quarta-feira, 4 de novembro de 2009

OBI - O FRUTO SAGRADO I


OBI–  NOZ DE KOLA

A noz-de-cola é o fruto de uma árvore de aproximadamente de 6 a 8 metros de altura, pertencente as plantas do gênero Cole da subfamília Sterculioideae (Malvales). As variedades mais comuns são obtidas de várias árvores do oeste da África ou da Indonésia, como Cola nitida ou Cola vera e a Cola acuminata.

Originária da África Ocidental, também conhecido pelos nomes de abajá, café-do-sudão, cola, mukezu e obi, possui um gosto amargo e grande quantidade de cafeína, a noz-de-cola é usada por muitas culturas do oeste africano, tanto medicinalmente, quanto religiosamente, desde época muito remota. Muitas vezes é usada cerimonialmente ou oferecida aos convidados.
O Obí é a semente sagrada da religião dos Òrìsà, o assim como a hóstia é pára o Cristianismo, e em hipótese alguma é permitido parti-lo com instrumentos de aço ou ferro, este já vem com seus gomos delineados pela própria natureza e esta regra em abri-lo somente com as mãos e com o auxilio das unhas deve ser obedecida e a violação desta obrigatoriedade é quase que um sacrilégio. Não se trata simplesmente de "abrir" o obi, na verdade o ato é revestido de cerimônia com rezas e libações de água, as partículas que produzem as raízes do obi existentes dentro dele são retiradas com as unhas enquanto algumas exortações são proferidas. Insubistituível dentro do culto, esta presente em todas as cerimônias, desde o “nascimento” até a “morte” Muitos dentro da cultura não dão muito valor aos amplos detalhes quanto ao “jogo do Obí”, e é neles que se encontram todos os segredos relativos ao bom andamento dos ritos e cerimônias e do sucesso por eles esperados. Saber abrir um Obí e entender suas “mensagens” é o mínimo que se pode exigir de um sacerdote de qualquer ramificação das religiões afro-descendentes.

Os tipos mais conhecidos são:



O Obí Gbanjá, possui dois cotilédones (gomos) e não deve ser usado ritualisticamente, segundo os “padrões convencionais”, já que não possui propriedades sagradas e “àse” para utilizações litúrgicas. Seu uso mais comum são como alimentos e terapias alternativas, existem inúmeros sacerdotes que o utilizam em ritualísticas restritas.



O Obí Abatá, possui de 3 à 6 cotiledones (gomos), são usados ritualisticamente para inúmeras cerimônias dentro do culto aos Òrìsà e amplamente usado como consulta oracular (veja o mito abaixo). Oferenda por excelência de todas as divindades do Panteão Yoruba, com exceção de Sango. Os que possuem 4 gomos são os mais empregados nos rituais do Ibori, deve ser o primeiro alimento oferecido à este Imole. O Obí pode variar sua cor entre o rosa e o vermelho, mas todos com uma coloração clara em seu interior.





Os mais raros são os Obí totalmente branco denominado pelo nome de Obí Efin, somente exigido pelos Òrìsà Funfun e mesmo assim deverá obrigatoriamente possuir mais de 2 gomos.










A falta de esclarecimento e conhecimento de sacerdotes e sacerdotisas, levam inúmeras pessoas a exigirem exclusivamente em suas liturgias, o referido Obí branco. Esta “fissuração” em relação ao Obí branco, raríssimo de ser comercializado, incitam comerciantes inescrupulosos agirem de forma ilegal. Mergullhado em substâncias químicas, tais como ácido clorídrico e outras substâncias tóxicas, que visam alterar a cor natural do Obí, são comercializados livremente sem nenhuma inspeção dos órgãos competentes. Após esta “técnica criminosa” o Obí fica branco e para não comprometer ainda mais a sua estrutura, são mantidos em soluções diluídas de formoldeído. Esta “aberração” alem de apodrecidos, mau cheirosos e sobretudo venenosos, são oferecido as divindades e compartilhado em uma espécie de comunhão litúrgica entre os devotos.
Em Cuba, após o domínio do socialismo o Obí teve que ser substituído pelo coco, assim como inúmeros outros ingredientes, e a falta do principal fruto da religião foi legado seu uso somente as cerimônias de iniciações e consagrações dos Òrìsà e algumas ritualisticas das quais sua presença é indispensável e insubistituivel.


