sábado, 15 de maio de 2010

ELEMENTOS SAGRADOS - A ÁRVORE SÍMBOLO DA CONECTIVIDADE ENTRE O ORUN E AIYE



BAOBÁ



A árvore é um dos símbolos fundamentais das culturas arcaicas. Os velhos baobás africanos de troncos enormes suscitam a impressão de serem testemunhas dos tempos imemoriais. Os mitos e o pensamento mágico-religioso yorubá têm na simbologia da árvore um de seus temas recorrentes. Na sua cosmogonia, a árvore surge como o princípio da conexão entre o mundo sobrenatural e o mundo material. As árvores “(…) estão associadas a ìgbá ì wà ñû – o tempo quando a existência sobreveio – e numerosos mitos começam pela fórmula ‘numa época em que o homem adorava árvores’…”.
Uma das versões do mito cosmogônico relata que foi através do Òpó-orun-oún-àiyé – o pilar que une o mundo transcendente ao imanente – que os deuses primordiais chegaram ao local aonde deveriam proceder o início do processo de criação do espaço material. Este pilar – muitas vezes simbolizado pela árvore ou por seu tronco – é uma figura de origem, é um signo do fundamento, do princípio de todas as coisas, elemento de conexão entre a multiplicidade dos “mundos”. Mircea Eliade vai chamá-la de “Árvore do Mundo”, “Axis Mundi”, “Árvore Cósmica”, cuja função é a de elidir as diversas regiões do cosmo. Para boa parte das tradições místicas e religiosas, os “mundos” dividem-se nos espaços inferiores ou infernais, intermediários ou terrestres e superiores ou celestes. A concepção católica cristã ainda compreende a existência de outros “territórios” como o purgatório ou o limbo.
A tradição yorubá fala na existência de nove espaços – orun mýsûûsán -, estando quatro deles localizados sob a superfície da Terra – îrun isalû mýrûûrin. Uma das divindades de origem yorubá de culto amplamente disseminado no Brasil – Oya Ìgbàlû, mais conhecida como Yásan, cujo nome deriva da contração da expressão ì yá-mesan-orun, a mãe dos nove orun – possui forte relação com a origem do orun e com a árvore que liga os “mundos”. Esta deusa num de seus epítetos é chamada de Alákòko, a senhora do òpákòko, demonstrando a sua relação com a árvore-mundo yorubá.
Um dos mitos da criação conta que para cada ser humano modelado (a matéria primordial era o barro) por Orisala criava-se simultaneamente uma árvore. Òrì ñàlá é o grande pai da criação yorubá. Como divindade primordial, está ligada a cor branca, e por isso é conhecido como um òrì ñà-funfun (literalmente òrì ñà do branco). É interessante notar que em Cuba há um costume de solicitar aos turistas estrangeiros que plantem uma árvore antes de retornarem aos seus locais de origem, como forma de permanecerem simbolicamente no país.
Um outro mito relata a origem das árvores sagradas, especialmente o Iròkò. O Iròkò é uma das espécies vegetais mais imponentes da terra yorubá. O ì tan coloca uma interessante questão ontológica, propondo igualmente a possibilidade de se pensar numa ontologia do sagrado na perspectiva das expressões religiosas arcaicas. O mito, ao afirmar que “na mais velha das árvores de Iroco, morava seu espírito”, coloca uma nítida distinção entre ser e ente. Entre uma essência transcendente do sagrado e a sua presença material no mundo, na mesma medida em que na mais antiga das árvores mora o espírito. Porém, em toda a descendência desta velha árvore habita o princípio dela mesma: não só geneticamente, mas principalmente a sua sacralidade.
“No começo dos tempos, a primeira árvore plantada foi Iroco. Iroco foi a primeira de todas as árvores, mais antiga que o mogno, o pé de obi e o algodoeiro. Na mais velha das árvores de Iroco, morava seu espírito. E o espírito de Iroco era capaz de muitas mágicas e magias. Iroco assombrava todo mundo, assim se divertia. À noite saía com uma tocha na mão, assustando os caçadores. Quando não tinha o que fazer, brincava com as pedras que guardava nos ocos de seu tronco. Fazia muitas mágicas, para o bem e para o mal. Todos temiam Iroco e seus poderes e quem o olhasse de frente enlouquecia até a morte.(…)”.
No Candomblé encontramos uma importante manifestação da fitolatria. Em vários terreiros da Bahia encontramos grandes e imponentes árvores Iròkò plantadas no espaço sagrado. Deve-se observar que a árvore em si não é o deus. Para tornar-se sagrada, é preciso cumprir os rituais para que o deus encarne na planta. Após as oferendas e sacrifícios, a árvore deixa de ser um simples vegetal e passa a ser a morada-templo do deus Iròkò. Como um local santo, passa a ser ornamentado como tal: com grandes laços de panos brancos amarrados em seus galhos. Junto a suas gigantescas raízes expostas, são colocadas oferendas: alimentos, recipientes com água, sacrifícios votivos são realizados; enfim, tudo o que é consagrado ao deus.
Roger Bastide em duas obras distintas – Imagens do Nordeste Místico em Branco e Preto e em Candomblé da Bahia – faz uma importante alusão ao interdito de tocar em uma árvore Iròkò consagrada. Um dos mitos relatam uma terrível punição sofrida por uma mulher que teria tocado o Iròkò sem ter cumprido o período de abstinência sexual antes de fazer as oferendas ao deus (foi engolida pelo tronco da árvore). Igualmente, mutilar os galhos da árvore a faria sangrar. Ouvi um conhecido pai-de-santo lamentar-se de que após ter cortado o Iròkò existente no quintal de seu terreiro e que ameaçava uma das casas, a morte de sua mãe carnal foi imediata. O sacerdote nitidamente estabelecia uma correlação entre a infração cometida e a morte como punição para o ato.
“Alguns terreiros possuem igualmente uma árvore sagrada que é vestida, enfeitada de fitas, coberta de tecidos, rodeada por um círculo mágico – a gameleira que os ‘nagôs’ chamam de Iroko e os ‘gêges’ de Loko; se se cortasse um ramo dessa árvore brotaria sangue, pois nesse caso a árvore é um deus”.
“A fitolatria fetichista entre os afro-brasileiros está representada em primeira linha, no culto à gameleira (ficus religiosa?), que os nagôs chamam Iroco e os gêges, Lôco. Nos bosques e nas matas, nos caminhos do Garcia, do Retiro, do Rio Vermelho, etc., na Bahia, a gameleira Irôco é preparada como fetiche, a quem tributam as homenagens do culto. Irôco, preparada, não pode ser tocada por ninguém. Torna-se sagrada, tabú. Se a cortarem, correrá sangue em lugar de seiva e será fulminado aquele que o fizer”.
Sem dúvida alguma, Roger Bastide foi um dos mais perspicazes observadores dos menores detalhes da tradição dos orixás. Foi talvez o autor que percebeu de forma mais clara a idéia da árvore como símbolo da conectividade entre os mundos imanente e transcendente, segundo a tradição religiosa afro-brasileira. Numa de suas obras fundamentais relata: “Encontrei até num terreiro o mito simbólico de uma árvore cujas raízes atravessariam o oceano para unir os dois mundos; seria ao longo de tais raízes que viriam os Orixá ao serem chamados”. Esta idéia é um pouco mais desenvolvida por Raul Lody, numa extensão simbólica do Iròkò aos princípios de conexão, sustentáculo da tradição, origem e fundamento, suporte “tecno-sacro”, via de comunicação e transporte dos deuses:
