sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

TUMBA JUNÇARA



O Tumba Junsara foi fundado em 1919 em Acupe, na Rua Campo Grande, Santo Amaro da Purificação,Bahia, por dois irmãos de esteira cujos nomes eram: Manoel Rodrigues do Nascimento (dijina: Kambambe) e Manoel Ciriaco de Jesus (dijina: Nlundi ia Mungongo), ambos iniciados em 13 de junho de 1910 por Maria Genoveva do Bonfim, mais conhecida como Maria Nenem , cuja dijina Mam'etu Tuenda NZambi,, que era Mam'etu Riá N'kisi do "Tumbensi", casa de Angola mais antiga da Bahia. Maria Neném foi iniciada por um escravo angolano chamado Roberto Barros Reis, sua dijina era Tata Kinunga. Nlundi Ia Mungongo teve também como irmã de barco a Mametu Sasia Kia Pulú, que sempre conviveu com Nlundi Ia Mungongo, eles eram muito ligados.

 
Kambambe e Nludi ia Mungongo tiveram Sinhá Badá como mãe pequena e Pai Joaquim como pai pequeno.
O Tumba Junsara foi transferido para Pitanga, no mesmo município, e depois para o Beiru. Após algum tempo, foi novamente transferido, para a Ladeira do Pepino nº 70, e finalmente para Ladeira da Vila América, nº 2, Travessa nº 30, Avenida Vasco da Gama (que hoje se chama Vila Colombina) nº 30 - Vasco da Gama, Salvador, Bahia.
Na época da fundação, os dois irmãos de esteira receberam de Sinhá Maria Nenem os cargos de Tata Kimbanda Kambambe e Tata Nludi ia Mungongo. Manoel Ciriaco de Jesus fez muitas lideranças de várias casas, como Emiliana (Bogum), Mãe Menininha do Gantois, Ile Agbaalá (Amoreiras), onde obteve cargos.
Tata Nlundi Ia Mungongo, Ciriaco, é considerado até hoje, um Tata Ecumênico, nas nações de candomblé. Teve cargo no terreiro gege do Bogun, quando a Doné era Dona Emiliana e mantinha boas relações com o Terreiro do Gantois da então Mãe Escolástica e depois Mãe Meninha; teve o cargo de Sarapembe, no ilê Agboula, em Amoreiras - Itaparica. Quando iniciava Muzenza sempre tinha a participação de pessoas de todos estes terreiros. Viveu no Rio de Janeiro onde também funcionou uma casa do Tumba Junçara em Vila dos Teles.

No Rio de Janeiro, fundou uma casa de culto em Vilar dos Teles (não se sabe a data da fundação nem a relação de pessoas iniciadas). No seu primeiro barco foram iniciados 6 azenza (plural de muzenza), obteve a ajuda do pessoal do BOGUM. Os três primeiros azenza ( Angorênce-RICARDINO, Nanasi e Jijau) foram iniciados segundo os fundamentos do BOGUM e os demais segundo os fundamentos do TUMBA JUNÇARA. 
Com a morte de Manoel Rodrigues do Nascimento (Kambambe), que assumira sozinho a direção do Tumba Junçara, Manoel Ciriaco de Jesus (Nludi ia Mungongo) assumiu a direção até sua morte, a qual ocorreu em 4 de dezembro de 1965.
Manoel Ciriaco de Jesus (Nludi ia Mungongo ) nasceu em 8 de agosto de 1892, falecendo aos 72 anos, cinco meses e seis dias. 
Com sua morte, assumiu a direção do Tumba Junçara a Sra. Maria José de Jesus (Deré Lubidí), que foi responsável pelo ritual denominado Ntambi (ritual fúnebre) de Ciriaco, juntamente com o sr. Narciso Oliveira (Tata Senzala) e o sr. Nilton Marofá. Deré Lubidí era Mam'etu Riá N'Kisi do Ntumbensara, hoje situado à Rua Alto do Genipapeiro - Plataforma, Salvador, Bahia, e de responsabilidade do sr. Antonio Messias (Kajaungongo).
Em 13 de dezembro de 1965, após o Ntambi, Maria José de Jesus (Deré Lubidí) passa a direção do Ntumbensara para Benedito Duarte (Tata Nzambango) e Gregório da Cruz (Tata Lemboracimbe), e em ato secreto é empossada Mam'etu Riá N'Kisi do Tumba Junçara.
Maria José de Jesus (Deré Lubidí) nasceu no dia 18 de setembro de 1900. Foi iniciada na nação Angola aos 23 de junho de 1920 por Manoel Rodrigues do Nascimento e teve Manoel Ciriaco de Jesus como pai pequeno, e em 25 de dezembro de 1920 recebeu a denominação de Deré Lubidí.
Em 1924,recebeu o cargo de Kota Kamukenge (auxiliar da mãe criadeira) do Tumba Junsara, e em 1932, o cargo de Mam'etu Riá N'Kisi. Em 1953 fundou o Ntumbensara, na Rua José Pititinga nº 10 - Cosme de Farias, Salvador, Bahia, que em 18 de outubro de 1964 foi transferido para o Alto do Genipapeiro.

