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domingo, 17 de janeiro de 2010

EXÚ - O MENSAGEIRO







EXÚ


Vamos clarear a injusta impressão deixada por quantos tem informado esse dedicado companheiro, esse mensageiro admirável, esse demandista infatigável, esse oráculo precioso, para colocá-lo no seu devido lugar. Para fazer, elevamos nossos pensamentos ao infinito, suplicando, “Ago Emi Babá Okê” e descendo a terra, saúda aos Exús Tiriri, Lonan ,"Baraô-Bebê, Tiriri-Lonan". Exú é outro orixá. É representante do homem. Os afro-baianos assimilam-no ao demônio dos católicos; mas o que é interessante, temem-no, respeitam-no, fazendo dele objeto de culto. O que é verdade, é que há poucos anos atrás, depois do fabuloso Candomblé da Bahia, aparece Ladinos e a Creoulos, onde encontra-se a verdade, o que imaginamos: Orumilá, o que se revela no oráculo Ifá; Exú mensageiro celeste que representa a força, a inteligência e virilidade. A associação de ambos, já era conhecida desde de tempos imemoráveis na África, tal como imaginam os nagôs e os jejes, são seres intermediários entre as divindades e os homens. Mais adiante, sabemos que Exú tem sido equiparado ao diabo cristão, por observadores apressados, Serve de correio entre os homens e as divindades. Ora, Exú não é um orixá e sim um criado dos orixás e um intermediário, como foi dito. Exemplo: Se desejamos algo de Xangô, devemos despachar Exú, para que, com sua influência, consigamos facilmente. despachar quer dizer, enviar, mandar. É interessante assegurar que buscamos do camdomblé do velho João Arabá, via Pai Arioxarifá, uma especificação que marca o seguinte: os três grandes Exús: Exú Laboré, o distribuidor das tarefas terrenas, o Exú da Terra com ligação direta a Ogum. Conforme se disse acima, é quem recebe invariavelmente suas ordens nas encruzilhadas. Exú Laboré Fumer , o Exú do Fogo, obediente e servidor específico do guerreiro vencedor de demanda onde deve entrar o fogo, para assegurar as vitórias e abreviar o sucesso, Exú Laboré Onadô, servidor direto de Ogum e diretamente de Obaluaiê, o Exú dos Cemitérios, o Exú que a nosso ver é a mingua de fonte valorosa e crível, é Omulú responsável direto pela normalidade da cidade eterna e distribuidor de tarefas a seus pares subordinados na referida necrópole. Os Exús estão assim distribuídos: esses maiorais ou chefes comandam 7 Exús de guia que são: Rei das Sete Encruzilhadas, que também assume a função de Pavenã de Xangô, é o criador que, conforme a lenda mais compreensível dos Iorubanos, aparece como companhia do Orixá Trovão, quando abandonara Oyó onde reinava. Foi Pavenã, o seu criador, e mensageiro que levara a notícia ao povo, que Xangô se tinha enforcado. Exú Tiriri Lonã específico criado de Nanã, o mensageiro, que acompanha a limpeza, os detritos, quando o orixá das chuvas, varre a atmosfera. Olha as varredelas das vilas e cidades, e, tem perfeita ligação com Ogum, Obaluaê e Oxum Iapondá, a Oxum do fogo. Exú Tranca Ruas, especial servidor de Ogum e vigia extraordinário das ruas, estradas e encruzas, onde também come e recebe obrigações. É o grande embaixador dos homens ao Orixá das guerras e batalhas. Exú Veludo, extraordinário servidor de Ogum, com perfeito entendimento com Iemanjá, Oxum e Oxossi. Serve a mãe dos orixás com dedicação. Exú Marabô, que as vezes aparece sob o nome de Barabô. `e um mensageiro sobre o qual faltam maiores esclarecimentos, entretanto podemos dizer, que é servidor de Yemanja, Ogum, Obaluaê, e Oxum. Exú Tata Caveira, representante direto de Omulu, de Laboré Onadô, e que a nosso ver, é a mesma entidade. Também como no cemitério, no cruzeiro principal e assiste também a Oxum. Exú Capa Preta ou Pedra Preta, é o servidor preferido de Iansã, com ação às margens da água doce e por conseqüência servindo a rainha dessas águas e a Obá. É o Exú do Fogo muito chegado ao Aguerê e do mesmo feitio do Apelê, em qualquer interferência de Iansã, a grande comandante de todos os Eguns, aí está ele presente. è equivalente ao Exú dos Rios, como chamam alguns. Como nas encruzas e na pedra fendida, que é o domínio da querida Yabá, rainha dos ventos e das tempestades. Afum lê lê ê parrei Iansã! Aí estão os Sete Exús de Guias, os grandes. Cada um desses Exús, os grandes. Cada um desses Exús , comanda Sete Exús Batizados e esta é a razão da enorme lista de denominação. Um Exú batizado, por sua vez comanda Sete Exús Pagão. Exú Pagão , é aquele inteiramente sem consciência das coisas, ou seja do bem ou do mal, apenas realiza o que determinam. São espíritos (Eguns) que estão inteiramente no escuro, são também almas penadas, almas benditas, estão sempre ao redor das Igrejas em busca de preces e velas. O Fetiche natural de Exú é o Otá, a Pedra de Exú, ou seja o minério de ferro. Quando não se dispõe desse material, usa-se também a Ferramenta modelada, correspondente ao Exú. As frutas de Exú são: o limão descascado e cortado em roletes. Ko-bá laroie Exú. Exú também é um orixá responsável pelas casas espíritas, por isso seu assentamento deve sempre ficar atrás da porta de entrada. Também são responsáveis pelos mandados e pelas demandas. No Ketu, o principal foi Exú Alaketo, no Jeje o Lebara, Exú Galú e Bií, sendo o primeiro de Xangô, o segundo de Ogum e o terceiro Oxum. São representados por um tridente, sendo mensageiro dos orixás, é de caráter irracível e a cólera dos Orixás e dos homens, provocando sempre discórdias, acidentes calamidades públicas e privadas, por isso é chamado o Chicote da Justiça. Exú exerce um papel importantissimo no jogo de búzios, em combinação com Oxum, é ele quem responde as perguntas da Oxum, na qualidade de Exú-Leba. Quando Exú Elegbá se manifesta entre os iorubanose os Nagôs, leva na mão um bastão ou tridente. Este bastão teria teria a virtude preciosa para um mensageiro, de transportar a qualquer local, a centenas de quilometros, e de atrair rapidamente, por um poder magnético, os objetos colocados a distância. Tem capacidade importante nas advinhações, por que é ele, segundo certas lendas, que o Ifá recebeu este domm. Na Nigéria, na região de Ijebú, dizem que foi mandado ao mundo na Ilha de Ifé, pelo Olojá, proprietário do mercado. Teria sido o primeiro Rei Ketu(Alaketu) e seria ancestral do primeiro Rei de Egbás. Na Dahomey dizem ainda, que ele foi homem que se tornou Vodunci em Ijelo no país de Oyó, quando passou dias na Ilha de Ifé(Nigéria). E de lá seu culto se expandiu até Dahomey. Para os Fons, se chama Legbá e faz a mesma função que Exú elegbá dos Iorubanos. as estatuas dos Legbás de Zamgbeto, são particularmente levadas as exibicionismo e aos debates eroticos.






