enfim ser ekeji é muito mais que ficar “pajeando” o zelador (pai ou mãe-de-santo) dando cafezinho na bandeja de prata e copo de cristal, isso é vassalagem e não cabe nas funções da ekeji.
Ela deve cuidar da comunidade de forma respeitosa e igualitária. As ekejis, são consideradas mães. São importantíssimas no decorrer de qualquer cerimônia, elas devem aprender a cantar, dançar, os oros, as folhas, os rituais, e tudo o que sua zeladora/o ensinar para dar o apoio necessário. Ser ekeji é motivo de grande felicidade e respeito aos compromissos e tradições da casa . Mas no seu posto ela só vai realmente ser respeitada quando mostrar aos seus filhos, que eles têm nela uma mãe de fato.

- uma ekeji estã sempre pronta para atender os orisás.
- sua função respeitar e ser respeitada (isso se adquiri com ações e comportamento.
- nunca estar sem seu pano da costa.
- estar sempre a disposição dos orisas para o que ele precise e não deixar que outros de fora o façam.
- verificar se as quartinhas (quartinha de desvirar e as dos orisas) estão cheias.
- estar com pano da costa e a dilonga com água a mão (ekejis).
- nunca deixar orisa sozinho no barracão ou em outro ambiente.
- se não sabe pergunte, não entende pergunte, se tem duvida pergunte, nunca haja por impulso.
- orisa (de seu irmão de santo) deve ser desvirado deitado, na sua casa, e em outras casas no apoti ou aperé (banco) ou de joelho. (com calma e respeito)
- aprender como louvar, cantar e até cuidar dos orisas.
- aprender tudo que se deve ou não fazer na casa de santo.
- aprender as comidas tanto de orisa como em ebos, principalmente áses a serem feitos (a cozinha é restrita as iyabas).
- em funções verificar se tudo está correto, em mãos para que sua mãe/pai de santo não tenha que se desviar para corrigir.
- nunca esteja de conversa enquanto sua yalorisa/babalorisa está trabalhando.
- ter suas roupas em dia e estender isso fora do barracão, como não usar preto ou roupa inapropriada na casa de santo ou bebendo sem a autorização da yalorisa/babalorisa - lembre-se vc é o exemplo.
- quarto de santo e de exú é sua responsabilidade também, (verificar desde cozinha a quarto de santo)
- desvirar o orisa da mãe/pai de santo somente a ekeji ou ogã dela (exceções os ogãns do seu avô/ó de santo).
- dar orientações aos filhos da casa - para isso fale com educação e se souber o correto.
- seus irmãos de santo são sua responsabilidade e o orisa também.
- aprenda a se impor com respeito e educação.
- vc tem certas regalias, mas não abuse delas, sua mãe/pai de santo ainda assim será superior a vc.
- humildade sempre é o melhor caminho.
- uma verdadeira ekeji ou um verdadeiro ogã se mostra com respeito, amor e principalmente livre de ciúmes, inveja, ódio, rancor ou preconceito.
- saber se colocar não quer dizer ser arrogante ou ter escolhas pessoais. Vc deve respeitar a todos e principalmente ser educada (o).
- uma verdadeira ekeji ou ogã segue o exemplo da mãe/pai de santo (tanto no àse como fora dele)
- agilidade sempre (mas não a pressa e a imperfeição).

O que mais dizer ?

Ser ekeji é ser amor...
É ser os olho do(a)
Zelador(a),
A cantiga, a palavra e a
Compreensão
Ser ekéji é ter o coração
Preenchido de,
Infinito amor, respeito
E zelo..
É ver a criança nascer...
Fecundar, cuidar...
Sob os seus abraços...
Um laço de vida e
Esperança..
A força, a fé e a magia
De cada vodun
É ser abençoada por
Deus e escolhida para
Dar continuidade...
É ser o doce gesto, o
Eterno acalanto, a mão
Que orienta, e conduz...
Luz infinita no exercício
Impecável de ser..
Mãe...
Que o plano que reside
Acima de nós
Para sempre nos orientar,
Guiar e proteger,
Para que nossas atitudes
Dignifiquem cada
Gota de energia de
Cada filho que nos é
Entregue nos braços, e
Que seus abraços
Representem à mágica
Troca na expressão
Infinita
Do verbo “amar” !!