Com o falecimento de Deré Lubidí, assumiu a direção do Tumba Junsara a Sra. Iraildes Maria da Cunha (Mesoeji), nascida aos 26 de junho de 1953 e iniciada em 15 de novembro de 1953, permanecendo no cargo até o presente momento.
Nlundi Ia Mungongo foi iniciado sendo filho do Mukixi Kavungo e Nzazi, Nlundi ia Mungongo significa, Nlundi = Guardião, Mungongo = Mundo, então seria Guardião do Mundo.
              

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O SAL - II


O sal da Biblia
Na Bíblia, as primeiras referências ao sal estão no Antigo Testamento, no Livro de Jó, com data estimada de 300 anos a.c., sendo que o A.T. o menciona com frequência, seja no contexto prático da vida, seja simbolicamente (significa nomeadamente pureza, incorruptibilidade, fidelidade). Em contrapartida no N.T. a referência ao sal torna-se metafórica. No sermão da Montanha, Jesus diz aos apóstolos “vós sois o sal da terra”. Os Livros de Mateus e Marcos fazem alusão ao sal como dádiva da terra.
Algumas passagens biblicas:

No A.T., o Livro dos Reis vangloria as qualidades purificadoras do sal.


Mas, o sal também trazia desgraça - um salmo relata que Deus podia transformar rios em desertos e terra fértil em pântano de sal, como castigo pela crueldade dos seus habitantes.
Por ser tão valioso, o sal foi alvo de muitas disputas. Roma e Cartago entraram em guerra em 250 a.C. pelo domínio da produção e da distribuição do sal no Mar Adriático e no Mediterrâneo. E após vencer os cartagineses, o exército romano salgou as terras do inimigo, para que se tornassem estéreis.
E em Juizes, 9:44, Albimilech capturou a cidade de Shechem, matou as pessoas que ali se encontravam, arrasou a cidade e semeou-a de sal. E, ainda transformou a mulher de Lot em estátua de sal porque olhou para trás ao fugir de Sodoma e Gomorra, cidades destruídas pela ira divina.

No A.T., o SAL ERA UM SIMBOLO IMPORTANTE DA RELAÇÃO COM DEUS. Assim, o sal devia ser colocado em todas as ofertas e os manjares oferecidos a Deus deviam todos ser salgados com sal:

“E todas as tuas ofertas dos teus alimentos temperarás com sal; e não deixarás faltar á tua oferta o sal da aliança do teu Deus; em todas as tuas ofertas oferecerás sal” – A.T. Levitico 2:13.

Na Biblia encontra-se o termo "aliança de sal" designando uma relação com Deus que não pode ser rompida (aliança perpétua de sal)- Números, 18,11; Crônicas, 13,5.

"Todas as ofertas sagradas, que os filhos de Israel oferecerem ao SENHOR, dei-as a ti, e a teus filhos, e a tuas filhas contigo, por direito perpétuo; aliança perpétua de sal perante o SENHOR é esta, para ti e para tua descendência contigo." - Números 18:19

"A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um." - Colossenses 4:6

"Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens."- Mateus 5:13
O Sal atualmente
Foi e tem sido usado no esoterismo e bruxaria para afastar as energias ruins e os maus espíritos.
No sec. XVI, o sal foi abolido por Lutero no ritual de batismo da religião protestante.

No entanto, uso do sal perdurou no batizado católico até 1973. Foi usado na liturgia religiosa dos batizados de forma a simbolizar a expulsão do demónio (purificação), sendo igualmente o sinal de sabedoria sobre o recém-nascido.
Ainda hoje, na Páscoa Judaica, no Pessach, as batatas e os ovos cozidos são regados com água salgada. Tal simboliza as lágrimas derramadas pelos judeus na travessia do deserto, durante a fuga do Egito.

Para os gregos, hebreus e árabes o sal é considerado o símbolo da amizade e hospitalidade, sendo que na Arábia comer sal acompanhado é considerado uma ação sagrada.

No médio oriente acredita-se que quando duas pessoas comem sal juntas, formam um vínculo. Por isso, usa-se sal para selar um contrato

Em Marrocos deita-se sal nos lugares escuros para espantar os maus espíritos.

Em Laos e Sião, as mulheres grávidas lavam-se diariamente com água e Sal, para proteger-se contra as maldições.

Nos países Nórdicos, coloca-se Sal junto ao berço das crianças, para as proteger.

