sexta-feira, 26 de novembro de 2010

OTOLU/OXOSSI,ODÉ/NGUNZU - PARTE IV - QUALIDADES OXOSSI/ODE

QUALIDADE


AKUERAN:  Um título que faz referência ao fato de se matar a caça, é o que faz todo caçador. Velho, come carne crua, culto realizado na madrugada. Tem fundamento com Oxumarè e Osónyín e Exu. Muitas de suas comidas são oferecidas cruas. Ele é o dono da fartura, ele mora nas profundezas das matas. Veste-se de azul claro e tiras vermelhas, suas contas são azul claro. Seus bichos são: papagaio e arara, tira-se as penas e solta-se o bicho. Senhor do couro dos animais grudados nas paredes das casas de ásé, representando que ali houve um sacrifício e que ali, houve alimento para a sociedade.
 


ÀROLÉ: Deus da caça, veste-se de peles de animais, usa polvari, come carne crua, usa duas capangas, debaixo do assentamento tem uma estrela. É invocado no padê de Exu. É o verdadeiro rei de Ketu, as pessoas dele são muito antipáticas, jovem e romântico, gosta de namorar, vive mirando-se nas águas, apreciando sua beleza. Come com Ogún e Oxún, aprecia carne de veado e é ágil na arte de caçar.
Caçador da floresta da morte não teme Ikù nem Egun, este é um título exclusivo do Orixá Oxóssi que é um Oxô, feiticeiro, foi ele quem criou o pó de nome Arole que tem a capacidade de espantar Egun e a Morte. E presenteou Oiá com o Eruexim para que ela pudesse se proteger dos Eguns.


DANA DANA:  Literalmente, o caçador acendeu o fogo; quando termina a sua caçada ele acende o fogo para cozinhá-la e preparar sua refeição, desta forma este é um título que pertence a todos os Orixás caçadores. Ele é o Orixá que entra na mata da morte. Nesta fase, Òsóòsí se mostra muito agitado, estando coligado ao interior das florestas  e sai sem temer EGUN e a própria morte.Segundo os ítàns foi ele quem caçou a serpente(Dàn) e perdeu a vida para ela. Rege o poço de gbèsèn(dentro das casas de djèdjè) e todas as raízes comestíveis;   tem fundamento com Exu, Osónyín, Oxumarè, Oya e Obaluaê/Omulú.  Veste azul claro.

FIGBOLÉ: Este é um título de Oxóssi que quer dizer, arqueiro habitante da floresta. É o guardião dos pescadores, senhor das ilhas e bancos de areia; Tem a propriedade de proteger todos os filhos de Yèmònjá. Nessa variação é coligado á Yèmònjá e a seus domínios, largando a mata e sendo cultuado nas águas do mar, próximo a sua mãe;


GENDEPE: É do mato, violento.


IGBO: Muitas são as confusões relacionadas ao culto dessa variação de Oxossi. Ora seu culto está relacionado ao barro e a tabatinga, ora relacionado ao culto as águas. Em algumas culturas seria o pai deLogun-Ede. Nessa fase tem muito fundamento com Òmòlú, Nànà e Òsún. Veste palha da costa e cores escuras, relacionada a terra. Possui muita ligação com ègúns; Mania de perfeição


INLÉ : É o filho querido de Oxaguian e Yemanjá. Veste-se de branco em homenagem a seu pai. Usa chapéu com palmas brancas e azuis claro. É tão amado que Oxaguian usa em suas contas uma azul claro de seu filho. Come com seu pai e sua mãe (todos os bichos) e tem fundamento com Ogún Já. É tido por muitos como um òrísá independente, sendo filho de Òsóòguíàn e sempre estando ao lado de seu pai. É o grande caçador de pombos, aquele que ofertou o ílé á Òsáàlá. Veste branco;


KARELE - Este é um título de Erinlé, que quer dizer, o que pode nos amparar em nossa casa


KOIFÉ: Não se faz no Brasil e na África, pois, muitos de seus fundamentos estão extintos. Seus eleitos ficam um ano recolhidos, tomando todos os dias o banho das folhas. Veste vermelho, leva na mão uma espada e uma lança. Come com Osónyín e vive muito escondido dentro das matas, sozinho. Suas contas são azuis clara, usa capangas e braceletes. Usa um capacete que lhe cobre todo o rosto. Assenta-se Koifé e faz-se Ybo, Ynlé ou Oxún Karé; trinta dias após, faz-se toda a matança.


ODE ERINLÉ: Grande caçador da região de Ílògbú. Está ligado a caça de animais de grande porte. Seu culto é completamente aquático mas, assim como Òdé Ígbò passa por deturpações de cultura, ora tendo seu culto nas águas e ora tendo seu culto na terra. É confundido com Òdé Ígbò por vários motivos e um deles, é o fato de também ser tido como o verdadeiro pai de Logun-Ede. Nessa fase é extramamente ligado a

Iemanja,Oxun e Oxalá

ODÉ KARE: É ligado as águas e a Oxún, porém os dois não se dão bem, pois, exercem as mesmas forças e funções. Come com Oxún e Oxalá. Usa azul e um Banté dourado. Gosta de pentear-se, de perfume e de acarajé. Bom caçador, mora sempre perto das fontes. Protege todos os animais de natureza anfíbia, ou seja, que vivem tanto na água quanto na terra. É um grande caçador porém, um exímio pescador, morando próximo as águas e recebendo suas oferendas na beira dos rios.


ODÉ WAWA: Vem da origem dos Orixás caçadores. Veste-se de azul e branco, usa arco e flecha e os chifres do touro selvagem. Come com Oxalá e Xangô, pois, dizem que ele fez sua morada debaixo da gameleira. Está extinto, assenta-se ele e faz-se Ayrá ou Oxún Karé.