“A árvore simbolizada, o tronco ereto e viril – membro fecundante da terra e do céu, elo, cordão umbilical entre o orum e o aiê, na concepção restrita yorubá -, marca espaços públicos dos Candomblés mais antigos e tradicionais. Alguns espaços privados são também sinalizados com o mastro, poste, tronco rememorizador da árvore geral e fundadora da vida. É o elo entre o céu e a terra (…) por onde vêm os orixás, voduns e inquices aos terreiros”).
Ainda como símbolo e “suporte tecnológico sobrenatural”, a árvore é indicada por Bastide como território transitório entre a vida e a morte, entre a morte e a renovação da vida: “(…) as almas das filhas-de-santo mortas vêm habitar em seus ramos de onde talvez se desprendam para entrar no ventre de uma mulher que passa e continuar, assim, o ciclo das reencarnações, como sucede na África”. Esta nota já havia sido melhor explicada por Arthur Ramos em 1934 – época do primeiro Congresso Afro-Brasileiro -, a partir das observações feitas no Terreiro da Pedra Preta. Esta casa de Candomblé nada mais era do que o terreiro do legendário Joãozinho da Goméia (pai-de-santo radicado no Rio de Janeiro após 1946, famoso por suas relações pessoais com Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek), nesta época mais conhecido pelo nome de uma das suas entidades – o Caboclo Pedra Preta. No breve comentário de Roger Bastide ainda se coloca uma questão pouco discutida no Candomblé – a idéia de reencarnação -, cuja natureza é bastante singular e em nada se relaciona com a idéia de evolução do espiritismo de Allan Kardec, tão difundido no Brasil.
“No terreiro Pedra Preta pode ser visto, um tanto afastada, uma árvore escavada pela velhice, e que forma uma espécie de nicho. É lá que as almas das filhas de santo que morreram vão se refugiar no lapso de tempo que separa seu último momento de incorporação ao corpo e seu abandono definitivo da terra. Garrafas de óleo, aguardente, cachaça, água, vasilhas e pratos muitas vezes partidos, por analogia com a morte destruidora, ossos dispersos, provam o culto dos fiéis. Ninguém pode se aproximar dessa árvore mortuária, sem cortar as folhas consagradas de um matagal vizinho, e atirá-las em oferenda àquelas que, no terreno ao lado, dançavam antigamente sob os ditames divinos”.
Esta relação da árvore sagrada como vínculo e conexão entre os territórios da vida e da morte reportam ao princípio feminino. De alguma forma, esta relação já havia sido sinalizada ao falar em Oya Ìgbàlû, divindade que comanda o mundo dos mortos. Oya é uma deusa que tem o poder de dominar os espíritos dos ancestrais – Baba Égun. O também supracitado òpákòko é consagrado como um dos locais de culto dos ancestrais.
As grandes deusas cultuadas no Candomblé guardam uma forte relação com entidades sobrenaturais chamadas Ìyá-mi-Oxoronga. As Ìyá-mi-Oxorongá são senhoras de imenso poder – são as grandes mães ancestrais, detentoras das forças terríveis e destruidoras das mulheres. São também denominadas ëlëyë: as senhoras dos pássaros, símbolo de seu poder. Os mitos revelam que estas divindades chegaram ao mundo nos tempos da criação. Numa das belas narrativas coletadas por Pierre Verger com os bàbáláwo da Nigéria, demonstra-se a relação de Ìyá-mi-Òñòrîngà com as árvores, às quais chamam os velhos sacerdotes africanos das artes divinatórias de pilares da terra.
Determinadas árvores sagradas são identificadas no mito como os “Pilares da Terra”, portanto “Axis Mundi”, conforme indica em outra perspectiva Mircea Eliade:
“Instalação e a consagração do tronco sacrificial constituem um rito do Centro. Identificado à Árvore do Mundo, o tronco torna-se, por sua vez, o eixo que une as três regiões cósmicas. A comunicação entre o Céu e a Terra torna-se possível por intermédio desse sustentáculo”(14). Estas árvores “pilares da terra” cumprem na narrativa a função de conectar estas forças do mundo sobrenatural ao mundo imanente. Com as raízes na terra, no obscuro do subsolo gerador da vida, e com a copa nos altiplanos sagrados, se possibilita o poder destas entidades extra-mundo no àiyé.
Destarte, enquanto conexão entre o espaço da existência humana e território do sagrado, habitat dos deuses, as árvores cumprem na concepção de mundo yorubá e do Candomblé um papel fundamental no processo de manutenção da vida e do equilíbrio da coletividade. É fonte viabilizadora do intercâmbio e da comunicação em múltiplas dimensões, entre os îrun, dentre os quais a Terra – àiyé – é um deles. Esta função não se insere num caráter ecológico construído ideologicamente, mas numa perspectiva de que a árvore sagrada é um deus vivo e presente, sinalizando que o primado do sentido de ser faz da pre-sença algo pertinente também ao vegetal enquanto ente sagrado, cujas origens remontam ao ser – árvore primeira -, fundamento de toda a sua geração sacralizada no rito.
Esta mesma sacralidade está presente nos aspectos sincréticos das manifestações religiosas afro-brasileiras. A partir da interpretação de Mircea Eliade acerca do simbolismo da Cruz, é possível pensar no significado recorrente da devoção ao Senhor do Bonfim em Salvador (Bahia), associado à Oxalá. oxalá é um dos orixá-funfun (portanto divindade do branco), deus primordial, criador, chegado ao mundo imanente através da árvore – òpó Îrun oun àiyé -, pilar de sustentação dos dois planos da existência. A Cruz também é símbolo de conexão entre os homens e o Altíssimo. Òñàlá também é ligado à morte – o criador também é chamado Bàbá Ikú, o pai da morte. O branco é a cor do luto para os yorubás. O Senhor do Bonfim está morto, crucificado; porém é a promessa da vida em outro plano da existência. Num terreiro que visitei em Salvador, ao ser conduzido ao local de culto aos mortos da comunidade, encontrei uma cruz plantada ao solo na entrada do templo. Mais uma vez o símbolo, conexão entre dois mundos distintos; contudo, em permanente comunicação.
“Ainda mais ousada é a assimilação pela imaginária, pela liturgia e pela teologia cristãs do simbolismo da Árvore do Mundo. Também neste caso estamos às voltas com um símbolo arcaico e universalmente difundido. (…) a imagem da Cruz como Árvore do bem e do mal, e Árvore Cósmica, tem origem nas tradições bíblicas. É, porém, pela Cruz (= o Centro) que se opera a comunicação com o céu e que, ao mesmo tempo, é ‘salvo’ o universo em sua totalidade. Ora, a noção de salvação nada mais faz do que retomar e completar as noções de renovação perpétua e de regeneração cósmica, de fecundidade universal e de sacralidade, de realidade absoluta e, finalmente, de imortalidade, todas noções coexistentes no simbolismo da Árvore do Mundo”.