No Havaí, a pessoa que volta de um funeral polvilha sal sobre si mesma, para garantir que maus espíritos que rondassem o defunto não a acompanhem em casa.

No Japão, o sal “shio” é considerado um purificador. Os Japoneses têm a seguinte lenda: o grande Kami Izanakino-Mikoto, desejou que sua mulher fosse levada para um lugar distante, sentindo a falta dela e arrependido por ter feito aquele pedido, foi purificar-se nas águas do mar. Os japoneses têm o costume de deitar sal na soleira da porta de suas casas depois de alguém não desejado ter saído. Os lutadores de sumo, para a luta ser leal, deitam sal no ringue. Também se espalha sal no palco antes de uma apresentação para evitar que os maus espíritos joguem pragas sobre os actores.


Cerca de 110 a.C., o Imperador chinês Han Wu Di iniciou o monopólio do comércio de sal no país, transformando a "pirataria de sal" em crime sujeito à pena de morte. O monopólio e o peso dos impostos sobre o sal foram estopim de grandes rebeliões. Na França, a elevação de uma taxa criada em 1340, chamada "gabelle", ajudou a desencadear a Revolução, em 1789. Séculos depois, na Índia, as taxas abusivas cobradas pelos ingleses encorajaram o movimento da desobediência civil, liderado por Ghandi, na década de 1930.
O sal é amplamente utilizado no esoterismo, em vários rituais de magia, pois tem uma função purificadora, seja ele usado sozinho seja em conjunto com outros produtos.
O sal é recomendado para a limpeza da aura, ou seja, o campo de luz que envolve o corpo humano. Quando a aura está saturada, o sal é o único composto que a recompõe rapidamente. Segundo o esoterismo, o banho de água e sal é excelente para expandir a aura. Mas, para isso, deve seguir algumas regras:

Primeiramente, deve-se tomar o banho normalmente, deixando ao lado um recipiente com água morna e sal grosso. Após o banho normal, despeja-se essa água com sal do pescoço para baixo, segurando o recipiente com ambas as mãos. O conhecimento esotérico indica que não se deve jogar na cabeça. Também não há necessidade de esfregar a água e o sal, já que o banho não atua no corpo físico, mas sim no corpo astral. Basta simplesmente jogar a água com sal sobre o seu corpo. Depois, não é indicado enxugar-se com movimentos de expulsão, ou seja, de baixo para cima ou para os lados, o correto é apenas deixar a toalha absorver a água.



Uma curiosidade a respeito do banho com sal grosso é que, dizem as tradições, ele deve sempre ser tomado nas segundas, nas quartas e, de preferência, nas sextas-feiras. Além disso, deve-se evitar os dias ímpares.


O sal está presente em rituais religiosos de diversas épocas e civilizações. Foi usado por gregos, romanos, asiáticos e árabes. Nas crenças populares, ele é um ingrediente obrigatório para afastar energias negativas e mau-olhado. Em várias culturas, acredita-se que o sal tem o poder de afastar espíritos densos e as energias negativas. Por essa razão, era oferecido aos deuses para afastar os demônios e muitos sacerdotes utilizavam-no nos rituais e nas cerimônias mágicas.

Um cristal
Segundo a explicação de especialistas em radiestesia, o sal é um cristal e, por isso, emite ondas eletromagnéticas que podem ser medidas pela radiestesia (técnica que utiliza pêndulos para identificar e alterar os campos vibratórios). Experiências mostraram que ao colocar-se o pêndulo sobre um monte de sal, é possível detectar o mesmo comprimento de onda da cor violeta, capaz de neutralizar os campos eletromagnéticos negativos.
A sabedoria popular vai pela mesma linha: como as energias densas costumam se concentrar nos cantos dos ambientes, costuma-se colocar um copo de água com sal grosso em pelo menos dois cantos. Quando se formarem bolhas, é hora de trocar a salmoura por outra.
O mesmo efeito purificador explica o famoso banho de sal grosso e o antigo escalda-pés (mergulhar os pés em uma salmoura morna): ambos têm o poder de neutralizar a eletricidade do corpo.


Nas tradições

No candomblé, religião trazida para o Brasil pelos escravos africanos, o sal tem importância fundamental. Na tradição africana, quando uma pessoa muda, deve entrar na nova casa levando primeiramente um copo de água e outro de sal.
Já na tradição judaica, quem muda de casa é presenteado com pão (para que nunca falte alimento) e com sal (símbolo da união indestrutível). No Oriente Médio acredita-se que quando duas pessoas comem sal juntas formam um vínculo. Por isso, é costume usar sal para selar um contrato ou acordo.
Existe uma superstição que indica que derrubar sal na mesa é sinal de mau agouro. Em sua obra "Dicionário do Folclore Brasileiro", Luís da Câmara Cascudo cita que Leonardo da Vinci, ao pintar o famoso quadro "A Santa Ceia", colocou o saleiro entornado diante de Judas.