ODÉ WALÈ: É velho e usa contas azuis escuro. É considerado como rei na África, pois, seu culto é ligado diretamente à pantera, é muito severo, austero, solteirão e não gosta das mulheres, pois, as acha chatas, falam demais, são vaidosas e fracas. Come com Exu e Ogún.

ODE OSE EWE: É o senhor da floresta, ligado as folhas e as Osonyín, com quem vive nas matas. Veste azul claro e usa capacete quase tampando o seu rosto.Nessa fase, Òsóòsí está extremamente relacionado á Òsànýn e as folhas. Aprendeu com o deus das ervas todos os segredos sobre as plantas. Foi nessa passagem que teria sido enfeitiçado por Òsànýn e fora morar no interior das matas, como seu companheiro;


ODEMIRA: Acompanha Yemanjá, cultuado apenas no Axé Opo Afonjá.

ODOOKE: Vive nos montes, Oxun do lado, come bode castrado.


OKOLO: Velho, é Ossaiyn que traz esta qualidade no barracão.

ONIPABO: Violento, acompanha Ogún, veste-se de azul, verde e vermelho.Nessa variação, Òsóòsí rege e protege todas as aves e suas plumagens. Se alimenta apenas de pássaros, gostando de ser adornado de plumas e penas. Coligado á Òsànýn e Òsúmárè(gbèsèn);


ORIEJE: Veste verde, é assentado na floresta.

ORUMINA: É do mato, aprecia animais selvagens.


OSONGBO: Vem ao barracão com uma flauta de osso, cultua egungun.


YBUALAMO: É velho e caçador. Come nas águas mais profundas. Conta um mito que Ybualamo é o verdadeiro pai de Logunedé. Apaixonado por Oxún e vendo-a no fundo do rio, ele atirou-se nas águas mais profunda em busca de seu amor. Sua vestimenta é azul celeste, como suas contas. Come com Omolú Azoani, usa um capacete feito de palha da costa e um saiote de palha.

sábado, 2 de outubro de 2010

OTOLU/OXOSSI,ODÉ/NGUNZU - PARTE III - OXOSSI


OXOSSI é um orixá que revela a importância da caça entre os povos africanos, com reflexos no culto religioso. Sendo um caçador, lembrando que antigamente na África os caçadores eram os responsáveis pelo sustento e manutenção das aldeias, é o Orixá que garante a fartura, sustento, alimentação e prosperidade ao ser-humano. Muitas vezes é chamado de Odé Wawá, ou seja, "Caçador dos Céus". Ele é considerado a divindade da fartura, da abundância, da prosperidade. Em seu lado negativo, porém, pode ser também o pai da míngua, da falta de provisão. Deus da caça, das úmidas florestas, com o Ofá abate os javalis, as feras, É o invencível caçador.
Rei Oxossi, senhor do Keto, rodeado de animais, usa capanga e um elegante chapeú de couro de abas largas enfeitado de penas de avestruz nas cores azul e branco. Leva dois chifres de touro na cintura, além do arco e uma flexa de metal dourado, Ele dança com arco e flecha numa mão e na outra com o Irukérê. Usa saiote de plumas verdes ou multicores; penacho e capacete verdes. Pulseiras e braceletes de bronze. Algumas vezes veste-se de azul-turqueza ou de azul e vermelho. Sua dança é mímica de uma caçada e simula o gesto de atirar flechas para a direita e para a esquerda, o ritmo é "corrido" na qual ele imita o cavaleiro que persegue a caça, deslisando devagar, às vezes pula e gira sobre si mesmo. É uma das danças mais bonitas do Candomblé. Sua comida preferida é a carne de porco. Gosta também de bode e galo mas não tolera feijão branco. Na qualidade de de caçador, Oxossi tem sua casa ou assento no quintal do candomblé, quase sempre no meio de arbustos e folhagens. Além de Oxossi, também Exu, Ogun e Ossãe têm a habitação ao ar livre e, como insígnia, um objeto de ferro forjado. As quatro divindades estão intimamente interligadas.




Suas insígnias são o OFÁ (arco e a flecha de metal, conjugados),  



 os Oge - Chifres de touro - chamados Olugboohun (o Senhor escuta minha voz), que é um poderoso meio de comunicação entre o Aiyé e Orún.



e o IRUKERÉ (espanta-mosca - símbolo dos Reis na África e afugentador e dominador de Égúns);
O IRÚKÉRÉ ou ÉRÚKÉRÉ é uma espécie de cetro feitos com pelos do rabo de touro, presos a um couro duro, constituindo um cabo, e revestido com um couro fino, ornado com contas e cauris (búzios). É um dos principais instrumentos dos caçadores e detém poderes sobrenaturais.
Na África nem um caçador, se aventuraria, a ir à floresta sem seu írúkéré. É preparado com pós e remédios de diversos tipos, assim como folhas e fragmentos triturados dos animais sacrificados. Antes de serem presas, as raízes dos pelos devem durante algum tempo, ficar imersas num pote com uma combinação de elementos que constituem um axé especial, que lhe conferirá suas atribuições necessárias. Não é apenas mais um emblema, tem o poder de manejar e controlar todo tipo de espíritos da floresta. Os pelos do rabo - parte posterior (poente) - representam os ancestrais, espíritos de animais e de todo tipo de espírito da floresta. O Irukeré só era usado pelos reis africanos, pendurado no saiote. Oxossi é o único Orixá que entra na mata da morte, joga sobre si um pó sagrado, avermelhado, chamado AROLÉ, que passou a ser um de seus dotes. Este pó o torna imune a morte e aos EGUNS.