Texto da Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXIV Congresso de Comunicação - Campo Grande/MS - 2001

Este baobá localizado na província de Limpopo no norte de África do Sul e é famoso internacionalmente por ser o maior de sua espécie no mundo.

Foto: kimbolagoa.blogs.sapo.pt/2009/06/














Baobá no Passeio Público em Fortaleza

quinta-feira, 13 de maio de 2010

MITO DA CRIAÇÃO SEGUNDO IFA

CRIAÇÃO DO MUNDO SEGUNDO IFA



Rafael Zamora DíazOni Shango, Oba Koin.
Awo de Orumilá, Ogunda Kete.
http://www.ifanobrasil.com/criacao.htm



No princípio do mundo, só existia OLOFIN e o nada. Somente ele e sua altíssima vibração. Não existia nem tempo nem espaço. Então, ele decidiu pôr em marcha o tempo, originando inúmeras vibrações, suaves, para tecer o Universo. OLOFIN soprou mais forte e, a partir das partículas de seu hálito, se formaram as estrelas e os planetas. OLOFIN emitiu finos assobios dos quais surgiram as diferentes divindades. Ele determinou que as coisas estivessem separadas umas das outras: adiante, atrás, em cima e embaixo, originando o espaço. OLOFIN fez com que tudo tivesse um passado, um presente e um futuro.
Como OLOFIN se sentiu só, criou, de si mesmo, diversas entidades para distribuí-las no espaço. A partir de diferentes vibrações, surgiram diferentes divindades, cada uma com sua própria característica. OLOFIN criou primeiro OLODUMARÉ, para que este dominasse os espaços, e OLORUN para que fornecesse a energia. Em seguida, OLOFIN criou ODUDUWA, OBATALÁ e IFÁ, que seriam os benfeitores da futura humanidade, e deu, a cada um, uma tarefa a ser cumprida. Finalmente, com seu olhar, criou pequenas vibrações individualizadas e manteve a emanação vital permanente.
Tantas foram as criações e realizações, que nos escapam ao conhecimento, mas estão registradas em sua potente memória. Ele deixou estabelecidas as leis dos movimentos, deu cores às vibrações por sua ordem, originando a luz. Estabeleceu o equilíbrio entre as coisas, a comparação e a separação entre elas. Fez com que a lua competisse com o sol pelo domínio das influências no planeta. Depois de ter criado tudo, OLOFIN voltou ao repouso, para usufruir da contemplação da aventura universal.
IFÁ nasceu de OLOFIN para benefício da raça humana. Fez o inventário de tudo que havia sido criado para organizar na escala de valores. Nesta escala, IFÁ colocou OLOFIN no degrau vigésimo primeiro e OLODUMARÉ e OLORUN no degrau décimo sétimo. Ele próprio ficou, junto com OBATALÁ e ODUDUWA, no degrau décimo sexto, porém ODUDUWA ficou a frente, governando a trilogia.
Continuando com a ordenação, IFÄ colocou as divindades maiores no degrau décimo segundo e as menores no oitavo. Também, determinou que os espíritos dos homens divinizados estariam no degrau sétimo e os homens físicos no quinto degrau. Os animais e as plantas ficaram no quarto e, por último, os seres inanimados no terceiro degrau da escala de valores.
IFÁ estabeleceu, no intervalo entre um degrau e outro, sete níveis de diferenciação. Posicionou, então, exatamente no meio deste espaço, o homem comum com suas virtudes e defeitos. Acima, pôs o homem sábio, aquele que aplica sua inteligência em alguma atividade na qual se sobressai dos demais. Um pouco mais acima, colocou a dimensão do homem santo, que aperfeiçoou seu espírito e colecionou virtudes. Acima de tudo, ficou o santo sábio, que resume os melhores atributos que pode possuir um homem. Do homem comum para baixo, IFÁ posicionou o ignorante teimoso, que debocha do que desconhece; um pouco mais abaixo o homem malvado, que possui as piores qualidades e sentimentos da espécie humana e, por fim, o malvado sábio, que, querendo ou não, fez pacto com as entidades malévolas, aplicando sua sabedoria na destruição.
IFÁ instituiu que o comportamento do homem lhe permite ascender ou cair do lugar em que se encontra na escala, pois do meio para cima cresce a influência das entidades nobres e, para baixo, o contrário. Se a pessoa é iniciada e tem bom senso, analisa todas as virtudes e defeitos que existem e os localiza na escala de IFÁ.
O melhor representante de IFÁ na terra é ORUMILA pois ele se nutriu do espírito de IFÁ. Por inspiração divina, construiu o primeiro opelê, a partir do casco de uma tartaruga, e conheceu os ingredientes necessários e adequados e o modo de torná-los sagrados para que o ajudassem no trabalho.
IFÁ herdou de SHANGÔ o tabuleiro talhado na madeira da árvore sagrada. Aprendeu com OSSAIM o segredo das plantas. Recebeu de OGUM as armas do sacrifício. Teve em ELEWARA seu melhor mensageiro e amigo. Conheceu as qualidades das pedras do rio, da mata e do cerrado. Adorou as mulheres porque estas o cuidavam.
ORUMILÁ conheceu, através de IFÁ, os segredos da criação. Ele joga seu opelê para escrever, segundo o signo, o segredo que se revela, elaborando, assim, o livro sagrado. Por isso, diz ORUMILÁ, que tudo se pergunta a IFÁ, pois ele sempre tem uma resposta para cada pergunta.
Há muitos milênios, os homens esqueceram as verdades transcendentais, sem saber que elas ficaram escritas, por fragmentos, no livro sagrado de IFÁ e que ninguém possui esta obra completa, lamentavelmente perdida no tempo. Os iniciados de diferentes lugares têm partes desta grande obra do mestre ORUMILÁ, que chegou aos nossos dias por tradição oral e que devem ser explicadas nos vários signos do oráculo, ainda desconhecidos.
Quando OLOFIN criou, de si mesmo, o grupo de divindades, surgiram, numa última emanação, várias vibrações individualizadas. Tinham a mesma essência do ser que as criou e todas, como ele, conheciam os segredos do Universo. Todas partiram do não-tempo e do não-espaço; o tempo e o espaço não afetavam sua natureza, eram imortais desde o princípio. Afinal, quem pode impor limites ao ilimitado? Quem questiona do grande construtor a sua obra? Isto é assim tanto para as pequenas individualidades quanto para as grandes entidades, todas criadas no Universo com propósitos bem definidos.
Temos, então, o olhar de seres espirituais que interagem com os planos mais densos da criação, que são protagonistas de fatos transcendentes e que vivem sua experiência material na terra. Tudo isso ficou registrado no livro sagrado de IFÁ para que sempre, no futuro, se tivesse conhecimento do passado.
Isto dá um idéia, por exemplo, da grande diferença que existe entre o ser humano e a besta. Essa recebe como herança os instintos e traz ,em sua memória, fragmentos da vida de seus antepassados; possui instintos apurados para enfrentar a natureza, sendo a agilidade ou a força seus atributos principais e com a morte encerra o seu eu individual. Já no ser humano os instintos são mais débeis; esquece suas vidas passadas, a inteligência é o seu principal dote e, ao morrer, sua mente se soma ao infinito, onde o espírito recobra o conhecimento universal.
No princípio, os espíritos se expandiram pelo espaço, vagando sem um destino determinado; não tinham uma tarefa imediata para cumprir no programa cósmico. Foi OLODUMARÉ quem traçou um plano para que se reagrupassem perto da terra, sem ultrapassar a Lua, ficando nessa região do espaço. Foram, desta forma, testemunhas do trabalho dos construtores celestes, quando desceram as divindades maiores, em grupos de sete, cada grupo acompanhado de um séquito de entidades menores, distribuídas pelo planeta.
Os espíritos observaram as evoluções da esfera terrestre, onde se originou a natureza primitiva. Tudo isso ORUMILÁ, inspirado em IFÁ, deixou registrado nos diferentes signos do livro sagrado, para honra do grande benfeitor e de seu pai OLOFIN. Assim, por um tempo indefinido, vagaram estes espíritos sobre a terra, perguntando-se o que os mantinha ali, pois não possuíam os atributos necessários para efetuar qualquer mudança, nem a energia de suas vibrações afetava o que se denominava matéria. Isto porque a escala de IFÁ, também, determinou limites do poder, o que era nítido para toda a criação.
Ainda nos dias de hoje, os espíritos dos mortos vão para LIFÉ OORE, mundo dos mortos, onde recuperam seu conhecimento universal enriquecido com a experiência vivida. Quem visita, por um instante, esse lugar e retorna, em seguida, à vida terrestre, em geral, não encontra palavras para traduzir a grandeza do infinito.
De Lifé Oore descem os espíritos de luz a cumprir diversas missões na terra, e não devem ser confundidos com aqueles outros, escravos das entidades malévolas.
Olofin criou o universo no espaço e no tempo, e junto com ele as luzes que mantêm o equilíbrio, estabelecendo dois extremos: para a direita, se encontram as forças nobres, as que lutam pela harmonia; no lado oposto, estão as forças contrárias. Permitiu que as forças do bem inclinassem ligeiramente a seu favor a balança, sempre com o perigo de perder a vantagem, já que o mal rodeia o bem.
Ifá transmite ao homem sua sabedoria e lhe diz que, do degrau décimo segundo para baixo, todas as divindades e seres da criação podem ser influenciados por uma ou outra força, já que os mais nobres ou generosos têm suas poções e vinganças, e os muito malvados podem abrir o caminho da prosperidade.
