segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

ARVORES SAGRADAS .......continuação




 Dehuama
Esta árvore é muito comum na África do Oeste e possui lindas flores; é um atin de grande porte que chama atenção pela imponenência e pela beleza. Está associada com a remoção temporária da virilidade masculina, reduzindo e controlando o desejo no homem, inclusive nos períodos de reclusão religiosa. Tal formulação é segredo do vodunnon.
É conhecida pelo nome de "dehuama" (derruamã) pelos Mahi.




Cabaceiro
Cabaceiro ou Pé-de-Cabaça, como é popularmente conhecido no Brasil, e Pé-de Coité, que é um deles, porém, a subspécie africana, possuidora de uma parte longa em sua cabaça, é que é muito utilizada como um dos atins de Legba (vodun que corresponde ao Elegbara dos nagôs), também utiliza-se da cabaça, seu fruto, para confecção de utensílios rituais, domésticos e instrumentos musicais. Possui propriedade medicamentosa, contudo não deve ser confundida com outras espécies por possuir um nome tão popular em terras brasileiras, na qual tem origem algumas espécies de Cabaceiro.


Karité; Limu'tin, Wugo ou Kotoble; Akumolapa

Esta árvore é a sapotácea da qual se prepara a “manteiga de karité” que serve como alimento e no preparo da alimentação, tanto no Benin, quanto na Nigéria onde é conhecida por Akumolapa.
O karité serve de tempero ritual claro e brando para certos voduns, é nutritivo e medicamentoso, entrando no preparo de ungëntos de uso tópico misturado com outras substâncias, servindo de veículo, também é utilizado para o alívio de queimaduras leves na pele. Seu uso cosmético é muito apreciado no ocidente.
Os mahis no Brasil denominam-a limu'tin, e à sua manteiga de karité: “Limu-da-costa”.

Dangbe, Dangbe-Ahoho, Maga'tin, Amaga'tin

A conhecida árvore Mangueira, especialmente a da espécie dangbe, é consagrada ao vodun Dangbe e considerado o seu Ahoho, em alusão ao jassu, existem árvores de Dangbe antiquíssimas em Ouidah, onde são realizados preceitos em louvor a esta divindade. Da mesma forma reverencia-se este ancestral mahi no Brasil. Na cidade baiana de Cachoeira é realizada no mês de janeiro de cada ano uma festividade em honra deste vodun, que é conhecida como “Boitá de Gbesen”. Este atin é de extrema importância dentro dos preceitos mahis, tanto no Benin, quanto na diáspora, costuma-se evocar, colocar oferendas a Dangbe em volta de sua árvore, suas festividades também são realizadas ali sob a Mangueira. No Benin uma das árvores sagradas do vodún Dangbé é o Hun ou Hun'tin, termo fongbè, conhecida no Brasil por Folha de Serra, Falsa Espinheira Santa, Cincho, etc.

Flamboyant
O Flamboyant (Flor-do-Paraíso; Pau-Rosa; Acácia-Rubra) é muito encontrado por todo o Brasil, é uma árvore originária de Madagascar. Sua flores são belíssimas e costumam ornamentar ruas e praças. Este atin é muito consagrado a Oya e também ao Sàngó (Heviosso). É indissociável a figura do Sàngó da cultura nagô com o vodun Hevisso, observado que o culto de Ayrá origina-se de Savé Okpara, segundo Verger em sua obra “Orixás”, para os mahis apenas o nome e a forma de reverenciar é que muda um pouco, são ambos voduns do céu, do trovão e da justiça. Ao passo que Weleketi (Wleketi) dos ewes é consorte de Heviosso, é a Oya dos nagôs quem cumpre este papel na concepção Jeje Mahi, sendo Avlekete (Vlekete; Avelekete) um vodun da família de Heviosso que também é cultuado nas praias, daí a razão de “Afrekete”, como é conhecida em Cuba, ser título de Iyémojà (Iyemanja).


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