segunda-feira, 9 de novembro de 2009

ALGUNS EXUS NA UMBANDA E SUAS CARACTERISTICAS

 ENCRUZILHADAS

As encruzilhadas na umbanda simbolizam o encontro entre os diversos caminhos que podemos percorrer. Nas encruzilhadas, todos se encontram,todas as energias se cruzam. é um local, tanto no físico, quanto no astral saturado de poderes energéticos. é associada com frequência ao conteúdo simbólico da porta, ou seja ao acesso às diversas frequências vibratórias. por isso também pode simbolizar a passagem para algo novo ou os portais mágicos que se abrem para novas dimensões.

Exu e Pombagira - Senhores das Encruzilhadas.
Na umbanda, não se cultua exú como orixá, e sim como espírito de um humano, servem ao comando de todos os orixás. E as pombas giras que também são espíritos guardiões, e que trabalham as mesmas questões e demandas que os exús guardiões, ficaram também responsáveis pelas "encruzilhadas". Para que houvesse uma ordem metodológica, à elas coube o domínio maior sobre as encruzilhadas em forma de "t" e "y". Mas, exús e pombas giras estão presente em todos os caminhos e em qualquer tipo de encruzilhadas.
Exu e Pombagira são espíritos em busca de evolução e compromissados com a espiritualidade superior, que falam em perdão, em Lei, em ação e reação, em fé e em Deus, assim como um espírito de preto-velho ou caboclo.
Exu é um ser de luz, possuidor de grande astúcia e perspicácia, sabe exatamente como identificar os pontos fracos dos seres humanos e isso não tem nada a ver com malandragem.
Exu em Yorubá significa ESFERA, aquilo que é infinito, que não tem começo nem fim.
Exu é principio de tudo, e junto com o Orixá Ogum é aquele que permite a abertura de todos os caminhos e de todas as passagens. É também a saída de todos os problemas. Exu é o vigor e a coragem. Exu é dual, pois é a vitalidade e a desvitalidade; a verdade e a mentira, é esgotador e ativador de carmas. Exu é o ponto mais obscuro do ser, pois é o nosso próprio interior. É o mais humano dos Mistérios, é o Mistério que mais se humanizou. Exu escreve reto em linhas tortas, escreve torto em linhas retas e escreve torto em linhas tortas. Exu é fator Revelador, aquele que vê o negativismo dos seres, aquele que sabe e revela tudo, mas não se envolve com nada que não seja permitido pela Lei de Ogum.
Esses atributos é que levam a incompreensão e o temor dos seres humanos em relação a Exu, afinal Ele conhece o lado obscuro dos médiuns e dos consulentes.

Exus estão divididos em 3 grandes linhas: Cemitério, Encruzilhada e Estrada


Exus do Cemitério: É formada por Exus sérios, em sua maioria servidores de Omulu (Rei do Cemitério). Não costumam dar consulta, se apresentam principalmente em grandes obrigações, trabalhos e descarregos.
Ex: Sr. João Caveira; Sr. 7 Cata­cumbas; Sr. 7 Facas; Sr. 7 Ossa­das; Sr. Quebra Ossos; D.Maria Quitéria; D.Rosa Caveira, etc



EXUS DO CEMITÉRIO



Tatá Caveira é um exu, ou seja, uma entidade que trabalha na Umbanda, através da incorporação de médiuns. Antes de ser uma entidade, Tatá Caveira viveu na terra física, assim como todos nós. Acreditamos que nasceu em 670 D.C., e viveu até dezembro de 698, no Egito, ou de acordo com a própria entidade, "Na minha terra sagrada, na beira do Grande Rio".
Como entidade, o Chefe-de-falange Tatá Caveira é muito incompreendido, e tem poucos cavalos. São raros os médiuns que o incorporam, pois tem fama de bravo e rabugento. No entanto, diversos médiuns incorporam exus de sua falange.
Tatá é brincalhão, ao mesmo tempo sério e austero. Quando fala algo, o faz com firmeza e nunca na dúvida. Tem temperamento inconstante, se apresentando ora alegre, ora nervoso, ora calmo, ora apressado, por isso é dado por muitos como louco. No entanto, Tatá Caveira é extremamente leal e amigo, sendo até um pouco ciumento. Fidelidade é uma de suas características mais marcantes, por isso mesmo Tatá não perdoa traição e valoriza muito a amizade verdadeira. Considera a pior das traições a traição de um amigo. Entre os exus da linha de Caveira, existem: Tatá Caveira, João Caveira, Caveirinha, Rosa Caveira, Dr. Caveira (7 Caveiras), Quebra-Osso, entre muitos outros.





Sete Catacumbas, bravo, nervoso, bondoso, não tem misericórdia de espíritos que atrapalham o sossego alheio, no entanto é um fiel protetor e grande conselheiro de todos que queiram fazer do seu mundo um lugar melhor pra se viver. Esse poderoso Exú da Umbanda, Kimbanda e Candomblé, conhecido no Catimbó como Mestre 7 Catacumbas. Onde ele fica pode ter certeza não fica um egum por perto. Uma característica muito impressionante é que quando ele vai embora arrasta consigo tudo de ruim que houver no terreiro.