Insignia de Oxossi
Oxossi, em sua atividade venatória, penetra na mata e é Exu quem o ajuda e orienta; é Exu quem lhe abre os caminhos. Esses caminhos, porém, são dificultados pela galharia enredada, espinhos, cipós, imprevistos. Aí ocorre Ogun, de quem Oxossi seria filho ou irmão caçula. E Ogun, com sua espada, limpa os caminhos para a penetração do caçador divino. Uma vez dentro da mata, Oxossi está nos domínios de Ossãe, o que reina sobre os vegetais. E Ossãe ensina-o a conhecer as ervas que curam os homens e os animais, bem como as plantas sagradas, que entram na liturgia dos orixás. Está estreitamente ligado a OGUM, de quem recebeu suas armas de caçador. Conta a lenda que OSSÃE apaixonou-se pela beleza de OXOSSI e prendeu-o na floresta. OGUM consegue penetrar na floresta, com suas armas de ferreiro e libertá-lo. Ele está associado ao frio, à noite, à lua; suas plantas são refrescantes.
Nos mitos falam que Oxossi é filho de APAOKA (jaqueira). Que ele foi o caçador de elefantes, animal associado à realeza e aos antepassados. E há um mito que conta que OXOSSI encontrou IANSÃ na floresta, sob a forma de um grande elefante, que se transformou em mulher. Casa com ela, tem muitos filhos que são abandonados e criados por OXUM. Oxossi vivendo na floresta onde moram os espíritos, está relacionado com as árvores e os antepassados. As abelhas pertencem-lhe e representam os espíritos dos antepassados femininos. Relaciona-se com os animais, cujos gritos imita a perfeição; é um caçador valente e ágil, generoso, propicia a caça e a pesca, e protege contra o ataque das feras. Seu ILÁ (canto), conforme sua qualidade, parece o cantar de um pássaro ou o berro de um animal. É um solitário solteirão, depois que foi abandonado por IANSÃ e também porque na qualidade de caçador, tem que se afastar das mulheres, pois elas são nefastas à caça.

CONTINUA............

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

OTOLU/OXOSSI,ODÉ/NGUNZU - PARTE II - ANGOLA



• Ngunzu: - Engloba as energias dos caçadores de animais, pastores, criadores de gado e daqueles que vivem embrenhados nas profundezas das matas, dominando as partes onde o sol não penetra.


Mutakalambo


Entre os Tshokwé, o primeiro caçador mitológico de todos os tempos éKawa ka Tschimbundu, considerado um Hamba poderoso prescrito pelo "Tahi" (Adivinho) na maioria das vezes em que há necessidade de harmonizar o caçador.
Mutá é um Hamba encontrado entre os Tschokwé, no qual aparece como uma divindade dos caçadores terrestres. Sua representatividade é um cão, aquele capaz de farejar a caça, companheiro inseparável dos caçadores e que também recebe Itumbu (Filtros mágicos) para adentrar as matas.
Mutá aparece sempre, nos cultos, acompanhado de Sambongo (figura masculina) e Nambongo (feminina) que têm como primeira função tornar a caça benéfica, protegendo os caçadores que reside nas florestas. Acompanha também Mutá o Hamba Samukishi (O senhor das máscaras), aquele que recebe a primeira Menga do animal abatido e que somente depois será ofertado a Mutá. Portanto, dentro de um Tshipanga (Cercado onde se encontram os Hamba), Mutá nunca se apresenta só.
Nas regiões de Luanda, Mutakalombo, aparece como uma divindade dos animais aquáticos e sob as suas ordens encontram-se: Kaiongo (sua esposa) que também está ligada aos animais terrestres, Samba Zundo que ocupa também o lugar de esposa de Mutakalombo.
Segundo Oscar Ribas: Mutakalombo - espírito que superintende na esfera dos animais aquáticos. Entidade espiritual da fauna aquática.
Foi cônego, saiu de Portugal, andou por muitas localidades e morreu velho, razão por que assim é invocado nos seus cânticos. Finou-se num montículo de Salalé, num Musseque das imediações de Luanda.
É único com esse nome, passando a adaptar nas atuações seu cão é o jacaré, de que se serve para punir uma falta grave. Em várias pesquisas Mutakalombo aparece como divindade aquática, que utiliza seu jacaré (Ou crocodilo) para arrebatar mulheres na beira d’água com a finalidade de servi-lo. Aquelas que conseguem sobreviver e retornam, recebem o poder de Mutakalombo para sacerdote.
Junto com Mutá, encontramos Mutanjinji, divindade feminina que superintende a esfera dos animais terrestres, é a “Entidade da Fauna Terrestre”.
Encontramos também Kabila que serve a Mutanjinji e tem ligação com Mutakalombo, sua função é a de Pastor. Quando um caçador não consegue abater uma peça de caça, e, por intermédio de um Xinguilador (Feiticeiro-Nganga), suplica a Kabila sua intervenção, este lhe proporciona alguns animais que furta ao amo, difícil de aceder a tais pedidos.
Após a caçada, o caçador, como testemunha de verdade, apresenta ao Xinguilador as caudas dos animais abatidos. Na sua presença, ajoelha-se bate palmas de reverência e, tomada à bênção, informa-o do número de cabeças mortas.
Regressando ao mato, esquarteja todas as peças e torna a voltar á casa do Nganga com a carga. Então, cozinham as miudezas e, com a referida iguaria, brinda os Calundus(Divindades justiceiras e mendicantes), que se manifestam no Xinguilador em estado de possessão.
Durante a partilha, o caçador permanece de joelhos. Em caso de ingratidão para com a divindade, isto é, se não lhe participar o resultado da caçada, jamais tornará a abater uma só peça. É a punição.
A palavra Kabila vem de Kubila, que significa "Pastorear".
Vale a pena ressaltar que a classe mais alta entre os Bantu é a do caçador, em seguida vem a dos Ferreiros, e que vários são os ídolos de caça, mas aqui citamos apenas os conhecidos dentro do culto Angola/Kongo no Brasil.
http://cobantu.com/divindades/minkisi_mutakalambo.htm

QUALIDADES:


ARIRÈ – ligação com Zazi - Danda - Lemba
BARANGUNANJE - ligação com Pambunjila - Danda
BARANGUANJE - ligação com - Zazi - Danda
GANGOLA – ligação com Lembá - Kavungu - Danda
GONGOBILA - ligação com Danda - Telekompensu
HINGUÈ – ligação com Katende - Kavungu - Zumbá
INDARO - ligação com Nkosi - Zazi
KABILA - ligação com - Katende
KAIZA – ligação com Zazi - Nkosi - Danda
KASSANGUANJE - ligação com Zazi - Danda - Nkosi
KITALA MUNGONGO - ligação com Danda - Kaiangu
KUTALA - ligação com Hangolò - Mina Aganji - Mina Lugano - Kavungu
MUHANGUE - ligação com Kaiala
MUSSAMBURA - ligação com Zumbá
MUTAKALAMBO (o mais velho de todos) - ligação com Kavungu - Lembá
MUTALAMBÔ - ligação com Kavungu - Kitembu
SANDANGUANJE - ligação com Zazi - Danda
TALA MUZANGUÈ - ligação com Nkosi
TATA KEWALA - ligação com Kaiangu - Mina Aganji - Mina Lugano
TAWÀ MUGONGO – ligação com Nkosi
TAWAMIN – ligação com Nkosi - Danda - Kaiangu

Ervas: arruda miúda, bredo de santo Antônio, caiçara, cana de macaco, capim limão, pitanga, capeba, eucalipto, guiné, erva santa, folha de goiaba, hortelã, lagrima de nossa senhora, são Gonçalinho. Esímho cheiroso.
Flores: Flores do campo, orquídeas, flores silvestres.
Frutas: goiaba, amora, cajá, carambola, manga, coco, cereja, pitanga.
Oferendas:
Lombí ( abóbora cozida com um pouco de dendê e azeite doce),
Didoca ( mandioca cozida com melado ),
Assola ( milho vermelho cozido com feijão carioca com azeite doce e dendê),
Efuanga ( cozido de folha de mandioca ),
Doces: cocada, cural, pamonha, pé de moleque, suco de pitanga.







VODUM AZIZA



AZIZA

Aziza é um vodún anão das florestas da África Ocidental, que confere grande força e poder com a capacidade de curar os homens através de seu excepcional conhecimento das ervas.) 
Vodun Aziza é representado por São Benedito
Dia consagrado: quinta-feira
Comida: Weli sivo amanjé - bata doce cozida, amassada e temperada no dendê, com lascas de coco.
Cores: Verde, vermelho e amarelo que simbolizam a esperança e o vigor e atraem conquistas e prosperidade.
Características do Orixá: Aziza é criativo e prudente. Foi quem ensinou Legba, o segredo das ervas. Usa o ponuhan (2 lanças tipo arpão).
Aziza é o Atinsa beto (homem árvore).
Seu número é o 7 (criatividade).
Sua evocação: "Man Iezum!" (Boas folhas, estou aqui!).



Certa vez um caçador que emigrou para uma determinada área bem florestada, estranhou por que a caça estava à cada dia que passava mais reduzida, num dia em que caçava no interior de uma floresta, onde aprofundou-se, e sem ouvir sequer um ruido, voltando-se depara com um ser pequenino, tipo anão, de olhos luzentes e avermelhados como brazas vivas, era Azizà, grande amawato (curandeiro), azètɔ ́(feiticeiro) e protetor dos animais e plantas das florestas que se apresentou e lhe perguntou o que ele fazia ali? O caçador respondeu que estava em busca de caça, porquê estava com fome. O pequeno ser, então, disse que da próxima vez que voltasse, troussesse dois frangos para comer, mas que lhe faria um “bò” para que nunca faltasse comida em casa, já que fazia muitos e com distintas finalidades. Mas o que seria o tal “bò”? O caçador muito assustado com tudo isso, voltou para casa pensando como poderia levar dois frangos se somente tinha um galo e uma galinha?
Chegando em casa, para seu maior espanto, sua galinha botara muitos ovos, e alguns chocaram, e dalí se pôde tirar os frangos e levar para a floresta para que aquele gênio lhe preparasse o “bò” para sua prosperidade. O caçador penetrou na mata e assobiou chamando Azizà que lhe entregou uma estatueta esculpida em madeira, e lhe ensinou como tratá-la. Ele retornou com o “bò” e a partir dalí suas criações e campos cultivados prosperaram incessantemente, então o “bò” passou a ser adorado como objeto de culto vodún que desempenha funções místicas específicas. 


Aziza (Poema)
Aziza, clarividente espírito nos profundos abismos. Nem seus pés ou mãos deixam vestígios. Na trilha dos volumosos arbustos intercalados, sem cortes, sem ferramentas ou pirilampos na noite. Seu corpo e sua mente passaram por moradas do medo, trilhas iluminadas pelo escuro opaco e preto para entrar no reino cobiçado, mas de desconhecidos gênios.
Aziza, tua lenda alimenta várias histórias, canções e contos, e para a conta do seu destino para sempre enganados. A série de mistérios brota na lenda ancestral. Quem reforça o seu passado e seu personagem reanima a contesta. Em um solo úmido ou madeira podre, enlameada, na floresta ou sobre os montes nus, a chuva é a suspeita de tuas virtudes e de seu colorido, de seu nada e de seus feixes de madeira morta.
Em seu pensamento e seus gritos de pesados silêncios, algumas glórias ao segredo de sua medida. Outros afirmam a fúria de sua ira. Mas para todos, és uma estadia de profundidade desconhecida. Seu conhecimento das plantas, Aziza, faz da floresta, o maior hospital de Deus, que sábio pára, para assistir na madrugada ou à noite.
Você confia na serpente que levanta a folha e faz os mortos retornarem à vida, desde o sapo. Em pálida tristeza, por vezes o guerreiro procura sua ajuda, que é de uma forma desconhecida de todos os homens.
Na palma do Iroko Centenário você recolhe a água, que o céu em misericórdia enviou ao seu pedido. A procissão do vento acompanha o seu produto, e o sopro de suas localizações em passos surdos sem tentar manter o seu legítimo lugar. Invisível ao homem, com seu talento e sua íris, é Aziza no seu mítico, vagando longe dos perigos.
Tu visitas a nossa coragem em nossas entranhas, forja envergonhada, e é eleito um prodígio em sua volta, enquanto que transformou. De sua força, eles têm uma grande consciência, mas em sua memória, eles perderam a faixa, despossuídos pelo véu do passado, do cordão umbilical da sobrevivência. Eles, seus poderes e seus dons para proclamar os benefícios.
Da sua boca a palavra que alivia e cura, de suas mãos, a receita que se refere à doença. Com base nisso, eu baseio a minha crença – Aziza – na sua existência, feito desfoque e mistério que não sai. Aziza, o espírito do gênio, continua a ser aquilo que sempre foi. (Por: Fiangor, Rogo Koffi.)