Tudo depende do conhecimento que se tenha dos distintos caminhos e do livre arbítrio no cumprimento dos conselhos de Ifá.
Nunca devemos esquecer as recomendações que Orumilá costuma dar, para que as más influências não afetem nosso espírito com a desgraça. Porque ainda que tentemos nos esconder numa roupagem de santidade os maus pensamentos, o que ganhamos ou perdemos nos dá a realidade dos méritos adquiridos. Ainda que as entidades possam ajudar a prosperar, é importante tomar muito cuidado para que sua influência não absorva a pessoa por completo.
Por isto dizemos que, para resolver problemas nobres, trate Exu com respeito. Não faça pacto com as forças do mal para não cair em suas redes. Não imite os defeitos das entidades superiores, eles sofrem as calamidades da vida material, foram criados com propósitos diferentes e gozam da felicidade de seus planos celestiais. Se deixar crescer em você a maldade, corre o risco de, ao morrer, ter seu espírito afastado do conhecimento universal, convertendo-se em mais um instrumento das entidades malévolas.
Para criar a natureza mineral primitiva, desceram ao planeta, em grupos de sete, as divindades maiores misturadas com as entidades menores. Foram sete as vibrações fundamentais. Desceu Olokun para dar forma aos picos e aos oceanos, e Orishaoko para levantar as terras do fundo dos mares. Xangô criou a atmosfera e as nuvens com suas cargas elétricas. Ogum elaborou os minerais e esculpiu as montanhas. Yemanjá recortou as costas, atuando no equilíbrio terra-mar. Oxum deu lugar aos rios, aos mananciais e a todas as águas doces. Oroinha (Agayu) dominou os fogos centrais da esfera terrestre e manteve o controle dos vulcões.
Desceram, em seguida, outros grupos de entidades maiores que criaram as estações, segundo a posição do planeta, assim como a rotação da terra e da lua, dando origem aos mares, aos dias e às noites. Estas entidades utilizaram diversos elementos das rochas, das águas e do ar para criar os reinos animados, a partir da natureza morta. Os vegetais e os animais, seres que possuíam a capacidade de reprodução, modelaram, durante milênios, todas as suas variantes. Aos poucos, foram executando sua tarefa e eliminando uma forma de vida para construir outra mais complexa, dando origem à enorme diversidade que, atualmente, constitui estes reinos.
As divindades fizeram com que as plantas se prendessem ao solo, tornando-se fixas, e que os animais se movimentassem pelo ar, água e terra e utilizassem os vegetais como alimento. Os elementos ficaram constituídos como uma presença vital para estes reinos. Assim, a água permitiu a vida material, o ar contribuiu para o equilíbrio vegetal-animal e foi o veículo do hálito de OLOFIN; o fogo assumiu o papel de destruir e revigorar durante o processo de mudanças e OLORUN foi quem forneceu a energia vivificante.
Estas divindades ficaram a cargo do que haviam criado, se distribuindo, segundo suas características vibratórias, pelas múltiplas riquezas do planeta. Tudo isso foi testemunhado por IFÁ.
Dentro desse processo, desceram ao plano terrestre os três grandes benfeitores da Humanidade: ODUDUWA, IFÁ e OBATALÁ. O primeiro tomou parte da legião de espíritos, que se encontravam próximo, e os instruiu para a tarefa que teriam daí em diante. IFÁ modelou um corpo de muito pouca densidade, semelhante ao físico, que pertenceria a nova espécie, em fase de criação. Cada espírito, instruído por ODUDUWA, ocupou um dos corpos astrais elaborados por IFÁ; com essa morada semimaterial, começaram a vagar sobre a terra, como fantasmas.
Neste momento, OBATALÁ começou a elaborar um nova espécie , destinada a superar os outros animais. Para tanto, combinou os elementos evolutivos necessários, dando forma ao ser humano: duas pernas para sustentá-lo firmemente na posição vertical, própria de um rei; dois braços fortes para que pudesse dominar as outras espécies; um coração grande e forte dentro de um peito poderoso, capaz de proteger a força vital; uma cabeça em cima, com os melhores sentidos, para observar e perceber tudo à distância; um complexo mecanismo de nervos, músculos e fluidos, ficando, assim, consumada a obra do grande construtor do homem.
Terminada esta obra de OBATALÁ, ODUDUWA completou a criação, atribuindo um espírito com seu corpo astral a cada um daqueles reis de OBATALÁ. Estava criada a interação entre o físico e o espiritual, que os ajudou a despertar os sentidos e desenvolver o instinto. IFÁ, que ajudou a executar e testemunhou tão maravilhosa obra, transmitiu a ORUMILÁ a verdade dessas realizações, anotadas nos signos do livro sagrado, para que o conhecimento da criação humana chegasse até os dias de hoje.
Uma vez que o grupo dos espíritos ficou a cargo dos seres humanos e se iniciou a interação corpo-espírito, revelou-se a importância do periespírito criado por IFÁ, pois o espírito desprendido de OLOFIN, com sua imensa vibração, não podia manifestar-se diretamente no plano vibratório do homem animal. IFÁ já tinha resolvido esta contradição quando modelou um corpo astral com vibrações intermediárias, para ajudar na formação do novo ser.
Podemos afirmar, então, que, desde o princípio, o homem se formou com três corpos: o físico, o seu duplo astral e seu espírito, graças a vontade de OBATALÁ, de IFÁ e de ODUDUWA. Porém IFÁ, com sua sabedoria infinita e clarividência, preparou o corpo astral para diversas funções, que são explicadas em diferentes signos, de acordo com a instrução que ORUMILÁ recebeu de IFÁ. Por isso, o homem comum deve aprender os ensinamentos de ORUMILÁ para adquirir sabedoria e o ignorante não deve desprezar o que desconhece, para não aumentar sua ignorância.
Há que aprender sobre a evolução material, pois primeiro as vibrações de energia se acalmaram, tomando formas cada vez mais densas, até chegar à matéria. A quem interessar, este pode ser o ponto de partida para elevar, novamente, a vibração do pensamento e entrar em harmonia com o infinito.
Quando nasceu o duplo astral, ou periespírito, por iniciativa de IFÁ, resultado da união do corpo físico com o espírito que o domina, este teve, entre outras funções, a de permitir ao ser humano alimentar-se da energia vital de OLOFIN. Neste tempo não existia a morte, não se concebia que o criado tivesse um final, o que acontecia, também, com o periespírito. Porém, quando se estabeleceu a morte, pondo fim à vida do corpo físico, o duplo astral, com seus atributos tanto do espírito quanto do corpo material, continuou a existir, além deste último, por um tempo mais ou menos prolongado, de acordo com a influência de uma parte ou outra parte sobre ele. No homem espiritual, o periespírito morre prontamente, enquanto no homem apegado aos assuntos vulgares da vida terrena ele fica vagando pelos espaços escuros, ignorante de seu destino. Ele impede, então, que seu espírito faça a viagem a LIFÉ OORE, a morada onde descansará da missão cumprida, ainda que, mais cedo ou mais tarde, sempre fosse seguir este caminho.
Irmãos, quem tenha vidência para contemplar as formas invisíveis às pessoas comuns, aprenderá a distinguir entre o espírito de luz e as entidades malévolas. O mesmo pode acontecer com os duplos astrais que, sem objetivo determinado, vagam pelo espaço, pois não tendo os atributos físicos necessários, perderam a coerência do pensamento e, muitas vezes, servem de instrumento às entidades malévolas. Tudo isto é o que ORUMILÁ recebe por inspiração de IFÁ, ficando devidamente registrado no livro sagrado.
A irradiação espiritual se realiza enlaçando o corpo físico através de seu duplo astral. O espírito flutua toda a vida ao redor do corpo; esta é sua pequena morada, onde permanecerá um certo número de anos, lutando para lhe transmitir a mensagem do que não morre. Mas o homem comum não recebe muito dessa irradiação. Quando age de forma incorreta, uma voz que vem de dentro e que, geralmente, é chamada de voz da consciência – e que, na realidade, é o seu espírito vem lhe dar conselho. Afinal, quem melhor que a própria pessoa, elevando seu pensamento, para se aconselhar? Quem irá gostar mais de você do que você mesmo?
Por isto, homem comum, tenha a preocupação em se superar. Homem sábio, empregue sua inteligência na meditação sobre estes mistérios para que possa atingir a qualidade de santo. Continue subindo na hierarquia de IFÁ, pois as virtudes fortalecem o espírito constantemente, cobrindo o corpo com uma couraça astral, impenetrável aos maus pensamentos e a toda vibração negativa.
E se você conseguir somar às virtudes dos conhecimentos que ORUMILÁ lhe transmite, poderá conhecer a verdade muito antes da morte do corpo. Poderá compreender as experiências passadas para enfrentar o futuro com êxito. Não será torturado pelo medo e pela incerteza. Quando morrer, seu espírito, já livre de limitações, irá prestar contas diretamente ao poder do infinito.