Rosa Caveira (Pomba-Gira Guerreira e Justiceira), em sua apresentação astral ela vem em forma de mulher ou caveira, ou meio a meio sempre com uma Rosa amarela em suas mãos e uma caveira aos seus pés, caveira esta que representa, todos seus inimigos que cruzam seu caminho.
Trabalha na linha das almas e faz parte da falange do Exu Caveira e Tatá Caveira.
Seu ponto de força, é no cruzeiro das almas, onde são entregues seus pedidos e oferendas.
Sua Flor preferida é Rosa Amarela.
Sua guia é, preto e branco ou amarelo e preto.
Ela viveu aproximadamente á 2.300 anos antes de Cristo, na região da Mongólia, os seus pais eram agricultores e tinham muita terra. Ela era uma das 7 filhas do casal, sendo que seu nascimento, deu-se na primavera e a mãe dela tinha um jardim muito grande de rosas vermelhas e amarelas, que rodeava toda sua casa. E foi nesse jardim, onde ocorreu seu parto. Seus pais além de serem agricultores, também eram feiticeiros, mas só praticavam o bem para aqueles que os procuravam, e sua mãe tinha muita fé em um cruzeiro que existia atrás de sua casa no meio do jardim, onde seus parentes eram enterrados. No parto da Rosa Caveira, a mãe estava com problemas, e dificultava o nascimento da mesma e estava perdendo muito sangue, podendo até morrer no parto. Foi quando a avó da Rosa Caveira que já havia falecido há muito tempo, e estava sepultada naquele cemitério atrás de sua casa, vendo o sofrimento de sua filha, veio espiritualmente ajuda-la no parto, sendo que sua mãe com muita dificuldade e a ajuda de sua avó (falecida), conseguiu dar a luz a Rosa Caveira, e como prova de seu Amor a neta, sua avó, colocou em sua volta, várias Rosas Amarelas e pediu a sua filha que a batiza-se com o nome de ROSA CAVEIRA, pelo fato dela ter nascido em um jardim repleto de Rosas e em cima de um Campo Santo (cemitério), e também por causa da aparência Astral de sua mãe (avó), que aparentava uma Caveira. E em agradecimento a ajuda da mesma, ela colocou uma Rosa Amarela em seu peito e segurando a mão de sua mãe, a batizou com o nome de ROSA CAVEIRA DO CRUZEIRO, conhecida com o nome popular de Rosa Caveira.


Exus da Encruzilhada: Esta linha é formada por Exus que servem a Orixás diversos. Não são brincalhões como os Exus da estrada, mas também não são tão fechados como os do cemitério. Gostam de dar consulta e também de participar em obrigações e descarregos. Alguns deles se aproximam muito (em suas características) da linha do cemitério, são os que chamamos de "Encruza pesada", enquanto outros se aproximam mais da linha da estrada, "Encruza leve".

Ex: Sr.Tranca Rua; Sr. Veludo; D. 7 Encruzilhadas; Sr. 7 Encruzilhadas; D. Maria Mulambo; D. Maceió; Exú 7 ventanias etc...


EXUS DA ENCRUZILHADA

Exu Tranca Rua - O Senhor de Mbaré: Senhor do mundo espiritual onde está sua origem e sua morada. Tem duas formas de se apresentar no mundo espiritual e popular: A primeira é da vinda desta entidade como mago, feiticeiro e bruxo ao mundo dos mortais para ser útil a quem da magia tem necessidade para alcançar seus objetivos. Este mestre mago feiticeiro, Rei do mundo espiritual vem ao mundo físico e se apresenta como  Exú Tranca Ruas da Almas. Ele tem o poder de fechar e abrir os caminhos para o ser humano e também de ter as almas perdidas sem luz como escravos para prestar-lhe reverencias e fazer o que ele ordenar. Este é um dos motivos pelo qual ele foi enviado aqui no plano físico, para pegar as almas perdidas, formar seu Exército para lhe servir e também formar uma hierarquia para que todos as almas perdidas fossem transformadas em seu exército, e desta forma encontrem o caminho novamente para a luz através dele mesmo, podendo assim vigiar, receber as oferendas que são depositadas nas ruas de qualquer cidade aonde Exú Tranca Rua tem o poder absoluto ( o Reino das Ruas ). Essa entidade protege a entrada das casas , nada se movimenta ou sai de uma casa para as ruas, nada chega ao seu destino de origem como nas matas e outros locais fora da cidade sem que antes sejam realizadas oferendas á Exú Tranca Rua.
Obs.: Esta entidade é a que mais possui conhecimento para indicar amuletos na cabaça e outros apetrechos para ser colocado como segurança na entrada dos estabelecimentos comerciais e nas residências, que servem contra inveja, feitiços, pragas, demandas, etc...  Tem como seu curiador bebidas finas de malte envelhecido, adoração pelo luxo, pedras preciosas, pratarias, porcelanas, e antiguidades valiosas. Recebe padê como todas as entidades,  alimentos de carnes preparados dentro do templo pela pessoa específica do cargo e encarregada de faze-lo.  Seu vestuário é cartola sofisticada de época, sua capa varia nas cores azul turquesa, roxo e negro tendo contrastes em vermelho decorada de safira de preferência amarelo dourada que simboliza sua riqueza e a presença de seu reino. Geralmente solicita para seu conforto tronos entalhados em madeira e marfim é extremamente educado e fino, poderoso e sinistro é uma entidade muito melindrosa nunca solicite os seus serviços sem de fato ter certeza do que deseja porque os seus trabalhos são alta magia e muito eficazes.



Exú Veludo Pertence à Linha das Encruzilhadas.É assistente imediato do Exu Rei das 7 Encruzilhadas.Obedece á Ogun.Seu ponto de força é no lado direito da margem do rio em relação ao por do sol. Um outro detalhe observado e que gostam (mas não fazem disso uma constante, talvez devido o ambiente onde está o médium) é o de fazerem os seus médiuns trabalharem descalços e, quando Exus Veludos caminham, dão a impressão de que estão amassando e/ou pisando sobre areia. Recebe oferendas de trabalho na beira da água, tanto doce como salgada.Sua forma astral é na forma de um cavalheiro ricamente vestido, aparecendo entretanto como característica dissonante de sua personalidade.
Veste-se elegantemente de vermelho e preto, também com capa nessa cor.Bebe todos os tipos de bebidas finas e fortes e fuma charutos de boa qualidade. A origem do nome é bem antiga, do tempo em que as pessoas de fala mansa, calma, tranqüila, eram lembradas como: "tal pessoa é um veludo no falar".Portanto, a onomatopéia da voz desse Exu se confunde com uma qualidade de voz aveludada.Onde incorpora um Exu Veludo, fatalmente incorpora também o Exu dos Rios, possuindo ambos identidade e apresentação quase idênticas Apesar de ser "um veludo" no falar, é uma entidade muito forte.Protege por demais os seus médiuns, e exige muito deles para a manutenção dessa ligação médium/Exu Veludo. Este Exu, vem das costas orientais da África, era swahili (negro arabizado).Usa um turbante na cabeça, e lindos tecidos de veludo trazidos de oriente, que lhe valeram o apelido na Kimbanda de "veludo" . Dado a sua forma luxuosa de se vestir, no estilo muçulmano, muitos que viram seu tipo de apresentação através da mediunidade, o confundiram com um cigano e o associaram com os mesmos.Isto não significa que não trabalhe com os ciganos, ao contrário, tem inclusive uma passagem ou caminho que se apresenta como um. Tem muitos conhecimentos sobre feitiços que se fazem utilizando panos,tigelas, agulhas, pembas e outros ingredientes.
Abre os caminhos e limpa trabalhos negativos feitos nos cemitérios. Gosta de um bom whisky e grossos charutos.
Alguns de seus caminhos são:
Exu Veludo da Meia Noite
Exu Veludo Cigano
Exu Veludo 7 Encruzilhadas
Exu Veludo Menino (Veludinho)
Exu Veludo dos 7 Cruzeiros
Exu Veludo das Almas
Exu Veludo dos Infernos
Exu Veludo da Kalunga
Exu Veludo da Praia
Exu Veludo do Oriente
Exu Veludo Sigatana
Exu Veludo do Lixo