Fonte: http://papoinformal.wordpress.com

sábado, 31 de julho de 2010

OTOLU/OXOSSI,ODE/NGUNZU - PARTE I - OTOLU

   
OTOLU


Quarto Vodum a nascer por ordem de Mawu-Lissa, recebendo desse a atribuição de tomar conta de  todos os pássaros e animais e de viver  nos arbustos como um caçador.
    Otolu é um Vodum autoritário e muito bruto, não gosta de receber ordens de ninguém, faz questão de ignorar iku, ele não aceita  a morte. Em seu reino (caça) considera-se absoluto.
    Conta um itan, que esse caçador chegou em uma festividade no reino de Dan vestido como um rei (rei da caça), quando Dan viu suas vestimentas virou-se para Ogum e cantou:
         "Ajó xô dominadô, orrum para cècè, orrum para cècè" = Togum, que ele mude o ajó (roupa), no  reino de Dam - Ogum foi até Otolu e transmitiu o recado.
    Otolu foi embora e logo voltou com outras roupas e batendo às portas de Dam cantou para o mesmo:
        "Ahoboboi a boia Aganga Otolu ezan, ahoboboi a boia Aganga Otolu ezan" = Dam em teu reino não serei somente Otolu e sim Aganga Otolu "
    Daí pra frente Otolu passou a usar roupas e capacetes de penas para se identificar como Aganga Otolu.
    Otolu é um Vodum de  pouca conversa. Está sempre pelos cantos observando a natureza e olhando de longe seus filhos e a casa onde reside. Em uma demanda transforma-se em um temível guerreiro ao lado de Exu, Ogum e Ossanhe. Sendo que, junto com Togum, são os mais poderosos guerreiros de uma casa de santo.
     Otolu veste roupas de cores: azul claro, azul turqueza, verde, verde e vermelho, branco. Por cima das roupas de tecido traz um saiote de pena (igual a dos índios), usa tornozeleiras,  braçadeiras e capacete de penas. Sua roupas tambem podem ser feitas com couro de coelho e de outras caças. Ele não gosta de roupas com brilho ou estilizadas.
Nas mãos, traz: lança de madeira sendo que entre a lança e o cabo aparece uma cabaça redonda e pequena; arco e flexa. Em suas indumentárias estão incluídos a cabaça pequena trazida como capanga, dois brajás cruzados no peito, chifres de búfalo e erukere.
    Seus fios de contas podem ser: azul claro, verde ou verde rajado de vermelho, dependendo da passagem do Vodum.
    Otolu come caças, carnes cruas ou assadas na brasa (em especial a de porco), milho moído, torrado ou assado na brasa, milho cozinho com fatias de coco, acará, abará, ekuru, omolocum, frutas (menos as que lembram espinho), acaçá, cabrito, frangos.
                                              Feitura - Armas e  Assentamento



  Otolu é o caçador mais velho, podemos compará-lo à Odé dos yorubanos. Existem outros Voduns caçadores.
    A feitura de um Vodum caçador difere um pouco das demais pelo fato desses Voduns não suportarem ficar presos em ambientes fechados e por não darem muito atenção a iku, o que redobra os preceitos e as atenções da equipe que participa de suas feituras.
    Ebós e preceitos são determinados de acordo com os caminhos do iniciado e do próprio Vodum, portanto não existe um padrão.
    As armas usadas nos assentamento dos Voduns caçadores são confeccionadas em ferro ou metal amarelo/branco e seu símbolo é determinado pelo Vodum que está sendo feito.  Esses assentamentos podem ser feitos usando-se a tabatinga  ou soltos.
    Os Voduns caçadores entre eles Otolu, usam roupas de cores azul, verde, branco ou estampada. Usam capacete de penas. Podem trazer nas mãos o arco e flecha, lanças, alguns trazem o arco e flecha e também um abebê, outros trazem nos ombros o couro de uma caça. Todos trazem os brajás* trançados no peito, capangas de couro ou metal, erukere, e o chifre de búfalo.
Texto:Yatemi Jurema de Oya (In memoriam)