Tudo isso é parte das lições que IFÁ, o benfeitor, ditou, milênios atrás, para os homens.

ATABAQUES

Atabaques



Atabaque (ou Tabaque) é um instrumento musical de percussão. O nome é de origem árabe: at-tabaq (prato). Constitui-se de um tambor cilíndrico ou ligeiramente cônico, com uma das bocas cobertas de couro de boi, veado ou bode.
É tocado com as mãos, com duas baquetas (aquidavi), ou por vezes com uma mão e uma baqueta, dependendo do ritmo e do tambor que está sendo tocado. Pode ser usado em kits de percussão em ritmos brasileiros, tais como o samba e o axé music.




Atabaque é também um grande instrumento de percussão usado nas rodas de capoeira. O couro vem da pele da vaca e é esticado por um sistema de anéis de metais ou aros, cordas e cunhas de madeira. Para afinar o atabaque, tira-se do pedestal (pé) e bate-se nas cunhas. A força nas cunhas empurrará o aro de baixo esticando a cordas e consequentemente afinando o couro. No candomblé é considerado objeto sagrado. Candomblé é a religião que mais conservou as fontes do panteão africano, servindo como base para o assentamento das divindades que regeriam os aspectos religiosos da Umbanda. É conhecido e praticado, não só no Brasil, como também em outras partes da América Latina onde ocorreu a escravidão negra - a Santería cubana é famosa. Em seu culto, para cada Orixá há um toque, um tipo de canto, um ritmo, uma dança, um modo de oferenda, uma forma de incorporação, um local próprio e uma saudação diferente.






Os deuses do Candomblé têm origem nos ancestrais africanos divinizados há mais de 5000 anos. Muitos acreditam que esses deuses eram capazes de manipular as forças naturais, por isso, cada orixá tem sua personalidade relacionada a um elemento da natureza.
As cerimônias são realizadas com cânticos, em geral, em língua nagô ou yorubá. Os cânticos em português são em menor número e refletem o linguajar do povo. Há sacrifícios de animais (galo, bode, pomba) ao som de cânticos e danças. A percussão dos atabaques constitui a base da música.
Os tambores começaram a aparecer pelas escavações arqueológicas do período neolítico. Um tambor encontrado na escavação na Morávia, foi datado de 6.000 anos antes de Cristo. Tambores têm sido encontrados na antiga Suméria com a idade de 3.000 A . C. Na Mesopotâmia foram encontrados pequenos tambores datados de 3.000 A . C. Tambores com peles esticadas foram descobertos dentre os artefatos egípcios, a 4.000 A . C. Os primeiros tambores provavelmente consistiam em um pedaço de tronco de árvore oco. Estes troncos eram cobertos nas bordas com peles de alguns répteis, e eram percutidos com as mãos, começou-se a usar peles mais resistentes e apareceram as primeiras baquetas. O tambor com duas peles veio mais tarde, assim como a variedade de tamanho.
A Umbanda é uma das religiões mais praticadas no Brasil, com maior propagação na Bahia e no Rio de Janeiro, a Umbanda brasileira começou a ser formada por volta de 1530, com a mistura de concepções religiosas trazidas pelos negros da África, na época da escravidão. O primeiro terreiro foi fundado em 1908 através de Zélio Fernandino de Moraes. Na época com 17 anos, Zélio, que fazia parte de uma família tradicional de Niterói, RJ, incorporava o chamado Caboclo das Sete Encruzilhadas e foi o responsável pela formação de sete tendas que acabaram difundindo a Umbanda. Todas as tendas funcionavam sob o lema: "manifestação do espírito para a caridade" e usavam rituais simples com cânticos baixos e harmoniosos.
A Umbanda incorpora os adeptos dos deuses africanos como caboclos, pretos velhos, crianças, boiadeiros, espíritos das águas, eguns, exus, e outras entidades desencarnadas na Terra, sincretizando geralmente as religiões: católica e espírita. O chefe da casa é conhecido como Pai de Santo e seus filiados são os filhos ou filhas de santo. O Pai de Santo principia a cerimônia com o encruzamento e a defumação dos presentes e do local. Seguem-se os pontos, cânticos sagrados para formar a corrente e fazer baixar o santo. Muitos são os Orixás invocados na cerimônia de Umbanda, entre eles Ogun, Oxóssi, Iemanjá, Exu, entre outros. Também invocam pretos velhos, índios, caboclos, ciganos.

Texto postado em vários sites

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O CANDOMBLÉ E O BATUQUE


O Candomblé assim como o Batuque, são formas africanas de se ver Deus. São cultos a natureza, às divindades que governam a mesma, segundo a determinação de Olorúm, palavra Yorubá para designar o Supremo Criador, Olô = Senhor, Orúm = Céu, ou seja: Senhor, Dono do Céu.
Como religiões mantêm os preceitos de acordo com as práticas que eram realizadas pelos seus mais antigos sacerdotes, ainda em sua terra natal, a África. Diferem-se entre si, nas qualidades dos Orixás, nas comidas e nas formas de cultos, porém, unem-se na mesma crença de que Olorúm, Deus, criou o mundo e seus Ministros os Orixás para que governassem o mesmo em seu nome, até porque, segundo os antigos africanos, o nome de Deus não deve ser pronunciado em vão.
Tanto no Candomblé como no Batuque, os Orixás, não são em hipótese alguma, superior um ao outro, são na verdade a unificação de suas forças em prol do bem da humanidade assim como, seguindo rigorosamente suas leis.
Assim sendo, os Orixás dependem um do outro para que possam agir e interagir em nossas vidas, abreviando nossos sofrimentos e nos ajudando no nosso crescimento material e principalmente no espiritual.
As formas de culto modificam, nas duas religiões, dado às áreas da África da qual descendem. Mesmo dentro das nações do Candomblé e do Batuque, existem diferenças nos cultos, pois é sabido que cada região tinha seu próprio culto às divindades.
As nações do Candomblé são assim divididas: Angola, Kêtu, Jêje, Nagô, sendo essas as principais, as nações mães, de onde se originaram as ramificações, como Bate Folhas, Engenho Velho, Gantois, Mahi, Bogun, Muxicongo, ente outras.
Já no Batuque, as nações se dividem entre si da seguinte forma: Jêje, Ijexá, Oyó, Cabinda e Nagô. São as nações do Batuque, como no Candomblé, a referência de suas origens, ou seja: cada nação pratica da forma mais aproximada possível os mesmos rituais que seus antepassados praticavam na Mãe África.
O Candomblé tem sua origem ainda no Brasil colônia, uma vez que a primeira casa fundada em Salvador, Bahia, foi o Ilé Axé Iyá Nassô Oká, que segundo as tradições foi fundada por três negras africanas que eram princesas em sua terra, sua data é em tor 1600. Uma outra casa de renome, é Ilê Maroiá Lájié, que foi fundada em 1636.
O Batuque muito embora seja também uma ramificação das nações africanas, teve seu iniício mais tarde, no Estado do Rio Grande do Sul. Consta nos registros que a primeira casa foi fundada já no século XIX, mais precisamente no período de 1833 e 1859. Também foi criado por escravos que viviam nesse Estado, e seu apogeu se deu quando um Príncipe chamado Custodio, chegou nessa terra no final do século XIX. Segundo alguns historiadores, esse Príncipe teria deixado sua terra, Ajudá, que se situava no antigo Dahomey, atual Benin, diante da promessa dos ingleses de que seu povo não sofreria.
O certo é que esse Príncipe governou seu povo com amor e sincera dedicação aos Orixás, e passou a ser visto por seus irmãos como um verdadeiro Deus.
As formas diferenciadas entre o Candomblé e o Batuque se dão também nas formas de se entregarem as oferendas aos Orixás, uma vez que suas comidas também se diversificam entre os dois seguimentos. Alguns aspectos se relacionam de forma comum, a exemplo de Xangô que no Candomblé é o único rei coroado, o mesmo se dando dentro do Batuque.
Na prática do Candomblé, temos Yemanjá como mãe de todos os Orixás, o que ocorre também dentro do Batuque. Existe, porém um Orixá conhecido no Candomblé como Nanã Burukê, que dentro do Batuque, segundo informações de alguns seguidores, seria um Yemanjá velha. Assim sendo, Nanã que para o Candomblé seria a priemeira esposa de Oxalá, sendo assim a mais velha de todos os Orixás, dentro do Batuque é conhecida como Yemanjá.
Outras diferenças existem entre os Santos das duas ramificações, como o dia de algumas divindades. Odé, por exemplo, é cultuado na quinta feira, já no batuque esse dia seria de Ogum.
Assim como Nanã para o Candomblé, existem Orixás que são cultuados somente no Batuque, como é o caso de Ogum Avagã, uma forma que somente dentro dos preceitos do batuque se conhece seus fundamentos.
Mas, o mais importante é sabermos que como religião, somos todos descendentes de uma mesma etnia: os negros e assim sendo, devemos nos comportar como irmãos, respeitando mutuamente e nos ajudando sempre que for necessário, principalmente dentro da intolerância religiosa, que fere a Carta Máxima de nossa Nação, a Constituição.