sábado, 27 de março de 2010

ERVAS E SUAS FUNÇÕES RITUALISTICAS - OYA/AVEJIDA/MATAMBA

OYA


Alface: É empregada nas obrigações de Egun, e em sacudimentos.
Altéia – Malvarisco: Muito empregada nos banhos de descarrego e na purificação das pedras dos orixás Nanã, Oxum, Oxumarê, Yansã Yemanjá.
Cambuí amarelo: Só é utilizado em banhos de descarrego.
Catinga-de-mulata – Cordão-de-Frade – Cordão-de-São-Francisco: Seu uso ritualístico se restringe aos banhos de limpeza e descarrego dos filhos de Oyá.
Cordão-de-Frade verdadeiro: Essa planta é aplicada em banhos tonificantes da aura e limpezas em geral.
Cravo-da Índia – Cravo-de- Doce: Entra em quaisquer obrigações de cabeça e nos abô. Participa dos banhos de purificação dos filhos dos orixás a que pertence.
Espirradeira – Flor-de-São-José: Participa de todas as obrigações nos cultos afro-brasileiros. Esta planta é utilizada nas obrigações de cabeça, nos abô e nos abô de ori. Pertence aos orixás Xangô e Yansã, porém há, ainda, um outro tipo branco que pertence a Oxalá.
Eucalipto-limão: de grande aplicação nas obrigações de cabeça e nos banhos de descarrego ou limpeza dos filhos de orixá.
Flamboiant: Não é utilizado em obrigações de cabeça, sendo usado somente em algumas casas de banhos de purificação dos filhos dos orixás. Porém suas flores tem vasto uso, como ornamento, enfeite de obrigação ou de mesas em que estejam arriadas as obrigações.
Gengibre-zingiber: São aplicados os rizomas, a raiz, que se adiciona ao aluá e a outras bebidas. O povo costuma dizer que é também ingrediente no amalá de Xangô.
Jitó-carrapeta – bilreiro: É de hábito ritualístico empregá-la em banhos de limpeza e purificação dos filhos do orixá a que se destina.
Hortelã-da-horta – Hortelã-verde: Muito usada na culinária sagrada. Entra nas obrigações de cabeça alusivas a qualquer orixá. Participa do abô dos filhos-de-santo.
Jenipapo: As folhas servem para banhos de descarrego e limpeza.
Lírio do Brejo: São usados folhas e flores nas obrigações de ori, nos abô e nos banhos de limpeza ou descarrego.
Louro – Loureiro: Planta que simboliza a vitória, por isso pertence a Oyá. Não tem aplicação nas obrigações de cabeça, mas é usada nas defumações caseiras para atrair recursos financeiros. Suas folhas também são utilizadas para ornamentar a orla das travessas em que se coloca o acarajé para arriar em oferenda a Iansã.
Mãe-boa: Seu uso se restringe somente aos banhos de limpeza.
Manjericão-roxo: Empregado nas obrigações de ori dos filhos pertencentes ao orixá do trovão. Colhido e seco, previne contra raios e coriscos em dias de tempestades, usando o defumador.
Maravilha bonina: Utilizada nas obrigações de ori relativas a Oyá, bori, lavagem de contas e feitura de santo. Não entra nos abô a serem tomados por via oral.

sexta-feira, 26 de março de 2010

ERVAS E SUAS FUNÇÕES RITUALISTICAS - LOGUN/AJAUNSI/GONGOBILA


Logun
Logun Edé, em sua passagem pela Terra, se apropriou das ervas de seus pais para por fim aos males terrenos; curou muitas pessoas e ainda cura até os dias de hoje aqueles que nele depositam sua fé. Além de todas as ervas de Oxum e Oxóssi que ele utiliza para curar, destaca-se, ainda, uma única de sua propriedade, hoje de grande importância para a medicina caseira: o Piperegum Verde e Amarelo.
Piperegum Verde e Amarelo : Planta sagrada de Logun Edé, originária de Guiné, na África. Trata-se de uma erva que possui extraordinário efeitos nas várias obrigações do ritual, possuindo grande eficácia nos sacudimentos pessoais e domiciliares e nos abô como afastamento de mão de cabeça no caso de pai e mãe de santo vivo, cercando as pernas da pessoa com folhas de piperegum ou amarradas ao tornozelo; feito isso, a cerimônia é iniciada.