Dà Làngàn Òtòlú é a forma que o Vòdún Òtòlú era conhecido na cidade de Savalú. Desde criança Dà làngàn mostrava as suas habilidades na caça e na arte de guerrear. Dà Làngàn foi criado para suceder o seu tio Ázáká. Diz a lenda que, quando Dà làngàn ainda um adolescente ficou perdido na floresta e foi cercado por um enorme Leopardo negro faminto. O jovem Dà Làngàn tinha o costume de tocar uma flauta de osso quando estava descansando na floresta. Esse instrumento pertencente a um Vòdún da mata ligado aos sons emitidos na floresta, Vòdún esse chamado de Àzízá, que é um adolescente que vive tocando a sua flauta de osso pelo meio da mata atraindo para dentro dela as pessoas não bem-vindas por ele. Assim quando o Leopardo o cercou, Ázízá tocou a sua flauta distraindo o Leopardo e com um ataque feroz, Dà Làngàn voou no pescoço do Leopardo e, com um punhal, cortou-lhe sua cabeça e bebeu seu sangue depois comeu algumas partes dele a fim de ter as mesmas habilidades. Assim Dà Làngàn, passou a ser muito respeitado mesmo ainda sendo um adolescente. O título de Òtòlú que significa ´´Chefe caçador de Savalú ´´ foi conquistado quando Dà Làngàn acabou com uma tentativa de invasão pelos Nago na floresta de Savalú, então seu pai o Rei Kúxòsú, deu-lhe o título de Òtòlú e no mesmo dia ele ganhou o comando dos Valutö( um grupo seleto de guerreiros caçadores que o próprio Òtòlú era membro e agora ele os comandava). Com o adoecimento de seu pai, Dà Zòjí seu irmão primogênito assumiu o trono e assim Òtòlú assumiria também os Zúncòtòlè. Quando Òtòlú assumi a liderança dos Zùncòtòlè ele ganha importância dentro do reino e principalmente dentro do clã Sákpátá pois, agora ele tinha uma função de captar alimentos da floresta e proteger o reino. Nesse tempo Ázáká, Otölú e seu primo Ázáwànì quando juntos em caçadas ou batalhas na floresta, eram chamados pelos inimigos e admiradores de Hùndèválú título dado aos grandes ancestrais Caçadores-Guerreiros da antiga dinastia de Savalú. Após a morte de seu pai e a posse em definitivo de Dà Zòjí ao trono, Dà Zòjí dá o comando do exército de Savalú para Dà Làngàn Òtòlú que, após o comando, constrói em um vilarejo perto da costa, um tipo de quartel dos Valutö e um centro de culto ao Vòdún Ázízá. Essa cidade ,depois de sua morte, foi o primeiro local de culto ao grande Guerreiro-Caçador de Savalú conhecido como Òtòlú ou simplesmente por sua velocidade e ferocidade como Tòlú-Tòlú o Guerreiro que não erra. Por ter sido cultuado primeiramente em Dàgbá e, o mesmo que gostava de tocar a sua flauta debaixo de uma árvore com o mesmo nome de Dàgbá, sua fava de iniciação é o fruto da árvore Dàgbá. Na parte litúrgica do culto Vòdún Òtòlú é responsável pela a fartura alimentícia e segurança das casas de culto próximas a florestas, em qualquer ato de colher ou caçar na floresta Òtòlú deverá ser consultado juntamente com Ázízá. Na cerimônia do Grá, Òtòlú tem a função de proteção aos neófitos quando os mesmos entram na floresta. Vòdún imprescindível nas feituras dos neófitos no Ásé do Kpò Dàgbá, pois ele é peça fundamental em uma cerimônia chamada Ámátítè.







Em outras lendas, Òtòlú pertencia a um grupo chamado Húédá de Úídá e que chegou até a região dos Áízòs e lá, por um determinado fato, ganhara a admiração do chefe de uma vila e recebera em casamento, a filha desse chefe. 
Òtòlú se torna o pai de Ábá Hànkò, que irá criar os impérios de Fita e de Savalu que, reunirá todos os Áízòs dessa região com a denominação de Mahuínos(Mahins). Antes da criação do Império Mahin, aconteceu a terceira migração do Tádò. Foi a dos Ájàs Ágàssúvís que vão criar Álàdá, Ábòmèy e Ájàxé(Porto Novo). Da reunião dessas três cidades estados surge Dahomé.
Òtòlú é muito confundido com o òrísá Òsóòsí dos yorubás porém, não possuem nada em comum a, não ser o fato de ambos serem caçadores. Tem como cores o azul turqueza ou em algumas casas o verde, como elemento a terra, como dia da semana a terça ou a quinta-feira e como saudação Áhò gbò gbò Òtòlú!!!
Texto: Mèjító Rômulo tý Dàn  -  http://africaobercodomundo.blogspot.com/