 Texto de autoria  do Sr.Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá. Babalorixá, escritor e pesquisador.

OGUM/GU/ROXIMUKUMBI - PARTE VIII - OGUM NO BATUQUE

Na religião do batuque, o orixá Ogum é o dono do ferro e de todos os seus derivados, como armas e ferramentas. Também é dono da bebida alcoólica e é considerado o senhor da guerra. É esposo de Iansã, que o traiu com Xangô após embebedá-lo com uma bebida denominada atã.
Por ser o dono do “obé” (faca), sem ele não tem como outros orixás serem feitos. Qualquer sacerdote de orixá tem que ter Ogum em seus assentamentos, pois este é o dono do axé das facas. Por ser dono das armas, é invocado para vencer demandas. Pela mesma razão é o protetor dos policiais e dos soldados.
Na Nação Ijexá também são cultuados Ogum Avagã, Ogum Onira e Ogum Adjolá qualidades de Ogum que só existem no Batuque. Este último é um guerreiro guardião que trabalha na beira da água a mando de Oxum, Iemanjá e Oxalá. Ogum Avagã tem seu assentamento junto a Bára Lode, Oyá Timboa ou Adirã

 
Particularidades do orixá:

Saudação - Ogunhê.Dia da semana - segunda-feira para Ogum Avagã e quinta-feira para os demais.
Número - 07 e seus múltiplos.
Cor - vermelho e verde.
Guia - vermelho e verde escuros.
Adjuntós - Avagã com Oyá Timboá ou Oiá Dirã, Onira com Oiá, Olobedé com Iançã, Adiolá com Oxum Pandá ou Iemanjá Bocí.
Ferramentas - alicate, espada, faca, bigorna, búzios, moedas, martelo, tenaz, lança e ferradura.
Ave - galo vermelho dourado.
Quatro pés - cabrito branco, vermelho, malhado ou escuro, menos preto.


Sincretismo Religioso:

Ogum Avagã - São Paulo
Ogum Onira, Olobedé e Adiolá - São Jorge

Os Arquétipos(filhos):
Os filhos de Ogum possuem um temperamento um tanto violento, são impulsivos, briguentos e custam a perdoar as ofensas dos outros. Não são muito exigentes na comida, no vestir, nem tão pouco na moradia, com raras exceções. São amigos camaradas, porém estão sempre envolvidos com demandas. Divertidos, despertam sempre interesse nas mulheres, tem seguidos relacionamentos sexuais, e não se fixam muito a uma só pessoa até realmente encontrarem seu grande amor.

terça-feira, 11 de maio de 2010

OGUM/GU/ROXEMUKUMBI - PARTE VII- QUALIDADES OGUM ANGOLA

ROXI MUCUMBI

QUALIDADES:


MUKUMBI (E) (Ligado à agricultura) - fundamento com Katende


BIOLE (^)  - fundamento com Pambunjila / Lemba / Zazi


EMBAMBIE - fundamento com Ngunsu


BAMBI MALÈ - fundamento com Kaiala


MINIKONGO - fundamento com Ngunsu


TOLODE - fundamento com Pambunjila / Lemba


TOLA - fundamento com Ngunsu


AMINIBU - fundamento com Danda


MALEMBE (qualidade antiga - quando Nkosi estava na descendente e passou nas terras de Zumbá)


KONGO MUKONGO ou KAJA MUKONGO - fundamento com Ngunsu / Katende


SINAVURIE(^) -  fundamento com Ngunsu / Telekompensu / Kaiangu


KAMINDERE (^) - fundamento com Kaiangu


TARAMENE(^) - fundamento com Aganji / Danda


TARIULÈ - fundamento com Kavungu


KAMBINDA - fundamento com Kavungu


ARONDI - fundamento com Pambunjila


NKOSI MAVAMBO  -  fundamento com Pambunjila (= Xorokê)


NGÓ(')  - fundamento com Hangolo / Hangoloméa


KONSENZA - fundamento com Wunji


PALAXO(') - fundamento com Kitembu


MUGOMESSÀ - fundamento com Kitembu / Katende / Kavungu


KARIRI - fundamento com Zazi / Mina Lugando





OGUM/GU/ROXEMUKUMBE - PARTE VI - QUALIDADES OGUM YORUBÁ


 



Ògún Meje – É o mais velho de todos, a raiz dos outros, Ògún completo, velho solteirão rabujento e muito sanguinário. É o aspecto do orixá que lembra a sua realização em conquistar a sétima aldeia que se chamava Ire (Meje Ire) deixando em seu lugar o seu filho Adahunsi. Come nos cemitérios. Suas cores são o verde claro e o vermelho claro.
Ògún Je Ajá ou Ogúnjá como ficou conhecido – Um de seus nomes em razão de sua preferência em receber cães como oferendas, um dos seus mitos liga-o a Oxaguiã e Yemanjá quanto a sua origem e como ele ajudou Oxalá em seu reino fazendo ambos um trato. É o Òrìxá da casa de Oxalá, o grande guerreiro branco É um Ògún, como indica o seu nome, particularmente combativo. Tem temperamento rabugento, solitário.. Dizem que acompanha Ogúnté.. Em seu assentamento leva Osum e Waji; Não se pronuncia seu nome em vão e nem a noite;come inhame como todo Ogun. Veste branco e também o verde escuro e usa contas verde-claro. Cobre-se-se de Mariwo. Na Umbanda , Ogum matinada)
Lado Positivo
Dóceis, calmos, seguros, confiantes, os regidos por este tipo de Ogum são grandes negociantes. Amantes fiéis e dedicados à familia, são também verdadeiros guardiães de seu próprio patrimônio. Geralmente bonitos, talentosos e inteligentes, os de Ogum Já são grandes amigos e possuidores de autocontrole. São pessoas de decisões rápidas e seguras e donas também de exagerado sentimentalismo
Lado Negativo
Os regidos por Ogum Já têm, invariavelmente , um péssimo defeito: usam de falsidade, porém a exercem como tática de guerra. Atacam sempre pela retaguarda do adversário, não dando chances de defesa e tirando todo proveito do elemento surpresa. São rápidos no pensamento e gostam de ver o inimigo morrer lentamente, o que dá um sentimento impiedoso ao seu caráter.

Ògún Ajàká – É o “verdadeiro Ògún guerreiro”, sanguinário, que em princípio se veste de vermelho e verde escuro, suas contas são iguais a vestimenta. Teria sido rei de Òyó e irmão de Sàngó. Ajàká é um tipo particularmente agressivo de Ògún, um militar acostumado a dar ordens e a ser obedecido, seco e voluntarioso, irascível e prepotente. Na Umbanda, Ogum Naruê, Rompe Mato.
Lado Positivo
Corajoso acima de tudo, honesto, objetivo do tipo monarca, de muita sorte, senso de justiça, nobre, valente. Os filhos deste tipo de \ogum se esforçam para serem perfeitos em tudo o que fazem. São hábeis e inteligêntes e normalmente são de muito fácil compreensão. Capazes de dar tudo de si quando amam, pois são amantes constantes e dedicados.
Lado Negativo
Altamente perigosos, quando estão irados. São extremamente sanguinários e impiedosos. Atacam por todos os lados e exterminan o inimigo. Não são falsos, mas semeiam a discórdia, a intriga; saem de perto e quando voltam, o fazem para exterminar e reinar. São egoistas e nervosos; querem tudo rápido e bem feito. Exigentes, são capazes de destruir algo que lhes incomoda e não têm pena de ninguêm. Nem de si proprios. Outras inúmeras qualidades existem, mas no cômputo geral, aqui foi colocado tipos de Oguns que representam os elementos Terra, água e Ar. o que dá um sentido amplo, às caracteristicas dos filhos deste Orixá.