Fontes de pesquisa:
Coluna da Mônica Buonfiglio no Portal Terra

Cabe a observação:



Um breve histórico
A história da alimentação é antiga. Acredita-se que o homem teria começado a se alimentar de frutos e raízes após observar o comportamento de outros animais. Depois, teria passado a consumir carne crua e moluscos in natura. A trajetória do homem apresenta muitos mistérios. Acontece o mesmo quando se trata de alimentação. Ninguém sabe de que frutos e raízes o homem se alimentava nem de onde surgiu o instinto irracional que o fez consumir tais alimentos sem conhecer seus valores nutricionais.


Dentro do panteão africano, apenas os orixás fun fun (orixá do branco) não utilizam sal, o condimento usado é o Obu, um tipo de giz nativo (efum), e é comestível.


Dentro das lendas africanas existe um itan que retrata um dos motivos da não utilização do sal nas comidas de Oxalá.


Oxalá rejeita o conselho de Ifá


Oxalá foi consultar os adivinhos para saber como conduzir melhor sua vida. Os velhos aconselharam-no a oferecer aos outros deuses uma cabaça grande cheia de sal e um pedaço de pano, para não passar vergonha na terra. Oxalá como era muito teimoso, deu de ombros aos conselhos e foi dormir sem cumprir o recomendado. Durante a noite, Exu entrou em sua casa trazendo uma cabaça cheia de sal, amarrando-a às costas de Oxalá, que jazia em profundo sono.


Na manhã seguinte, Oxalá despertou corcunda e desde então tornou-se o protetor dos corcundas, albinos, aleijados e lhe foi proibido o consumo de sal.


Todos os outros orixás aceitam o sal, exceto se houver alguma interdição detectada através do jogo.





O SAL - I



O sal é a "substância cara aos deuses".

             Citação de Platão

Origens

Desde a Antiguidade que o sal é utilizado pelos homens e é considerado um bem muitissimo precioso. Consideravam eles que era uma dádiva dos Deuses, e associaram-na tanto á religião, quanto á bruxaria. Para além disso, o seu valor monetario e economico era comparável ao do ouro, da seda e das especiarias.
A palavra sal vem do vocabulário grego “hals” e “halos”, que tanto significam sal como mar. Da mesma raiz se deriva a palavra “halita”, dada ao Cloreto de Sódio encontrado em depósitos naturais, que é o sal gema.
Na Roma Antiga, a principal via de transporte chamava-se “Via Salaria” ou “estrada do sal”. Era por essa via que chegavam as caravanas que traziam o sal para a capital do Império, era por ela que os centuriões transportavam os cristais preciosos para a cidade. Como pagamento eles recebiam o “salarium”, que significava “dinheiro para comprar sal” e recebiam igualmente umas medidas de sal como pagamento de parte dos seus emolumentos. O sal tinha assim um valor economico como unidade monetária. O uso da palavra “salarium” perdurou ao longo dos tempos, reconhecendo-se o seu nome na raiz etimológica da palavra “salário” (do latim “salariu”, ou “ração de sal”, “soldo”).
Desde 2000 a. a. que o sal é usado como forma de preservar os alimentos, carne, peixe…
Se nos nossos dias encaramos o sal como um alimento perfeitamente comum, tão comum que a generalidade das pessoas nem lhe dá a mínima importância (a não ser para dizer que a comida está salgada ou sem sal!), as coisas nem sempre foram assim...