Dona Maria Mulambo. Entidade amada, respeitada e muito solicitada nos terreiros em geral. É muita interessada e dedicada em ajudar seus "médiuns" e protegidos. Quase sempre mostra-se como uma mulher fina, requintada e nada vulgar. É considerada a entidade capaz de ajustar a vida como um todo. Mas cobra de seus protegidos ação e caráter firmes. Também tem muitos protegidos no mundo espiritual, e também a eles são feitas as cobranças necessárias à sua evolução. Faz de um tudo para ajudar a seus médiuns e a todos que a procuram em busca de soluções para as dificuldades de suas vidas. Maria Mulambo costuma trabalhar dentro da vibração de Iansã. Seus trajes variam muito, como as suas cores. Pode usar o vermelho e preto, o preto, o vermelho, trajes coloridos, saias esfarrapadas ou com tiras, até trajes mais requintados.
As cores de suas guias são a vermelha e a preta, combinadas de sete em sete contas. Suas oferendas podem ser simples ou complexas, dependendo do objetivo do trabalho. Costuma pedir fitas vermelhas e pretas em quase todos os seus trabalhos. Pode trabalhar com velas vermelhas, vermelhas e pretas, pretas e também brancas.Pode receber seus ebós (oferendas) nas encruzilhadas em T, terreiros ou em outro local solicitado por ela.
Maria Mulambo é a protetora das mulheres com muitas dificuldades financeiras , doenças, depressões, mas cobra-lhes vontade e atitude.

Sete Ventanias - É um dos exús mais antigos. É rarissímo se apresentar, pois já atingiu um alto estágio de evolução. É um exú da legião de Yemanjá e falange de Yansã.

Exus da Estrada: São os mais "brincalhões". Suas consultas são sempre recheadas de boas gargalhadas, porém é bom lembrar que como em qualquer consulta com um guia incorporado, o respeito deve ser mantido e sendo assim estas "brincadeiras" devem partir SEMPRE do guia e nunca do consulente. São os guias que mais dão consultas em uma gira de Exu, se movimentam muito e também falam bastante, alguns chegam a dar consulta a várias pessoas ao mesmo tempo. Nesta linha trabalham vários espíritos, desde os Exus da estrada propriamente dita, como também os Cíganos e a malandragem. Também se encaixam nesta linha alguns espíritos, que apesar de já terem atingido um certo grau de evolução, optaram por continuar sua jornada espiritual trabalhando como Exus (Exu Mangueira, Exu do Tempo, etc...).
Ex: D. Maria Padilha; Sr. Zé Pelintra; D. Rosa Vermelha; Sr. Tiriri; D. Cigana/Ciganinha, etc...


Exu Tiriri - Exu chefe das falanges das encruzilhadas. Sua energia está concentrada nas intersecções de estradas em áreas rurais, caminhos e estradas rurais, e cruzamentos  nas estradas. Tem acesso a todos os lugares. Existem vários nomes  de Tiriri, aqui estão algumas:◦Seu Tiriri das Encruzilhadas ◦Seu Tiriri das Matas ◦Seu Tiriri dos ◦Seu Tiriri Menino ◦Seu Tiriri da Kalunga ◦Seu Tiriri das Almas ◦Seu Tiriri da Figueira ◦Seu Tiriri do Cruzeiro ◦Seu Tiriri da Meia Noite ◦Seu Tiriri Cigano.  Todos eles estão agem nas encruzilhadas. Estão sobre o comando  dos seguintes exus  importantes: ◦Tiriri Bara ◦Tiriri Apavena ◦Tiriri Apanada ◦Tiriri Lonan.
Tiriri - "A senhor da visão", aquele que vê mais longe do que outros.  É frequentemente chamado para trabalhar com o jogo de búzios e outros sistemas de oráculos Africano. 
Aparece como uma pele escura, com um bigode pontudo e uma cabeça raspada (ou com o cabelo muito curto). Ele gosta de alta qualidade, nos charutos e bebidas alcoólicas, principalmente uísque.
Tem  uma aparencia estravagante. Suas roupas principalmente em tons de vermelho e preto, usando também em branco. Se, no entanto, tem também um caminho relacionado com o reino da praia e com o povo deste reino, por ser da estrada esta conectado com o povo dos ciganos, ele também usa tons de azul em suas roupas. Neste último caso, pode ter outras cores. Usa  nas mãos um bastão de madeira.
Em sua última encarnação na terra apresenta-se  como um mestiço, descendente de escravos, um homem negro com deformações no rosto. 

Maria Padilha do Cruzeiro das Almas - Minha Rainha Amada e Poderosa - Gosta de dançar, de roupas com brilho,em tons de vermelho e dourado, quase nada preto, fuma  cigarro longo ou cigarrilhas, finas; sua bebida favorita é o champagne, gosta de taças exageradamente lindas,  gosta de usar rosa vermelha no cabelo, é vaidosa, brincos, pulseiras que façam ruídos,baton e perfume de boa  qualidade. Sensual e ligada as questões do amor.Sua gargalhada inconfundível,misturada com sua conversa direcionada e envolvente, são muito parecidos com nós humanos encarnados.Resolve os assuntos mais urgentes, é infalível e resolutíva.  Busca a evolução, trabalhando na prática do bem. Não costuma prejudicar ninguém! Mas não deixa barato as ofensas recebidas; por este motivo, devemos tomar cuidado com a forma de tratá-la. Muitas vezes e irônicas, mas muto divertida. Quando nervosa ou brava, fica incontrolável. Te-la como amiga, é ter proteção garantida. Aceita suas oferendas nas esquinas de cemitérios. As oferendas devem  ser colocadas sempre sobre uma toalha vermelha.
Obs.: Todas as fotos são apenas ilustrativas. Não corresponde a nenhuma imagem dos queridos exus e pomba giras da nossa Umbanda querida.

sábado, 10 de outubro de 2009

EXU NA UMBANDA



       EXU                         E                     POMBOGIRA

Exu é agente de ligação entre os homens e os Orixás. É guardião dos caminhos, soldado executor das ordens de Pretos-velhos e Caboclos, Executor da Justiça Cármica, e por isso mesmo, não faz mal a ninguém.