MAKEZU _ O FRUTO SAGRADO NA CULTURA BANTU



Makezu, também conhecido como makazu, mukezu, riquezu, lukezu. Como SIMBOLO SOCIAL a noz de cola faz parte de todas as atividades da vida diária e ela está associada a quase todos os eventos sociais. Para uma festa ou cerimônia para ser recompensado, as nozes de cola têm de ser oferecido aos convidados, em grandes números, se possível. Cerimônias, como compromissos, casamentos, nascimentos, que dá nome ao recém-nascido, batismo, a resolução de conflitos, a reconciliação, visitas aos idosos, funerais, o terceiro ou o quarto dia de luto ... tudo implica um imperativo o uso de noz de cola .. Isto mostra que a noz cola-se agora como um símbolo da hospitalidade, da amizade, a partilha, a compreensão mútua, respeito, solidariedade e sociabilidade. A expressão 'quebrar a cola' significa, 'partilha e amizade'. No Camarões, após receber água potável, ao visitante é oferecido uma noz de cola em sinal de boas-vindas. Se um homem de Cabinda (como também na Guiné e no Senegal) pede para casar com uma rapariga, que num primeiro momento, a fim de desvendar a sua intenção, envia uma certa quantidade de cola nozes à família da menina, a resposta é devolvido a ele da mesma forma: Para uma resposta positiva uma noz branca é devolvido, para uma resposta negativa a noz é o vermelha. Neste caso, a noz é utilizada principalmente como uma linguagem, como uma forma simbólica de comunicação entre dois grupos. Nas próximas fases seguintes, até ao casamento, maiores quantidades de frutas estão a ser oferecidos. Um hóspede se sentirá ofendido se o responsável pelo convite à casa não oferece um número importante de nozes de cola durante o evento. Em terras banto, ninguém vai visitar uma pessoa respeitada sem levar uma noz de cola. O primeiro contato entre o recém-nascido e o seu meio ambiente é estabelecida através da noz de cola, como esta é distribuída para os convidados, enquanto o nome da criança é anunciado. recusando-se a oferecer ou receber uma noz de cola é um sinal de rancor ou de conflito, tal aplica-se a toda a gente, ignorando a sua idade, sexo ou religião.
Dentre as inúmeras utilizações dos frutos nas configurações sociais, incluem o nascimento, cerimônias em que uma árvore de cola é plantada para o recém-nascido, que continuará a ser o seu proprietário ao longo da vida, morte e ritos em que é plantada uma árvore na cabeça da sepultura de um defunto chefe. As guerras foram declaradas e evitada pelo ritual apresentação e troca de noz de cola, insultos ou elogios trocados por variar a cor da casca rija oferecidos, uma vez que eles vêm na cor avermelhada e branca variedades, com o branco a ser a mais desejável. Uma audiência perante uma figura importante da entidade pode envolver a oferta de alta qualidade de noz de cola para mostrar respeito e, em muitas áreas, é uma obrigação social de oferecer a qualquer convidado a noz, com receio de ser dado um insulto. Muitas vezes a partilha da nozes de cola é uma condição prévia necessária para negócios envolvendo estrita etiqueta na apresentação, dividindo, e comendo a fruta.
O Mbuza no Congo (RDC) não iria sem uma noz de cola a um enterro ou cerimônia de luto de uma pessoa que era acostumado a consumir a noz cola freqüentemente quando estava viva. Esta é considerada a melhor maneira de se comunicar com a pessoa e para mostrar elevado respeito a essa pessoa. É profundamente mantida a dimensão 'partilha e convívio' da cola ...Mas é uma partilha dentro de uma camada restrita da sociedade, entre homens adultos, que teria o hábito de sessão em conjunto em torno de uma 'jarra'. Nessas ocasiões, a noz é cercada por uma espécie de mistério e de sua distribuição 'entre amigos' é ritualizado: uma noz está escondido sob o sua mão, ele gerencia imperceptivelmente para quebrar um pedaço que seja imediatamente posto em sua boca e mastigado, então, fazendo como se apertando as mãos do seu vizinho, ele passa a parte restante da noz para os próximos para servir-se às escondidas ... 'Proibido para aqueles que não são iniciados' parece ser a mensagem deste jogo 'sob à mesa 'dignas de um comportamento de casta. Na verdade, é o 'afrodisíaco', que é privilegiado neste aspecto, assim como o seu aspecto secreto.
Para a maioria dos povos banto, adivinhações rituais são uma parte essencial da vida diária. Um indivíduo lança peças de uma kola e pergunta ao oráculo na parte da manhã, a fim de determinar o que fazer para tornar o seu caminho com sucesso por meio do dia, uma família faz uma consulta para saber se a morte está rondando ou de conhecer a vontade dos antepassados para a resolução de conflitos no seio do lar; um rei pede ao conhecimento do seu adivinho a fazer a sua posição de autoridade segura. adivinhos são também os agentes de memória, os conservantes da história de um povo, ou, em tempos de crise, os criadores de um 'passado' ou uma 'visão'. Uma pessoa do estatuto muitas vezes é determinada por aquilo que é revelada em rituais de adivinhação da noz de cola, no momento do nascimento, provenientes da idade, do casamento, a investidura sacerdotal ou escritório real, a morte, e outros eventos críticos.
A noz de cola também aparece em práticas fetichista e animistica de adoração. Como um objeto religioso que cumpre uma função essencial neste contexto como um mediador entre o fetichista e seu paciente, entre simbolização e linguagem, os vivos e os espíritos.. É utilizado para adubar o totem antepassado, para se proteger contra o mal influências, para atrair boa sorte e sucesso. Entre a arte ritual dos Nkanu e Mbeko, o mais famoso e provavelmente também o mais original Nkisi é o Nkisi Mpungo, esses povos acreditam que sua força pode realizar todos os seus desejos e depois de confeccionada a escultura e ativar o poder da força dentro do objeto com uma semente de noz de cola, é preciso cinco folhas de capim dandá, uma noz de cola e vinho de palma, os capins são colocadas em volta do objeto e a mistura da noz mascada com o vinho de palma é borrifado sobre o capim e o objeto em sí.
Assim, como herança desses povos, nos reportamos as terras brasilis em especial para os candomblés angola/kongo que a utiliza (Tal qual os Bantos, usando os dedos e nunca objetos cortantes para parti-los) em todas as ocasiões benfazejas. No processo divinatório, para confirmações de oferendas. A noz de cola combinada com outras plantas, raízes e favas psicoativas como dandá, noz moscada, etc. reduzidas a pó, é usado em rituais de cura, no fechamento de corpo e na feitura de santo por meio de cortes agindo como cicatrizante. Nos sacramentos denominados massangá, ritual de batismo de água doce (menha) na cabeça (Mutuê) do iniciado (Ndumbi) usa-se a noz de cola (kezu), no Nkudiá mutuê, ritual de colocação de forças (Ngunzu, Muki) a santa semente está presente. Resta-nos (já que estamos em processo de resgate da cultura), como simbolo social, símbolo da hospitalidade, da amizade, a partilha, a compreensão mútua, respeito, solidariedade e sociabilidade, passarmos a ofececer essas nozes e utilizar a expressão 'quebrar a cola' que significa, 'partilhar amizade»

Texto traduzido e adaptado por Jito Mungongo

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O AXÉ



O Axé

"Energia mágica, universal sagrada do orixá. Energia muito forte, mas que por si só é neutra. Manipulada e dirigida pelo homem através dos orixás e seus elementos símbolos."