Texto: Ifabemi




....Fruto africano muito usado nos Rituais Afro brasileiros que desenvolve um importante papel na vida dos africanos em geral e de muitos brasileiros.
É a noz de Kola, na botânica conhecida como acuminata, (cola) tão comum nas ruas da Nigéria, Ghana, Costa do Marfim, Angola e demais países africanos. Os africanos costumam comer pelo menos um desses frutos por dia, independentemente dos usos que Dão ao mesmo em seus rituais.
Na África, é costume receber as visitas ilustres e queridas, com uma bandeja contendo alguns desses frutos e um cálice de bebidas, podendo ser vinho de palmeira, cerveja ou gim. Tal ato significa que o visitante é bem vindo e desfruta da amizade e confiança ilimitada do dono da casa.
A noz de cola, ou OBI, tem propriedades indescritíveis no que concerne ao sistema neuro vegetativo, estimulando os neurônios, mininges, sendo ainda um poderoso energético  para  debilidade físicas e mentais, e tônico do coração. Diminui as perdas orgânicas, tais como uréia, atuando sobre o sistema nervoso central com poderes  superiores ao da Tiamina(vit. B-1). Poderosa combatente das anemias, afeções crônicas de forma debilitante e convaslescença, favorece ainda a digestão, aumentando a secreção dos sucos estomacais e é restaurador energético nas dispepsias atônicas.Revitalizando o estado físico em geral, elimina o stress, neurastenia insônia e perda de memória.
Este pequeno fruto marrom escuro que mais se assemelha a um pequeno carroço de abacate é usado também na forma de refresco, chá ou simplesmente  mastigado ou ingerido. Geralmente tem dois a cinco gomos interligados por uma fina mebrana que  rompida, solta-os, mostrando seu interior.
O Obi divide-se em dois gêneros: O banja com dois gomos e o abata de três a sete gomos, sendo o mais comum o de sete gomos.
É costume nos rituais afro brasileiros usa-lonas orações matinais, coloacndo-o na boca e fazendo os pedidos depois que, com os dentes rompe-se gomos. Deixando cair numa toalha branca. Se todos os seus gomos caírem com a parte interna para cima, significa que o pedido será realizado o solicitador deverá mastigar e ingerir todos aqueles gomos no período do dia , até antes de o sol se por.
Ha mais de 2 mil anos o africano, e ,recentemente o brasileiro, há quatrocentos anos  costuma consagrar  a iniciação dos adeptos dos seus rituais com um obi colocando com seus quatro gomos abertos sobre a moleira(ponto mais alto da cabeça) do noviço(a)......
(Parte do texto retirado do livro Zumbi dos Palmares - Eduardo Fonseca Júnior)