Ògún Xoroke ou Ògún Soroke - Apenas um apelido que Ògún ganhou devido à sua condição extrovertida; soro = falar, ke= mais alto.Usa contas de um azul escuro que se aproxima do roxo. “Xoroke é um Ògún que tende a confundir-se com Esú, agitado, instável, suscetível e manhoso.É um Òrìsá das terras Jeje um tipo muito perigoso. Dizem que foi amaldiçoado por seu pai e sua mãe. Conta a lenda que um vulcão entrou em erupção e SOROKÈ pulou de dentro dêle, em forma de fogo.É o senhor da noite, vive nos cantos das encruzilhadas, castigando os que por ali passam e profanam as oferendas ali colocadas. É o Òrìsá da vingança, pois seu temperamento é muito forte. Tem que ser feito no domínio do pai, Exú, e ambos no domínio da mãe, Iponda. Faz-se o ÈSÙ, escravizado por ÒGÚN, tendo que assentar ÒSUN. Não pode ser feito dentro do barracão. Tudo é duplo, até o QUELÊ. São dois assentamentos, um de ÈSÙ, sem massa e outro de ÒGÚN, com massa, sobre o ÈSÙ. Dança-se para ÈSÙ, ÒGÚN e ÒSUN. Na Umbanda chamado de Ogum Mejê, Sete Estradas, Sete Espadas.
Lado Positivo - Os regidos por este Orixá são de uma bravura sem igual. Dedicados e corajosos, geralmente são pessoas que se empenham para chegar a seus objetivos. Têm muito a ver com Exú e praticamente carrega quase todas as virtudes daquele. .
Lado Negativo - Vorazes, gananciosos e abusados, os filhos de Xoroquê não têm pena de cortar o pescoço dos seus inimigos. Não perdoam falhas, nem às suas proprias, chegando ao cúmulo de se autoflagelarem por um engano ou erro cometidos. São sábios para enredar e criar polêmicas; confusos, muitas vezes, mas agem às claras. Atacam sempre pela frente, numa avançada única e de resultado sempre positivo (para eles próprios). Daí o autocastigo quando falham. São rudes e extremamente exigentes e seu ponto preferido para o ataque é o coração. Impiedosos e malvados, não se curvam diante de ninguêm. Ostentam um grande valor de poder e grandeza, mesmo que na verdade não os tenha.
Ògún Meme – É um jovem guerreiro. Veste-se de verde claro e usa contas verdes como Ogum Já, mas de uma tonalidade diferente. Come com Oxalá e tem grande fundamento com Yemanja.

Ògún Wori /Waris (Warri, ou worin) – É um Ògún perigoso, dado da feitiçaria, ligado ao màriwò, aos antepassados. Tem temperamento difícil, suscetível, autoritário o espírito dogmático. Nessa condição o orixá apresenta-se muitas vezes com forças destrutivas e violentas. Segundo os antigos a louvação patakori não lhe cabe, ao invés de agradá-lo ele aborrece-se. Um dos seus mitos narra que ele ficou momentaneamente cego. Veste verde-claro, come com Yemanjá e Oxalá. Gosta de comer cabritos pequenos, aprecia a carne de marreco e não come frango em suas obrigações. Na Umbanda, Ogum beira Mar, Sete Ondas e Iará.
Lado Positivo
É um tipo mais calmo. Os regidos por este Ogum são mais dóceis, mais lentos, mais emocionais, pois estão ligados à regência da água, através de Yemanjá Oxum e Logum Edé. Oxalá dá sua contribuição com o elemento Ar. Daí os filhos de Waris serem mais emotivos, carinhosos e atenciosos. São excelentes generais, pois estudam profundamente as estratégias. Amantes singelos, procuram sempre uma forma de agradar.
Lado Negativo
Os filhos de Ogum Waris usam táticas interessantes para chegar aos seus objetivos. Choram de forma mentirosa para enganar o inimigo. Usam de falsidade e intrigas e são mestres na arte de ludibriar. Atacam pelos flancos e são do tipo sádicos e temperamentais.

Ògún Ikola - É um ÒGÚN solitário que tem ligação com XOROQUE e Oxalá.. Come ÌGBÍN e veste-se de verde escuro ou vermelho. Adora galos vermelhos e bode de chifres grandes. É um Ogun que come junto com Osaguian, com Yemanjá Ogunte e Jagun. É o Ogun que é evocado quando se faz as curas.

Ogun Elemona - Mora nas matas e caça muito bem. É muito sério, áspero, não se apegando a ninguém, a não ser a sua própria família. Tem fundamento com Obaluaye e Exú.

Ògún Lebede (Alagbede) – É o Ògún dos ferreiros, marido de Yémánjá Ogúnté e pai de Ògún Akoro. Representam um tipo mais velho de Ògún, trabalhadores conscienciosos, severos, que “não brincam em serviço”, ciente de seus deveres como de seus direitos, exigente e rabujento. É um grande ferreiro e ferramenteiro. Veste-se de azul arroxeado e o vermelho. Contas iguais a roupa. Come com Exú e Yemanjá.
Ògún Akoró – É o irmão mais velho de Oxóssi, ligado à floresta, qualidade benéfica de Ògún invocada no pàdé. Filho de Ogúnté, Akoró é um tipo de Ògún jovem e dinâmico, entusiasta, era empreendedor, cheio de iniciativa, protector seguro, amigo fiel, e muito ligado à mãe.
Ògún Oniré – É o título de Ògún filho de Oniré, quando passou a reinar em Ire, Oni = senhor, Ire = aldeia., o dono de Iré, primeiro filho de Odúduwà. Oniré é um Ògún antigo que desapareceu debaixo da terra. Usa também contas verdes. Guerreiro impulsivo é o cortador de cabeças, ligado à morte e aos antepassados; orgulhoso, muito impaciente, arrebatado, não pensa antes de agir, mas acalma-se rapidamente.

Ògún Olode – Epíteto do orixá destacando a sua condição de chefe dos caçadores, originário de Kétu. Não come galo por ser um animal doméstico. Amigo do mato, dos animais, conhecedor dos caminhos, e é um guia seguro. Seu temperamento solitário assemelha ao de Oxóssi.. Só come nos caminhos da mata e em seus assentamentos, come caça. Leva um ADEMATÁ – arco e seta

Ogum Ajo - Fica fora do barracão e toma conta da porteira. É o primeiro a ser saudado. Companheiro de ÈSÙ, ronda as encruzilhadas, comendo com ÈSÙ nas estradas. Veste-se e tem contas azul arroxeado.

Ògum Onije - É o Òrìsá que tritura, corta e provoca ferimentos. Não é aconselhável raspar este Òrìsá em seus filhos. Veste o verde escuro e o vermelho. Tem ligações com OYA YGBALÉ.

Ògún Popo – Seria o nome de Ògún quando foi à terra dos Jeje, é um tipo fanático.

Ògún Masa – Um dos nomes bastante comuns do orixá, segundo os antigos é um aspecto benéfico do orixá quando assim se apresenta, quando não um de seus  aspectos  é o desequilibrio, por alguns considerado como "o louco", o cortador de cabeças, tem fundamento com  Exú e Yemanjá, os únicos que conseguem abrandar sua ira. Usa vestimentas coloridas.