A força que assegura a existência dinâmica, que permiti o acontecer e o devir. Sem Asè a existência ficaria comprometida e paralisada, desprovida de toda possibilidade de ser, já que é o princípio do processo vital.
O elemento mais precioso do Ilê, é a força que assegura a existência dinâmica. É transmitido, deve ser mantido e desenvolvido, como toda força pode aumentar ou diminuir, essa variação está relacionada com a atividade e conduta ritual. A conduta está determinada pela escrupulosa observação dos deveres e obrigações, de cada detentor de axé, para consigo, ser orixá e para com seu ilê. O desenvolvimento do axé individual e do grupo, impulsionam o axé de ilê.
"O axé dos iniciados está ligado, e diretamente proporcional a sua conduta ritual - relacionamento com seu orixá; sua comunidade; suas obrigações e seu babalorixá."
 O filho-de-santo a partir da sua iniciação no Candomblé tem contato com esta energia, quando ele entra no mundo do Axé. É na iniciação que se dá o primeiro passo na doutrinação iorubá, a "feitura no santo". Nesse momento o filho-de-santo conhece os seres que criaram e que comandam o mundo encantado e o mundo material, aqueles que vão cuidar dos seus filhos e que por eles também serão servidos e cultuados para manutenção do Axé. Ele descobre qual o seu santo, pela primeira vez ele é "cavalo" do Orixá, isto é, ele tem a sua primeira e fundamental experiência no Candomblé, ele é possuído pelo seu Orixá.
 Axé não pode, no entanto, ser pensado como algo doado pelos Orixás ao filho-de-santo ou vice-versa. Os Orixás são considerados ancestrais detentores de Axé que se valeram dessa força geradora para criar o mundo. Na organização contemporânea eles necessitam, no entanto, do fortalecimento e da manutenção da energia. O Axé depende diretamente da relação entre o que é oferecido pelo filho (alimentos, animais sacrificados, obrigações, etc.) e como esse tem os seus objetivos satisfeitos mediante proteção, aconselhamento, cura ou qualquer tipo de intervenção do Orixá que demonstre poder.
 O equilíbrio energético que se mantém com a dinâmica interação entre dois pólos, assim como é visualizado com o símbolo chinês do yin e yang, no Candomblé se efetiva na relação filho de santo e Orixá. A possessão é de fundamental importância nessa interação energética. Aos olhos do povo de santo é nesse processo que se encontram os dois pólos interagindo no mundo material. Se, por um lado, o Orixá como personificação das forças agentes no mundo tem o seu Axé, ele é abstrato, não pode ser visualizado e, portanto, cultuado; ele não concretiza-se sem o seu filho. Torna-se imprescindível uma complementaridade material, o elegun ou "cavalo do santo". O filho tem para si o seu santo particular, que só "nasce" quando incorporado. Não se ouve de um filho de santo que ele foi possuído por "Xangô" ou "Iemanjá", mas por "seu Xangô" ou por "sua Iemanjá", aquele que só veio ao mundo porque o tem como elegun. É o que afirma Rira Laura Segato, no livro Santos e Daimones, "Assim, o Orixá que manifesta na possessão interagindo com os seres humanos não é entendido como o Orixá abstrato, mas como uma de suas infinitas instâncias, que somente existe na e através da pessoa concreta de um filho" .
 A força do axé é contida e transmitida através de certos elementos e substâncias materiais, é transmitido aos seres e objetos, que mantém e renovam os poderes de realização. O axé está contido numa grande variedade de elementos representativos dos reinos: animal, vegetal e mineral, quer sejam da água - doce ou salgada - da terra, floresta - mato ou espaço urbano. Está contido nas substâncias naturais e essenciais de cada um dos seres animados ou não, simples ou complexos, que compõem o universo.
 Os elementos portadores de axé podem ser agrupados em três categorias:



1) "sangue" vermelho
2) "sangue" branco
3) "sangue" preto 



O "sangue" vermelho compreende:

a) do reino animal: o sangue

b) do reino vegetal: o epô (óleo de dendê), osùn (pó vermelho), aiyn (mel - sangue das flores), favas (sementes), vegetais, legumes, grãos, frutos (obi, orobô), raízes...
c) Do reino mineral: cobre, bronze, otás (pedras), areia, barro, terra...


 O "sangue" branco:

a) do reino animal: sêmem, saliva, emí (hálito, sopro divino), plasma (em especial do igbin - espécie de caracol -), inan (velas)

b) reino vegetal: favas (sementes), seiva, sumo, alcool, bebidas brancas extraídas das palmeiras, yiérosùn (pó claro, extraído do iròsún) ori (espécie de manteiga vegetal), vegetal, legumes, grãos, frutos, raízes... 
c) reino mineral: sais, giz, prata, chumbo, otás (pedras), areia, barro, terra...


O "sangue" preto:

a) do reino animal: cinzas de animais

b) reino vegetal; sumo escuro de certas plantas, o ilú (extraído do índigo) waji (pó azul), carvão vegetal, favas (sementes), vegetais, legumes, grãos, frutos, raízes...
c) Reino mineral: carvão, ferro, osun, otás (pedras), areia, barro, terra... 


Existem lugares, sons, objetos e partes do corpo (dos animais em especial) impregnados de axé; o coração, fígado, pulmões, moela, rim, pés, mãos, rabo, ossos, dente, marfim, órgãos genitais; as raízes, folhas, água de rio, mar, chuva, lago, poço, cachoeira, orô (reza), adjá (espécie de sineta), ilús (atabaques)... 
Toda oferenda e ato ritualístico implica na transmissão e revitalização do asé. Para que seja verdadeiramente ativo, deve provir da combinação daqueles elementos que permitam uma realização determinada. Receber asé , significa, incorporar os elementos simbólicos que representam os princípios vitais e essenciais de tudo o que existe. Trata-se de incorporar o aiyé e o orún , o nosso mundo e o além, no sentido de outro plano. O asé de um ilê é um poder de realização transmitido através de uma combinação que contém representações materiais e simbólicas do "branco", "vermelho" e "preto", do aiyé e orún. O asé é uma energia que se recebe, compartilha e distribui, através da prática ritual. É durante a iniciação que o asé do ilê e dos orixás é "plantado" e transmitido aos iniciados.