O uso do sal ao longo dos tempos e da cultura
O sal está presente em rituais religiosos de diversas épocas e civilizações. Foi usado por gregos, romanos, asiáticos e árabes. Nas crenças populares, ele é um ingrediente obrigatório para afastar energias negativas e mau-olhado.
Existem registros do uso do sal datados de 5 mil anos atrás. O sal foi usado na Babilônia, no Egito, na China e em civilizações pré-colombianas. Nas civilizações mais antigas, contudo, apenas as populações costeiras tinham acesso a ele. Ainda assim, existiam períodos de escassez ocasionados por condições climáticas e por períodos de elevação do nível do mar.
Na Antigüidade, era oferecido aos deuses, era usado pelos sacerdotes tanto em liturgias religiosas como em cerimónias mágicas, como para afastar os demônios. Os assírios utilizavam-no nos cultos religiosos.
No antigo Egipto, o sal foi considerado matéria sagrada e era usado como produto sagrado, sendo feitas oferendas de sal aos Deuses.
Os Egípcios usavam igualmente o sal para desidratar e embalsamar o corpo dos faraós.
Os romanos consideravam o sal um simbolo de sabedoria, e por isso usavam-no num ritual aos recém-nascidos: derramavam sal sobre eles para que não lhes faltasse a sabedoria.
Os Romanos e os Gregos nos seus sacrifícios aos deuses do lar, deitavam Sal na cabeça do animal, para o purificar. Para eles o sal simbolizava igualmente a destruição e a infertilidade, daí a pratica dos romanos espalharem sal nas terras conquistadas: para elas se tornarem estereis para sempre. Era um sinal de perpétua desolação. Os Romanos tinham uma expressão para exprimir a infidelidade a uma amizade que era “trair a promessa e o sal”. Assim desde aqueles tempos a ausência de um saleiro sobre a mesa representava um presságio, tanto quanto o sal derramado.
Da prática ritualistica destes povos, bem como do povo hebreu, de salgar os sacrificios oferecidos aos Deuses, nasce uma superstiçao muito comum na Antiguidade. Se o sal era derrubado na hora do sacrificio, prenunciava má sorte.
Para os hebreus, o sal era um elemento purificador. O sal sempre teve um grande simbolismo, sendo o simbolo da perenidade da aliança entre Deus e o povo de Israel.
No cristianismo, mantem-se a crença judaica do sal como purificador, assim no ritual de baptismo era colocado sal nos lábios dos recém-nascidos.
Na Idade Média, os alquimistas usavam o sal como elemento entre o mercurio e o enxofre, sendo essencial á transmutação de metais. O sal continuava sendo indispensável para afastar os maus espiritos, os demónios e as bruxas. Assim, deitava-se sal na chaminé da casa para impedir os demónios de nela entrarem. E o facto de alguém comer alimentos sem sal era considerado altamente suspeito!!! Proliferaram igualmente as superstições relativas ao sal, mantendo-se a supertição de que desperdiçar sal era mau agouro, era sinal de malefício. Nesta época, o Sal separava senhores e servos, os que tinham dinheiro e os que não tinham...
Na obra de Leonardo da Vinci (1452-1519), “A última ceia” retrata um saleiro derrubado diante de Judas e apontando na sua direcção. Já naquela época dizia-se, que algúem que entornasse sal deveria pegar nalgum do que foi derramado e lançá-lo para trás do ombro esquerdo, lado que representava o mal.
Os árabes citam recomendações de Maomé para: "começar pelo sal e terminar com o sal; porque o sal cura numerosos males".

continua.........

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

FAVAS





FAVAS



    A fava simboliza o sol mineral, o embrião. Evoca o enxofre aprisionado na matéria.
   
     As favas fazem parte dos frutos que compõem as oferendas rituais.  Elas representam os filhos-homens esperados; numerosas tradições confirmam e explicam essa aproximação.  Segundo Plínio, a fava era usada no culto dos mortos por acreditar-se que continha a alma dos mortos.  As favas, na qualidade de símbolos dos mortos e de sua prosperidade, pertencem ao grupo dos Deuses protetores.  No sacrifício que se costumava realizar na primavera, elas representavam a primeira dádiva vinda de baixo da terra, a primeria oferenda dos mortos aos vivos, o signo de sua fecundidade, ou seja de sua encarnação. E isso leva-nos a compreender as razões da proibição estabelecida por Orfeu e Pitágoras para os quais comer favas era o equivalente a comer a cabeça dos próprios pais, a partilhar do alimento dos mortos e, graças a isso, permanecer dentro do ciclo das reencarnações e sujeitar-se aos poderes da matéria.  No entanto fora do âmbito dessa teoria, as favas constituem, ao contrário, o elemento essencial da comunhão como os Deuses, no ápice dos rituais.
    Em resumo as favas são as primícias da terra, o símbolo de todas as benfeitorias proveniente dos Deuses que habitam debaixo da terra.
    O "campo de favas" - denominação que os egípcios usavam com sentido simbólico, era o lugar onde os defuntos aguardavam a reencarnação.  O que confirma a interpretação simbólica geral dessa leguminosa.
    Dentro do cultos dos Voduns/Orixas/inkices e outros, a fava representa e confirma a ancestralidade dos Deuses.
    Em nossos rituais, fazemos uso tanto da fava inteira como ralada, em forma de pó.  O pó, assim como a cinza é comparado ao sêmen, ao pólen das flores, à posteridade.
    Inversamente, por vezes é signo da morte.
    Fazer uso da fava e do pó da fava representa perpetuarmos nossa ancestralidade, as primícias da terra e dos Deuses.
Pesquisa e texto - Yatemi Jurema de Yansã (in memoriam) e 