Lenda de Obi


Olodunmare chama os homens para retornarem ao seu lar ,porém nem mesmo a morte é capaz de apagar as lembranças os feitos de grandes homens.
Obi é um elemento muito importante no culto de Vodun ,Orisa e Nkise. A noz de cola, Obi, é o símbolo da oração no céu. É um alimento básico, e toda vez que é oferecido seu consumo é sempre precedido por preces.
Foi Orunmila quem revelou como a noz de cola foi criada. Quando Olodunmare descobriu que as divindades estavam lutando umas contra as outras, antes de ficar claro que Esu era o responsável por isso, Ele decidiu convidar as quatro mais moderadas divindades (Paz, a Prosperidade, a Concórdia e Aiye, a única divindade feminina presente ), para entrarem em acordo sobre a situação. Eles deliberaram longamente sobre o motivo de os mais jovens não mais respeitarem os mais velhos, como ordenado pelo Deus Supremo.
Todos começaram então a rezar pelo retorno da unanimidade e equilíbrio. Enquanto estavam rezando pela restauração da harmonia, Olodunmare abriu e fechou sua mão direita apanhando o ar. Em seguida abriu e fechou sua mão esquerda, de novo apanhando o ar. Após isso, Ele foi para fora, mantendo Suas mãos fechadas e plantou o conteúdo das duas mãos no chão. Suas mãos haviam apanhado no ar as orações e Ele as plantou. No dia seguinte, uma árvore havia crescido no lugar onde Deus havia plantado as orações que Ele apanhara no ar. Ela rapidamente cresceu, floresceu e deu frutos. Quando as frutas amadureceram para colheita, começaram a cair no solo.
Aiye pegou-as e as levou para Olodunmare, e Ele disse a ela para que fosse e preparasse as frutas do jeito que mais lhe agradasse. Primeiro, ela tostou as frutas, e elas mudaram sua textura, o que as deixou com gosto ruim. No outro dia, Ela pegou mais frutas e as cozinhou, e elas mudaram de cor e não podiam ser comidas. Enquanto isso, outros foram fazendo tentativas, no entanto todas foram mal sucedidas. Foram então até Olodunmare para dizer que a missão de descobrir como preparar as nozes era impossível.
Quando ninguém sabia o que fazer, Elenini, a divindade do Obstáculo, se apresentou como voluntária para guardar as frutas. Todas as frutas colhidas foram então dadas a ela. Elenini então partiu a cápsula, limpou e lavou as nozes e as guardou com as folhas para que ficassem frescas por catorze dias. Depois, ela começou a comer as nozes cruas. Ela esperou mais catorze dias e depois disso percebeu que as nozes estavam vigorosas e frescas. Após isso, ela levou as frutas para Olodunmare e disse a todos que o produto das preces, Obi, podia ser ingerido cru sem nenhum perigo. Deus então decretou que, já que tinha sido Elenini, a mais velha divindade em sua casa quem conseguiu decodificar o segredo do produto das orações, as nozes deveriam ser dali por diante, não somente um alimento do céu, mas também, onde fossem apresentadas, deveriam ser sempre oferecidas primeiro ao mais velho sentado no meio do grupo, e seu consumo deveria ser sempre precedido por preces.
Olodunmare também proclamou que, como um símbolo da prece, a árvore somente cresceria em lugares onde as pessoas Respeitassem os mais velhos. Naquela reunião do Conselho Divino, a primeira noz de cola foi partida pelo Próprio Olodunmare e tinha duas peças.
Ele pegou uma e deu a outra para Elenini, a mais antiga divindade presente. A próxima noz de cola tinha três peças, as quais representavam as três divindades masculinas que disseram as orações que fizeram nascer a árvore da noz de cola. A próxima tinha quatro peças e incluía assim Aiye, a única mulher que estava presente na cerimônia. A próxima tinha cinco peças e incluiu Orisa-Nla. A próxima tinha seis peças representando a harmonia, o desejo das orações divinas.
A noz de cola com seis peças foi então dividida e distribuída entre todos no Conselho. Aiye então levou a noz de cola para a Terra, onde sua presença é marcada por preces e onde ela só germina e floresce em comunidades humanas onde existe respeito pelos mais velhos, pelos ancestrais e onde a tradição é glorificada.

Publicada por Jscorrea

10 comentários:

Liliane disse...