Alguns confundem Exu quando este executa a Lei de Justiça, confundindo-o com praticante do mal; nada mais equivocado. Exu dá aquilo que se pede. Se for o bem, devolve o bem, se pedirem o mal, devolve-o a quem o pediu, se este não tiver razão em seu pedido. De forma contrária, se percebe que o indivíduo que lhe pediu ajuda sofreu o mal de outra pessoa, devolve-o na mesma moeda que desejou aquele que lhe procurou.



Exus são espíritos de pessoas que tiveram encarnação na Terra, ou em outros orbes, ou seja, são seres criados pelo Pai que seguem o mesmo caminho evolucional que nós, seres encarnados. São compromissados com a espiritualidade superior e encontram-se como Exus nas falanges de Umbanda por resgate cármico ou por optarem em manter-se nesse estágio, auxiliando o trabalho das demais entidades da nossa querida Umbanda. Isso não quer dizer, no entanto, que não há entre eles espíritos que compõem a falange de Exus e Pombogiras em estágio evolucional que lhes permite seguir outro caminho nos planos superiores. Se permanecem auxiliando e guardando os planos inferiores vibracionais, fazem-no por opção e escolha, para combater o mal que ainda se encontra na criação divina.



Pelo fato de Exus e Pombogiras atuarem em planos muito próximos as faixas vibracionais da Terra, são espíritos profundamente conhecedores das paixões humanas, de seus desejos, defeitos e qualidades. Trabalham atuando nessa energia para ajudarem àqueles que buscam suas orientações. Dizem que Exu e Pombogiras são “devassos”, prostitutas, delinqüentes. Nada mais equivocado. Exu e Pombogira trabalham dentro da energia sexual, da energia animal que liga os homens à Terra. Por isso se apresentam como sedutores e encantadores aos seus consulentes.



Na verdade, por estarem os Exus e Pombogiras numa faixa vibracional mais próxima à Terra, sua energia é mais densa, exigindo do Médium, em sua incorporação um nível diferenciado de energia de quando vai incorporar com outras linhas de Umbanda. Normalmente, o que ocorre durante a incorporação das demais falanges é que o médium precisa elevar sua vibração durante a incorporação com os falangeiros dos Orixás, Pretos-Velhos, Caboclos e Crianças, e durante a incorporação de Exu e Pombogira, por estarem esses atuando em campos vibracionais mais densos, faz com que o médium diminua seu padrão vibracional para uma incorporação perfeita.



O trabalho de Exu consiste em guardar nossos caminhos, nos protegendo de demandas e magias negras realizadas por espíritos obsessores ou desafetos encarnados. Eles são agentes da magia e dos processos sutis do uso das energias dessa magia. Em seu trabalho, cortam essas energias anulando o potencial do mal que nos foi mandado, e retirando e encaminhando a outros planos os espíritos inferiores que estiverem trabalhando para nos tirar de nosso caminho. Faz esse trabalho atuando dentro da Lei de Retorno, cobrando e resgatando espíritos das trevas para que estes encontrem um caminho que lhes possibilite encontrar-se de novo com os desígnios da Criação. Em vários casos, encaminhando tais espíritos a novos processos reencarnatórios.



Os Exus responsáveis pelas casas de Umbanda são os responsáveis pelo andamento correto dos trabalhos durante as giras e consultas.



Não podemos deixar também de ressaltar que Exus e Pombogiras não precisam entortar seus médiuns quando incorporam. Essa atitude provém do próprio médium que acredita que para incorporar essas entidades, necessita se fazer todo torto, com expressões de ódio no rosto e com os dedos das mãos em formato de garras. Exus de Umbanda não são espíritos zombeteiros que vivem de falar palavrão e que precisem beber o tempo todo. Como já se pôde perceber do texto sobre bebidas e fumo na Umbanda, presente em nosso site, a bebida tem funções outras e diversas do intuito de satisfazer o desejo de bebida de entidades, já que esse não existe dessa forma.



Os Exus possuem falanges distintas, bem como áreas de trabalho diferentes conforme se percebe pelos diversos terreiros de Umbanda. Os Exus atuam juntamente com uma Pombogira, formando o casal de guardiões do médium, que deve cultuar e respeitar a ambos.



As falanges de Exu também possuem uma hierarquia que é seguida entre os espíritos que a compõem conforme o grau evolutivo do espírito, e a atuação nos planos vibracionais mais próximo aos Orixás de Umbanda, ou próximo às trevas.



Muitas pessoas não gostam de Exu, porque dizem que Exu não satisfez seus pedidos. Na verdade, não entenderam essas pessoas como é a atuação dos Exus e Pombogiras. Eles não dão o que se pede; eles dão o que a pessoa merece, e esse merecimento deve ainda estar de acordo com a Justiça Cármica.



Texto: Autoria dos membros do  grupo Genuina Umbanda

QUALIDADES EXU NA SANTERIA CUBANA



Dentre as muitas "qualidades" de Exu cultuadas entre os cubanos destacamos alguns que relacionamos a seguir com seus atributos específicos:



Laroye - Revolucionário e guerreiro.
Arayeyi - Porteiro de Olófin.
Ileloya - É o guardião das praças, seu habitat.
Laalu - O senhor dos quatro caminhos.
Marilaye - Possui quatro bocas e quatro olhos.
Ogunilebe - Anda nas estradas e provoca acidentes.
Laje - Vive num caramujo aje.
Obasinlaye - Acompanha Oduduwa.
Lode - Protetor do lado de fora da casa.
Wenke - Aquele que fala a verdade e a mentira.
Kakosa - Possui duas caras viradas em sentidos opostos.
Aloba - Vive no alto da montanha.
Oniburu - Acompanhante de Orixá Oko.
Egbasama - É maligno.
Alimu - Ajuda Oya no controle dos Eguns.
Os fios e contas de Exu em Cuba são inteiramente negros existindo variações de acordo com algumas "qualidades". Inúmeros itans de Ifá coletados em Cuba narram as aventuras de Exu, ao mesmo tempo em que ressaltam aspectos de seu caráter.