Há vários nomes de Ògún fazendo alusão a cidades onde houve o seu culto, como Ògún Ondo da cidade de Ondo, Ekiti onde também há seu culto, etc. O orixá possui vários nomes na África como no Brasil e com isso ganha as suas particularidades e costumes.


domingo, 9 de maio de 2010

OGUM/GU/ROXIMUKUMBE - PARTE V- VODUM GU/TOGUM

Gu ou Gun - Senhor da Guerra


Entre os praticantes do Vodu Fon, Gu é o senhor do ferro e das guerras, aquele que tornou o mundo habitável. Por isso suas atribuições são inúmeras:
Vodu da guerra, do fogo, da metalurgia, dos ferreiros, da morte violenta, protetor dos circuncidados, da cirurgia, das incisões e escarificações. É o vodun da tecnologia. Tem semelhança com o orixá Ogum dos Iorubas.
O seu culto foi introduzido ao sul do Daomé no final do século XVII, por ferreiros e sacerdotes iorubas.
Com o tempo tornou-se bastante popular, sendo bastante cultuado nos seus templos e casas de culto, além de ter seus oratórios em quase todos os outros locais de culto de voduns.
De acordo com Verger:
“Para os Fon do Daomey, Gun desempenha o mesmo papel que Ogum dos iorubas, mas, como Odùduà, é desconhecido em Abomey, Gun ai, é considerado o filho de Lisa e Mawu, versão fon de Orìsàálá e Yemowo. Maximilien Quénum o compara a Legba e assinala sua presença diante das forjas. Christian Merlo indica que "todos os templos" têm seu Gun, cuja virtude é fortificar o vodun."
Seu emblema principal é o Gubassá, uma adaga metálica adornada com desenhos, utilizada em diversos rituais, incluindo o culto de Fá.



                                                     GUBASA

A principal arma de Gu é o sabre, o Gubasa. É um instrumento mortalmente cortante e contundente. Os desenhos gravados sobre a lâmina, possuem um sentido que evoca a memória de Abomé. Da mesma forma o circulo e o losango sobre a extremidade da faca que assinalam a parte onde a lamina é mais perigosa. O triangulo recortado no canto da parte cortante chama-se azan yiyi, mi do xa mi, cabo de árvore, me ajude !
É a súplica das pessoas que temem a ira de Gu e o fio de sua lâmina. O triângulo oposto e o losango abaixo propiciam o poder conhecido como ace, ou a capacidade de vencer uma missão. A argola ou cintura aonde o cabo do sabre é afixado chama-se blabla na lingua fon. O Gubassá também é conhecido e utilizado no vodu haitiano.   
                                                       Gudaglô
  O Gudaglô, facão de tamanho menor, é um outro emblema, símbolo de proteção e defesa contra os inimigos.É um facão como o gubasa, porém sem desenhos gravados. Essa também pode ser a representação do zonkpè, o martelo da bigorna. Na iconografia fon, é representado segurando estes dois sabres, o Gubassá na mão direita e o Gudaglô na mão esquerda. Nas danças seus vodunsis (iniciados) seguram o Gubasá na mão direita e o adjá na esquerda.





Akansanwu
A vestimenta de Gu, é a tunica em faixas de algodão tecido, isso está sugerido nessas imagens de ferro. A forma se estreia nos ombros e se alarga no corpo. 
Alingle
O acessório que Gu segura na mão esquerda e aproxima da orelha ( como se fosse um telefone) é uma sineta, o ajá ( adjá). Ao contrario dos varios sinos e gongos que os africanos tocam com uma vareta pelo lado externo, o aja é percutido na parte interna próximo à base da cavidade. Esse instrumento é um acessório indispensável para os hunô, os sacerdotes do vodum.
                                                               

As ferramentas do deus daomeano, Gu
A imagem que os daomeanos apresentam do seu deus Gu, é uma estatueta de um homem de ferro segurando o facão e usando uma coroa sobre a cabeça.


Coroa de Gu
Essa coroa que ele carrega sobre a cabeça é formada por varias ferramentas que representam os seus atributos. Carregar sobre a cabeça não é algo aleatório na sua representação. A cabeça é o lugar por onde o vodun toma posse de seus adeptos.
Entre esses deuses, há os ta-vodun, carregados sobre a cabeça, e outros sobre os ombros.
Sendo Gu um guerreiro absoluto, sua função é estar em permanente prontidão, para qualquer tipo de combate. Sendo assim, nenhuma de suas armas podem lhe faltar. Essa coroa também é um Asen, altar movél, que se fixa sobre a terra.

Asen - Os acessórios do altar-coroa de Gu

1. Sosivi - o machado de Heviossô, um dos grandes deuses vodu, o do trovão. A forma desse machado assemelha-se com as dos Oshe Xangô dos iorubás. Tal como nas estatuetas desse deus, em que os cabelos das jovens é penteado em forma de machado duplo, sendo associadas por esse motivo à força do relâmpago e da fecundidade. Heviossô confunde-se com Xangô, o primeiro orixá, deus dos iorubás. Foi um antigo rei de Ifé, divinizado pelo povo. Guardião da ordem no pais vodum, aquele que persegue e fulmina os assaltantes.
2. Kponuhwan - bastão com ponta de lança.



3. Dan xèlè - símbolo ou ferramenta específica de Dan, outra divindade do vodum. Nesse panteão Lissa é um camaleão, Heviossô um trovão e relampago e Dan é a serpente piton e o arco-iris.


4. Nutonu - buril

5. Hwi : facão





6 - Alin - enxada




7. Kponuhwan ken non : dardo ou arpão.












8. Atakla - garra, arma para a luta corpo-a-corpo.







9. Glankpazunvazunva - podadeira. Esse nome significa literalmente glankpa : foice --zun : mato -- va : corta. É um instrumento usado para desbastar , mas que também serve de arma.




10. Mlen - anzol








11. Alingle- é o adjá, sineta de percussão usada pelos bokonon, sacerdotes- adivinhos de fa, o grande ancestral dos orixás iorubás.

O adjá é fixado na coroa com uma corrente.






Ogum Africa



Direitos autorais fotos Ó Nicolas - Desenho Garnier




JEJE





Existem varios Voduns pertencentes a linhagem de Togun, Vodum Guiugu é o mais velho deles que assim como outros participou de varias batalhas, donde se saiu vitorioso. Alguns Toguns:



VODUM HOÊ NAVAN - VODUM HOBÊNAN (ligado a agricultura) - VODUN NAGOEGIZÔ, esse alem de guerreiro é caçador, irmao de Vodum Loguem - o caçador - VODUM HUNTOBIAN

........Ogu (Ogu dentre os hula; Gŭ entre os fons; Ogun entre os nagôs; Ogum no Brasil)...... É a primeira divindade reverenciada antes de qualquer cerimônia para se garantir o bom êxito das mesmas. Recebe suas oferendas e libações no fogo, na terra, no ar ou na água, conforme a determinação do Fá (Ifá) ou do vodum. Doenças de pele que trazem a sensação de estar queimando, urticárias, e outras, estão relacionadas com este vodum quando associado ao fogo.
Seus filhos em geral denominados oguvi tem o arquétipo de pessoas destemidas, batalhadoras e generosas, e quase sempre passam pela mesa de cirurgia. Seus iniciados são os ogusi (ogunssi), e ogusivi para o iniciado mais jovem, já os filhos dentro do culto em outros cargos são denominados de ogujo (ogundjô em português), o mais velho ogujogan, e o mais novo ogujovi. Os ogusi respeitam o vodún sù (a proibição do vodum) de comer carne de animais abatidos por acidentes, carne seca ou salgada, bacalhau seco, peixes e crustáceos secos ou salgados, que Ogu não aprecia, e os hulas guardam as sextas-feiras para cuidar de seu fetiche que fica sempre depositado à entrada de uma cidade, casa ou templo, em um huntigomε (huntigomé é uma árvore que lhe pertença, como é o hunmatin, Ahoho ou Akoko) e atin sá (aos pés desta árvore em templos, ou em entradas de vilas e cidades como tovodun, o Togu), ou em seu gubaji (gunbadji) ou oguxɔ (oguho, seu quarto sagrado).
Os fons lhe dedicam a terça-feira (gùzangbè) e o domingo para todos os voduns, e principalmente sendo um alintin (coincidir com um dia sagrado).
Das doze divindades populares do culto yεhoué dos hulas, Ogu e Ahwanba (que se tornou Dangbé em Ouidah porquê veio dos adangbe) são as que mais se destacam nas cerimônias e festas, Ogu recebe sua reverência sempre no início das mesmas. (parte do texto postado por Ifabimi- Papo informal)