Ekedi Rovena



fonte de consulta - Símbolos - Alain Gheerbrant




   1   - FAVA DE ABRE-CAMINHO
   2   - BEJERECUM

   3   - FAVA DE EXÚ
   4   - GARRA DE EXU
   5   - FAVA DE OBALUAYE
   6   - DANDA DA COSTA
   7   - IKIN
   8   - FAVA DE OGUM
   9   - FAVA TONCA
   10 - FAVA DE JATOBA
   11 - OROBO
   12 - FAVA DE XANGO - ALIBÉ
   13 - PIXURIN
   14 - AMENDOIM
   15 - COCO DO DENDE
   16 - NOZ NOSCADA
   17 - ATARÉ
   18 -  FAVA DE IANSÃ
   19 -  ARIDAN
   20 - FAVA DE OXALÁ
   21 - FAVA ARIO
   22 - FAVA DE OXUM
   23 - FAVA DE AGUÉ
   24 - FAVA CUMARU
   25 - FAVA OFA
   26 - LELECUN
   27 - FAVA DE LOGUN
   28 - FAVA DE OBALUAYE
   29 - FAVA DE OSAIN
   30 - FAVA DE OXOSSI
   31 - FAVA DE KARITE

sábado, 23 de janeiro de 2010

RITMOS DO CANDOMBLÉ - PARTE I

De modo geral, pode-se definir candomblé como uma designação dada a várias formas de expressão religiosa de origem africana que têm como base a crença em ancestrais divinizados e fazem do estado de transe mítico a forma, por excelência, de contato entre os deuses e a comunidade religiosa. Esses deuses são
chamados de “orixás”, “voduns” ou “inquices”, de acordo com a “nação” à qual a casa esteja ligada. Candomblé Jeje, Angola, Ketu-Nagô, Macumba, Xangô do Recife, Batuque e Tambor de Mina são algumas das possíveis modalidades rituais e litúrgicas encontradas pelo país.
Os diferentes toques executados pelos atabaques, por si só, podem configurar e delimitar a “nação” à qual está vinculada uma casa de santo. Assim, o que se costumou chamar de candomblé Ketu-Nagô pode ser definido “também” pelos ritmos tocados pelos tambores no contexto litúrgico-religioso
“O som é a primeira relação com o mundo, desde o ventre materno. Abre canais de comunicação que facilitam o tratamento. Além de atingir os movimentos mais primitivos, a música actua como elemento ordenador, que organiza a pessoa internamente”
O som é o condutor do Axé do Orixá, é o som do couro e da madeira vibrando que trazem os Orixás, são sinfonias africanas sem partitura.
 O ritmo é algo visto como uma expressão de diferentes domínios da vida da comunidade de santo, assumindo variadas e significativas formas de realização. Essa visão aproxima-se do modelo conceitual traçado por Kofi Agawu (African rhythm. Londres: Cambridge University Press, 1995). quando define cinco domínios básicos de “modos rítmicos de significação”:

- Domínio gestual
- Domínio oral / aural (com atributos tonais e rítmicos
- Domínio da música vocal (com ritmo livre e estrito)
- Domínio da música instrumental (linguagem dos tambores e ritmos de dança)
- Domínio coreográfico
  No espaço do terreiro, esses domínios se realizam não só durante os rituais públicos mas no dia-a-dia da comunidade. A tentativa de fazer aqui uma tipologia das linhas-guia executadas pelo agogô só fará sentido se as reconhecermos como uma expressão rítmica particularizada e circunscrita – particularmente o domínio da música instrumental – que, no entanto, se inter-relaciona com todas as outras dimensões rítmico-expressivas.
Observando esses domínios de expressão rítmica, vemos que a prática instrumental dos tambores está intimamente ligada a formas específicas de configurações gestuais e posturais; a rítmica gestual é, assim, a materialização tridimensional do fenômeno sonoro. Quando um tocador eleva o braço para executar uma batida, no atabaque ou no agogô, esse ato configura-se também como um evento rítmico dotado de temporalidade estrita. Dessa forma, a percepção da articulação instrumental do som musical passa não só por sua captação sonora, ou seja, como ele é “ouvido”, mas também pelo entendimento de que sua realização se dá num tempo e num espaço determinados; em outras palavras, a percepção de “como” ele é articulado.
Os Atabaques, são os principais instrumentos da música do Candomblé, cuja execução é da responsabilidade dos Ogãs.
São de origem africana, usados em quase todos rituais, típicos do Candomblé. De uso tradicional na música ritual e religiosa, são utilizados para convocar os Orixás.
O Atabaque maior tem o nome de Rum, o segundo tem o nome de Rumpi e o menor tem o nome de Le. No Gantois, Mãe menininha denominava os atabaques como Ilu, Ilu da direita e ilu da esquerda, No batuque h


á três tipos de ilu, de tamanhos diferentes: o maior é o INHÃ, 


o médio, MELÊ ANCÔ  e o menor, MELÊ. Para o povo Bantu,o maior NGOMA UA TXINA, o médio NGOMA UA MUCUNDO e o menor NGOMA UA CASSUMBI. 