QUALIDADES DE EXU NO DJEJE


LEGBA




No ex-Dahome, entre os fon, Exu tem o nome de Légba e é representado por um monte de barro endurecido com a forma de um homem acocorado, sempre dotado de um falo de tamanho exagerado. Os légbas guardiães dos templos, manifestam-se através dos légbasi (filhos de legba), título equivalente ao Oluponan Yoruba. Os legbasis vestem-se com uma saia de ráfia tingida de roxo debaixo da qual trazem, oculto, um enorme falo de madeira que levantam, de vez em quando, de forma erótica. Entre os fon, existem diversos Legbas ou diferentes manifestações de um mesmo Vodun, que recebem os seguintes nomes e características:

Asi-Légba: O Legba dos mercados e feiras.
Agbonosu (Rei do portal): Representado por uma pequena escultura em barro colocado nas portas de entrada. É um Legba individual.
To-Légba: Protetor de uma cidade ou aldeia. É um Legba coletivo.
Zãgbeto-Légba: Protetor dos caçadores noturnos. Segundo se afirma, possui cornos.
Hun-Légba: Defensor dos templos. É Legba individual de cada Vodun.
Légba Agbãnukwe: O que fala no jogo de búzios. Corresponde a Èsú Akesan. É o protetor, servidor e executor de Ifá. É ele que recebe os sacrifícios determinados por Ifá e deve ser sempre servido em primeiro lugar. Não existe nenhuma diferença de atribuições de Agbonosu e Agbãnukwe. Se o primeiro protege a casa contra a possível entrada de malefícios, o segundo, que deve permanecer num quarto dentro de casa, protege contra a negatividade dos próprios habitantes da mesma.
Certos signos de Ifá tais como Ofun Meji, Ogbe-Fun, Oxetura e Ofun-Yeku, exigem que seja feito um assentamento muito especial, denominado Légba Jobiona, onde os dois Legbas citados são cultuados em conjunto com a função de proteger a casa e toda a sua periferia. Este Legba excepcional exige obís de tantos quantos o visitem. Segundo a tradição nagô, somente os grandes Babalaôs podem possuí-lo. Algumas informações indicam a existência de um Legba com quatro cabeças, denominado Légba Aóvi, surgido do Odu Jaga, nome dado aos Odus Oxe-Irete e Irete-Oxe, signos cujos nomes não devem ser pronunciados em decorrência da grande carga de negatividade de que são portadores.
Um outro nome usado para mencionar estes Odus é Gadeglido.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

QUALIDADES EXU ANGOLA




Cor: cinza e o azul escuro (ou ainda o roxo) e em algumas tribos, o branco transparente, simbolizando a água (o vermelho e preto é uma influência dos ritos Nagô, não são cores deste Inquisse nos cultos Angola/Kongo em sua origem. Lembrando que há seguimentos da Umbanda – nossa escola mesmo (!) - que se utilizam destas cores para identificar os espíritos-guardiões)

Pambu Njila, Mpambu Njila, Bambogira, Kongogiro, Ganga Pambuguera, Pangira, Ungira, Ungila

Alguns autores – dentre eles Nei Lopes - registram e dão a sua origem como do Kikongo e do Kimbundo com ligeiras variações em seus nomes (provavelmente fruto da mistura de diversas etnias que pronunciavam de modo diferente um nome comum à mesma divindade), na África, no Brasil e em Cuba, no Haiti e em outros países americanos, como a Colômbia e a costa dos EUA. Na verdade, “Mpambu” tanto em Kimbundo quanto em Kikongo significa cruzamento, encruzilhada (sendo que, em Kikongo, há a tradução de “Mpambu” como portão, ou local fechado), e “Njila” significa rua, caminho.

Por extensão, atribui-se em Angola esse nome aos homens andarilhos, os “homens da rua”. O nome “Pomba-Gira” já possui uma relação mais complexa e profunda com o “Pambu Njila” Bantu, acrescido de outras informações que vão de mitos europeus, persas e até indígenas, que, se der, um dia coloco aqui. Sem nenhuma variação mítica, em todos os povos Bantu, a encruzilhada é o umbigo do mundo, o início dos tempos primordiais onde tudo teve começo, o ponto de onde surgem as quatro retas que constroem a encruzilhada. Nzambi criou o mundo a partir desta cruz e colocou Mpambu Njila como o senhor absoluto desses caminhos, fazendo-o segurar os quatro gomos principais do Ngombo (jogo divinatório Bantu, equivalente em importância ao Opón dos Sudaneses – para que Kukiakalunga (Uma emanação de Nzambi. Kukiakalunga é o “Pensador Angolano”, equivalente ao Orunmilá Yorubá) pudesse vaticinar os destinos do mundo. Mpambu Njila é o guardião por excelência.

Aluvaiá
Aluvaiá em Quicongo fonetiza-se “Alu-Vuya”. Algumas nações, como os Tio e os Shona fonetizam Alu, ou Lalu. É uma divindade do Congo. Nas casas Angola/Congo, normalmente as cantigas referentes à Aluvaiá são entoadas em português. É o Inquisse da herança espiritual, da continuidade dos valores. É a divindade que faz os acordos com o inimigo, se fazendo passar por ele, sendo um senhor da infiltração. É quem fecha os acordos e os favorecimentos no terreno da magia.

Mavambo, Mavangu, Marambo, Marabu, Malagô, Navango, Igo Mavan, Marabô, Jiramavambo
O Senhor do Barro, o Conquistador! Nascido dos sonhos de Nkoce. Quando em suas andanças, Nkoce parava para dormir nascia um montículo de barro onde Nkoce colocava sua cabeça. Pela manhã, nesse monte, a cada dia nascia um Mavambo, para vigiar os caminhos dominados pelo vencedor dos Leões. Em várias regiões da África, os muçulmanos eram chamados de Marabu, em alusão ao fato de terem sido conquistadores em várias partes do continente. Há ainda, o termo Barabô, numa clara fusão do Jeje e do Cabinda nos terreiros do sul do país.

Sinzamuzila
O Inquisse que recebe o poder das bebidas que são colocadas na casa de fundamento e nas tronqueiras. Aquele que é sempre seco e que recebe a “Marafa” na cuia de cabaça no ritual propiciatório das escolas Congo/Angola, quando se envia o Sinzamuzilla para a porta. Do quikongo “Sanzala”, bêbado, trôpego.

Malungo
O Inquisse que acompanha as pessoas durante toda a vida. Aquele que envia seus “fantasmas de proteção” (Zumbikukulu) para acobertar quem entra e sai do terreiro, quem nos protege da morte; Aquele que livra do sofrimento. Entre os Lundakioko, “Ma-lunga” homem, amigo etc. Do Kikongo “Lungo” (Ma-lungo, plural), morte, dificuldade.