Os atabaques no candomblé são objectos sagrados e renovam anualmente esse Axé. São usados unicamente nas dependências do terreiro, não saem para a rua como os que são usados nos Afoxés, estes são preparados exclusivamente para esse fim.
As membranas dos atabaques são feitas com os couros dos animais que são oferecidos aos Orixás: independente da cerimónia que é feita para consagração dos mesmos quando são comprados (o couro que veio da loja geralmente é descartado), só depois de passar pelos rituais é que poderão ser usados no terreiro
Os atabaques do candomblé só podem ser tocados pelo Alagbê (nação Ketu), Xicarangoma (nações Angola e Congo) e Runtó (nação Jeje) que é o responsável pelo Rum (o atabaque maior), e pelos Ogãs nos atabaques menores sob o seu comando
É o Alagbê que começa o toque, e é através do seu desempenho no Rum que o Orixá vai executar a sua coreografia de dança, sempre acompanhando o floreio do Rum.
O Rum é que comanda o Rumpi e o Le.
Fonte: vários sites


AGOGO/GAN

Do iorubá agogô, que significa 'sino'. Instrumento de percussão introduzido no Brasil por africanos, presente em várias manifestações musicais afro-brasileira, como a capoeira, o maculelê e o candomblé. O instrumento é composto de uma ou mais campânulas, de tamanho e sonoridade diferentes, geralmente de ferro, percutidas por uma vareta, geralmente de metal. Chama-se também gonguê, gan ou gã e xeré.
Texto: http://www.iluobademin.com.br







Aguidavis/ Akidavis/ D’avenin: Aguidavis são varetas feitas de madeira, aqui no Sul é costume utilizar Cambuim ou na falta a goiabeira como matéria prima para confecção dos aguidavis, e com essas varetas e com a mão é que são tocados os tambores. Sendo essas varetas diferentes das utilizadas no Candomblé de Keto, tanto no tamanho, quanto na espessura e comprimento, os aguidavis de Jeje são mais curtos de espessura grossa e não são retos, sendo algumas tortos na ponta que são chamadas de aguidavis de volta, o que redobra.
No antigo Daome Existem três tipos de akidavis: o primeiro é D’ele, que é uma vareta longa cortada angularmente, e que normalmente, é usada com os tambores menores e posicionados entre as pernas com o couro para frente e a ressonância para trás; o segundo é o D’humpi que são as varetas arredondadas, normalmente tiradas de árvores sagradas como a gameleira branca, baobá ou árvore de cola, que são utilizadas com diversos diâmetros para os tambores de médio a grande porte; o terceiro, o D’Avenin, são varetas com a ponta curvada e que são tocadas com os tambores cujo couros estão em ambos os lados Segundo os velhos bokonos do Daome, o grande tambor é tocado com par de D’avenin tirado da árvore sagrada do kwe, especialmente feitos por vodunsis virgens.Também se utiliza ainda o Xequerê.
Texto de Pai Leo de Oxalá- http://leodeoxala.blogspot.com

Xequerê
Instrumento feito de cabaça, que é um fruto da família do melão e da abóbora, portanto pode ser encontrado em diferentes formatos e tamanhos, já que são feitos a partir de um material natural. A cabaça é envolta por contas que, ao deslizarem, produzem acentos e ritmos. O xequerê é muito usado em ritmos afro-brasileiros. No Batuque é chamado de  AGÊ.


Nomes dos Toques dos Orixás na Nação Ketu/Jeje:

ADABI AGABI ou EGO  -  Utilizado no Jeje ou Nagô – Bater para nascer é seu significado. Ritmo sincopado dedicado a Exú/Ogum.



ADARRUM – Ritmo evocatório de todos os Orixás. Rápido, forte e contínuo marcado junto com o Agôgô. Pode ser acompanhado de canto especialmente para Ogum. Utilizado no Jeje.



ALUJÁ OU ELUJÁ (divide-se em roli e pani-pani) – Significa orifício ou perfuração. Toque rápido com características guerreiras. É dedicado a Xangô. Utilizado no Ketu.


AGUERE – Em Yorubá significa “lentidão”. Ritmo cadenciado para Oxóssi com andamento mais rápido para Iansã. Quando executado para Iansã é chamado de “quebra-pratos” ou Abata (tipo de Ilu). Utilizado no ketu. Pode ser utilizado para todos os orixás.



AVAMUNHA,AVANINHA, AVANIA, REBATE OU ARREBATE - Utilizado no Jeje para todos.



BATA – Batá significa tambor para culto de Egun e Sangô . Ritmo cadenciado especialmente para Xangô. Pode ser tocado para outros Orixás. Tocado com as mãos.



BRAVUM – Dedicado a Oxumaré,Ogum  e Nanã .Ritmo marcado por golpes fortes do Run.Utilizado no Jeje.