Jujuku
Aquele que faz magia de morte. Ainda que a palavra “Jujuku” seja uma palavra provavelmente Yorubá (“Juju” = magia com objetos; + “Iku” = morte) que deve ter sido aprendida pelos descendentes Bakongo, este Inquisse é utilizado para feitiços e para tormentos onde são usadas coisas pessoais daquele que se pretende agredir magisticamente.

Kijanjá, Kujanjo
Inquisse da matança e da Lua. É aquele que recebe as oferendas de todos os outros Inquisse e faz a transmissão do poder das oferendas a todos do terreiro. Por isso as matanças são feitas com os animais em ciclos que obedecem às fases lunares. Do Proto-Bantu “Kijan”, Lua, usado ainda hoje pelos jongueiros do Brasil como “Quijama”.

Mavilutango
O Inquisse da dança e do movimento, dizem as lendas que ele é que dá ao ser humano, através da dança, a capacidade de se relacionar com o mundo, com os vivos e os mortos. Por isso é ele quem se encarrega de levar o “Padê”. A palavra “Tango” vem do quibundo “Tangu”, significando pernada. A dança argentina de mesmo nome provém dessa mesma raiz Bantu, cujas origens foram praticamente esquecidas por lá.

Burungangi
Inquisse dos Bakongos, conhecido como “Mbulu” ou “Mbulunganga”. Há uma expressão em Bakongo que significa “Grande força” (Mbulu-nguzu, embora esta palavra se relacione mais com o Inquisse Burugunzo). É aquele que acompanha Biolê e é assentado nos trilhos e nas ferrovias. Nesse caso, este Jila descreve-se como “Mbulu-Nganga”, “Poder do Ferro”. A palavra “Nganga” aponta para termos Bantu relacionados a “derreter”, tais como o quicongo “Kanga” ou o Quioco “Nganga” (metal fundido), e finalmente ao Bantu genérico “Ngangula” (ferreiro). Associa-se ainda, ao Bantu multilingüistico “Nganga”, significando feiticeiro.

Bionatan
Inquisse patrono da alegria. Recebe doces e flores. Algumas traduções do Quimbundo indicam essa palavra como “risada”, bem ao estilo dos Njila. Mas há ainda, traduções do Quicongo: “Mbyantunda”; “Ntunda” – Monte, colina; “Mbya” – coquinho de palmeira, talvez uma aproximação deste Inquisse com o Exu yorubano nas questões dos métodos divinatórios.

Sigatana, Singangara, Siganga, Gangaiô

“Singa” – nome que se dá à vara do canoeiro. No quicongo “Sinda”, se traduz como ir ao fundo d’água; no umbundo “Sinda” refere-se ao ato de empurrar associado ao multi-Bantu “Nganga” – feiticeiro, traduz-se aproximadamente como o feiticeiro que habita o fundo das águas. De fato esse Njila associa-se a Zumbarandá e Kissimbi nos assentamentos destes outros MiInquisse. É invocado simbolizada pelo egan (gorrinho em forma de cone), e pela pena vermelha do papagaio.

Tibiriri, Tonã
Encontra-se menção a este Inquisse nos rituais Angola, embora seja óbvia a sua relação com o Tiriri dos Yorubá: “Ti” – Grande Força; “Riri” – Valor, traduz-se como “Valoroso”. Igualmente Tonã parece relacionar-se com o Lonã (Caminho) Yorubá. Resta descobrir se houve uma aculturação do Nagô sobre os rituais Congo/Angola, ou se na própria África essa divindade se espalhou por várias regiões. Há ainda a o termo Tupi Tiriri (nome de uma ilha), originado de su-y-ry-ry, que significa "pássaro que faz barulho”. Interessante é que em alguns totens deste Inquisse há um pássaro esculpido e ainda, na Umbanda, Tiriri é o guardião de Yori/Ibeji/Oxum (yabá dona de um pássaro), cujo sinal cabalístico de pemba representa hieraticamente, um pássaro. E, finalmente, encontramos na Cabala hebraica o termo “Tirirel” como o demônio guardião de mercúrio (planeta de Yori). Vai saber...

Ngambe, Ingambeiro, Engambeiro
O termo engambeiro ou engambelo é comumente usado pelo Povo-de-Santo como verbo, na flexão engambelar, o que aproxima este Inquisse da representação de Trickster do Exu yorubano. No Umbundo diz-se “Uyambelo” como o presente que se dá ao curandeiro, o que originou, possivelmente a palavra engambelar - de uso nos terreiros quando se dá uma oferenda de paliativo ao “santo” até que se possa dar outra melhor. O povo Ganguela diz “ndambelo” como aquela porção que se dá a mais do que se promete como “agrado” em troca de um favor. Os Soto dizem “Kabelo” com o sentido de contribuição. Ngambe é o nome de um Inquisse onde em sua barriga colocam-se moedas, notas (na antiga África usava-se búzios, marfim e cobre) e outros objetos de valor.

Etajelungi
Mais um Njila que nos parece uma somatória brasileira do fundamento das qualidades de Exu com o de algum Inquisse Congo. “Etá” em quicongo traduz-se como pênis ou como qualquer objeto que lembre o falo. É acrescido, talvez da palavra yorubana “Ijélu” – “I” – (Aquele que); “jê” (é); “Elú” (Índigo, a planta que produz a tinta chamada “Arô” para fazer o “Wáji”, que representa o preto nas pinturas rituais. Entre os Bakongo a representação do falo de alguns Njila é pintada com a cor azul, assim como dissemos na abertura, sobre os Pambu Njila e a influência ritual Yorubá.

Korobo
O Pambu da folha, espécie de “Aroni” angolano, portador da enxada, foi quem ensinou os homens a plantar. É o guardião da “Kisaba Kiasambuka” do Inquisse Katendê. Em quicongo encontramos a palavra “Kulumba”, como “homem rude do mato”, que vaga pelas estradas e “Kuluba” como “enxada velha”.

Niquerô
Inquisse que recebe as oferendas dos Minquisse caçadores. O guardião da fartura e da distribuição de força vital para o terreiro. Em quicongo, “Ndiiki”, aquele que alimenta.

Dundo Salunga, Dundo Calunga
Inquisse do mistério, Pambu do silêncio, o grande peixe que leva as pessoas para o infinito. Sua representação é a de um peixe de madeira onde se colocam mensagens e objetos para os que se foram. Dundo em quicongo é “Ndundu” e refere-se ao peixe Seese. Calunga vem do termo multilingüístico Bantu “Kalunga” que traduz a idéia de grandeza, eternidade, vastidão. Pode ser tanto identificado com o céu e o espaço infinito como com o mar. Kukiakalunga é o Inquisse pensador dos Angolanos (do verbo “Oku-Lunga” – ser esperto), o patrono do jogo Ngombo. No Brasil o termo se ligou ao cemitério e à morte, pois muitos escravos morriam no mar antes de aqui chegarem, embora a idéia de eternidade ainda assim, tenha relação com o local onde habitam os mortos

Naban, Nabondo
Inquisse guardião das árvores. Representado por um pássaro (!). Conforme o quikongo “Na-mbondo”, uma árvore, o embondeiro. Divide seus poderes com Nkondi – Inquisse da família de Nkoce - esta árvore é cultuada principalmente para o feitiço. O embondeiro tem forma de garrafão, e é chamado de “Nkondo Ikuta Mvumbi” (Embondeiro do morto gordo), por que a pessoa contra quem se faça o feitiço, contra quem se prega o prego, morrerá gordo, inchado como o embondeiro. Conforme o prego usado, o efeito, segundo o povo de Cabinda, será mais ou menos imediato, se for de ferro, de cobre ou de alumínio.

Ingué, Izangué, Yanga
Entre os Tchokwe encontramos a divindade Yanga, fonetizada como Yangue em outras tribos do norte de Angola. A lembrança da relação do nome com o Exu Yangi dos Yorubanos é inevitável. No Brasil e em Angola Ingué e Yanga compactuam do fato de não beberem cachaça nem dendê. Veste-se de branco. Na África, como no Brasil, quando está possuindo alguém, não come nada vermelho.

Malusibango

Encontra-se referências rituais de um Inquisse da fortuna em Angola, chamado “Luo-Mbangu”. E encontramos a palavra “Mbangu” em quicongo significando “benesses” ou “ganho”.

Apavenã
É o senhor das oferendas, o portador e o mensageiro. É sempre o primeiro a ser invocado. É o dono do dendê, por isso o carrega na peneira, segundo dizem...

Imbeberiquiti, Imbeperequeté
Inquisse guardião das portas das casas. Seu nome refere-se a alguém sentado, ou baixinho, provavelmente em alusão a postura que assumem as pessoas que o incorporam na África. Do Umbundo “Velekete”, pessoa de estatura baixa, ou alguém de cócoras/sentado.

Manawelé, Mawe, Mavilê
Maville é um dos nomes associados a todos os Njila. Mavile vem do Umbundo “Omavele” ou do Quicongo “Mavele”, plurais de “Avele” que significa leite, provavelmente alusão ao poder de ligação destas divindades guardiãs com o poder criador do esperma.

Kunkurunguanje

Inquisse da palavra e da invocação, das poesias e dos Jamberessu. O que fala pelas outras divindades. Do quicongo “Nkunga”, canto, poema, palavra, associado ao Umbundo “Ulungundju”, ronco ou urro. Traduz-se como “aquele de voz rouca”, característica bem típica da manifestação destas divindades.

Kamungo, Camunga
Inquisse que se esconde, que mora embaixo da terra. Seus fetiches são enterrados e as oferendas colocadas por cima, o que o relaciona aos mortos e aos ancestrais. Em linguagem cifrada os jongueiros chamam “Kamungo” de tambor, em alusão ao orifício do instrumento, onde algo pode se esconder. Há o Nhungue “Kabungu”, o Iaca “Nungo”, o Umbundo “Ochimunga” e Quibundo “Kibunga”, todos significando objetos como chapéus, panelas, baldes, etc, utensílios que identificam algo que cobre. Há ainda a concepção totêmica do rato, animal relacionado, na África aos Njila, assim como o marimbondo e outros, pequenos animais com grande poder de penetração nos lugares. A linguagem cifrada dos velhos feiticeiros velou o significado sagrado deste Inquisse, assim, no Umbundo encontramos a forma diminutiva “Oka-mpuku”, ou “Okamundongo”, rato, camundongo, e ainda, “Mundongo”, como escravo, identificando a função exterior de divindades guardiãs africanas como Exu, Bara e Pambu-Njila.

Jembelu
Classe de Njilas que recebe a menga do sacrifício: são os Yembêle. Do quicongo “Mbe”, som onomatopaico de pancada, associado à raiz “Ele”, líquido, leite, ou algo que escorre, no caso, a menga.

Embarujo
O Inquisse guardião da cura, é quem acompanha Kavungu. Do Umbundo “Uemba”, significando feitiço, veneno e remédio.

Kariapemba
Talvez por influência católica já em terras africanas, ou talvez mesmo em Portugal, essa divindade – assim como outras, tais como Nkoce, conforme veremos – é tida como extremamente maléfica entre os angolanos, havendo a necessidade de benzer-se o ambiente onde se acredite que ele esteja. Seu nome, em Quicongo “Nkadi-a-pemba” e em Quibundo “Kádia-Pemba” não assimila outra tradução que não “demônio”.

Manakó, Manacuco, Mancuco, Mancuce
Invocado no pade, é quem providencia a comida e a bebida de todos. Benéfico, não gosta de bebida alcoólica, gosta de branco. É quem dá a fortuna. Há a relação oculta da fortuna e da bem aventurança com o fato de seu nome bantu ser, no Quicongo, “Nkusi”, no plural “Bakusi”, traduzindo “o pescador”. Há ainda “Munkusi” – “Vento que vem do estômago (flatulência)”, traduzindo o estado de saciedade quando se está farto de comida.

Toroni Batola, Bute
Do Ronga “Mbuti”, bode, animal geralmente usado em sacrifício a estes Njila.

Quitungueiro
Inquisse ou espírito da morte, que se apresenta de todas as formas possíveis, pois não é possível desvencilhar-se dela. Do Quicongo “Kintungu”, tudo que aparece por inteiro, que se desenvolve e que se mostra de várias formas. Associa-se o conceito ao Quibundo “Kitungu”, casebre, mausoléu, ou seja, o lugar onde habitam os que se transformaram: cemitério.

Caracoci
Do Quicongo “Ekala” homem (quando se refere a alguém que não se conhece), associado ao Quibundo “Kutxi, Kuxi”, orelha, de onde vem o português “cochichar”. “Homem que murmura, fala baixo”. Muitas das manifestações mediúnicas e possessões africanas e no Brasil, estes espíritos se comunicam dessa forma.

Fonte: http://acervoayom.blogspot.com/search/label/Bantu%20-%20Angola%20Congo%20Cabinda%20etc