CORRIDO, MASSÁ - Nagô  - Todos



FORIBALE -  “Dobrar o Couro” Nagô - ´Pessoas Notáveis



HUNTÓ ou RUNTÓ – Ritmo de origem Fon executado para Oxumaré. Pode ser executado com cânticos para Obaluaiê e Xangô



IGBIN – Significa Caracol. Execução lenta com batidas fortes. Descreve a viagem de um Ancião. É dedicada a Oxalufã.



IJESA – Ritmo cadenciado tocado só com as mãos. É dedicado a Oxum quando sua execução é só instrumental.  Usado também para Ogum, Oxalá e Exu



ILU – Termo da língua Yorubá que também significa atabaque ou tambor. Ritmo dedicado a Oya/Iansã



KAKAKA-Umbó ou Batá-Cotô  - Ketu  -  Xangô, Oxaguiã



KORIN- EWE ou AGUERÉ DE OSSAIN – Originário de Irawo, cidade onde é cultuado Ossain na Nigéria. O seu significado é “Canção das Folhas”.



OGUELE – Ritmo atribuído a Obá. Executado com cânticos para Ewá.



OPANIJE – Dedicado a Obaluaiê, Onile e Xapanã. Andamento lento marcado por batidas fortes do Run. Significa “o que mata e come”



SATÓ – A sua execução lembra o ritmo Bata com um andamento mais rápido e marcado pelas batidas do Run. Dedicado a Yemanja ,Oxumaré ou Nanã. Significa a manifestação de algo sagrado.



TONIBOBÉ – Pedir e adorar com justiça é o seu significado. Tocado para Xangô


Angola/Congo
Arrebate
Congo de Ouro
Cabula
Barra Vento
Alujá
Ijexá
Muzenza


No Batuque é tocado o:


Ogueré” para Odé e sua mulher, Otím; 
Biofã”, para Oxalá, Iemanjá, Oxum, Xapanã e Obá. 
Alujá”, um ritmo rapidíssimo, para Xangô;
Jêje”, também muito rápido, para todos os orixás em sua forma jovem
Aré”, com andamento similar, para Ogum, Bará, Oiá, Xangô, Ossanha, Xapanã,
Oxum e Oxalá. 
Lô-coridí” (para outros “olocorí”) para a Oxum Docô, a velha.


Texto: vários sites

          Tambores do Nordeste
Aqui vemos três Ilus, tembores muito utilizados nos cultos de Tambor de Mina, no sítio de Pai Adão e na Casa de Xambá. E alguns atabaques, de uso clássico dos Candomblés da Bahia. Seu uso se expalhou para o resto do país devido à facilidade de sua confecção e transporte. O tambor gigante é um tambor jeje de dois metros de altura - as tradições Fon se utilizam de tambores Rwm gigantescos de até quatro metros da altura, onde repetem a lenda da serpente Damballawedo, que se enrosca na árvore para guardar o segredo do mundo. Reparem no desenho da cobra no casco do tambor. Ao lado, um Lé e um Rumpi especial (apear de estar aqui na foto como um tambor do nordeste, é um tambor do Rio de Janeiro. Este é um atabaque consagrado a Exu e é um tambor com quase cem anos de idade, podendo ser considerado o "primeiro" atabaque da Umbanda.

Foto e texto: http://acervoayom.blogspot.com/2009/12/ayom-sai-pelo-mundo.html

Tambores da região sudeste
Vemos aqui duas Ngomas com cravelhas, datadas de quase 50 anos, uma outra Ngoma com sistema de cordas que pertenceu a um Xicarangome de Joãozinho da Gomea. É um tambor que tem, no mínimo, 150 anos. Uma outra Ngoma com sistema de cravelhas em pé, do Paraná; Ao fundo, um tambor de Congada. E duas congas clássicas, que são o correspondente moderno das antigas Ngomas, os tambores originais da região sudeste, que mais tarde foram substituídos pelos atabaques, mais fáceis de fabricar e transportar. Coisas da indústria.

Foto e texto: http://acervoayom.blogspot.com/2009/12/ayom-sai-pelo-mundo.html

Tambores do Sul

No meio, vemos o raríssimo tambor Inhã, tambor dedicado a Xangô. Ao lado dois tambores de batuque, um bem antigo, feito de latão, dedicado a Oxum e a Ogum; O outro feito de madeira, dedicado a Exu. Ao lado, o raríssimo tambor Nanico, usado em pouquíssimos templos nos dias de hoje, de origem Jeje. E um Abê, conhecido também como Xequerê. Repare que a Inhã, assim como os batás é um tambor que não pode tocar diretamente o solo, por isso está sobre um banquinho.

Foto e texto: http://acervoayom.blogspot.com/2009/12/ayom-sai-pelo-mundo.html

Bata Drums - Nigéria

é só apertar o play para ouvir os toques