Tive um envolvimento com um Pai de santo, isso acabou e EU voltei com um grande amor, hoje receio por mais que este me apresenta como uma pessoa seria, de ele fazer algo para atrapalhar meu relacionamento pois ele fala pra todos que não vai desistir nunca de mim. Continuo frequentando esta casa de Camdomblé, não tenho obi e nem bori, mas já dei várias vezes comida para Iansã, tenho acentado na casa o meu EXú e a minha Pombarija, com receio, procurei um outro Pai de Santo para que ele jogasse pra mim e o mesmo falou que tem vários feitiços comigo atrapalhando a minha vida amorosa e que a Iansã me cobra um acentamento com urgência. Voltei na casa que frequento e conversei com o EXÚ da casa e o mesmo falou que iria conversar com o meu povo para ver se ele me acompanhando, se EU MESMA não poderia me dar um OBI, pois ele não queria que eu saisse da casa para fazer em outro lugar. Me ajuda com essas dúvidas por favor, ele falou também que não tem nenhum feitiço comigo e que era para eu agarrar em minha pombagira e no meu EXú, e também no espríto da rainha das Almas, que gosta muito de mim.

Hunso Sueli de Vodun Abe disse...

Bem Liliane, o meu objetivo neste blog não é dar consultas e sim passar informações a respeito da nossa religião. Mesmo assim, vou tentar te passar algumas orientações dentro do que eu acredito e vivencio.
1- Se vc acredita neste amor nada nem ninguém poderá te atrapalhar. Tendo em vista que se tudo fosse tão simples assim, ninguém mais teria problemas na vida, bastava fazer feitiço e tudo o que quiséssemos estaria na mão.
2- Se vc acha que ele é capaz de fazer alguma coisa contra vc, porque continua lá?
3- Vc não é iniciada, Iansã cobrando assentamento? Não entendo. Se fosse avaliado através de um jogo que vc precisaria ser iniciada, não por causa de feitiços, mas sim porque é este o seu caminho, eu entenderia.
4- Vc mesma dar obi ? Me desculpa, mas esta orientação, no meu ponto de vista é inconcebível, no mínimo indecente.

Acho que vc precisa se informar melhor a respeito dos processos, regras e critérios da nossa religião para encontrar seu caminho. Esta é uma religião maravilhosa, que no meu modo de ver, está muito além de jugos, medos e conveniências. Existem sim pessoas que se utilizam destes artifícios para poder manter adeptos, subjugando-os em nome dos orixás.

Boa sorte

Hunso Sueli de Vodun Abe disse...

Nina desculpe, apaguei sem querer o seu comentário sobre a água de colonia que vc comprou cuja essência é o obi. Se vc puder postar novamente te responderei com imenso prazer.

koiot disse...

Parabens Hunso pelo bom-senso.

Asè

KEILA disse...

Olá! Gostaria de saber a diferença do obi branco para o obi rosa? Fiz o obi junto com uma irmã. o meu foi rosa de 4 quinas, com quartinha de asa e o dela foi branco c quartinha sem asa. Sei que parece estranho estar pedindo esclarecimento aqui e não com minha zeladora, mas é que depois ela ficou doente e veio a falecer...e meu barracão fechou. obrigada e muito axé!!!

Hunso Sueli de Vodun Abe disse...

A diferença é apenas ritualística. O obi branco só é oferecido para Oxalá, o rosa para qualquer divindade. Em relação as quartinhas, a com asa é utilizada para divindades femininas e a sem asa para as masculinas. Somente para Oxalá que se pode usar os dois tipos.
Asé

Unknown disse...

Sueli de Abe,

Será que meu Tatetu (babalorixá) passará o conhecimento das coisas para mim, pois, participo da roça, sou iniciado, contudo, vejo uma irmã de santo que já deu obrigação de 5 anos e está totalmente "kosi béèkó" e pretende entregar cuia (deká) a ela dentro de um ano e meio. Ele é de raíz candomblé nação angola.Pra ser sincero, meu TATETU iniciou-me porque são dois pais de santo dividindo um mesmo axé, só que um é meu companheiro e não pode fazer nada em meu orí (mutuè). Eu sou inteligente, muito atento mas meu tatetu só emprestou as mãos de navalha. Ele nunca jogou sequer para mim, tudo quem fez em relação a jogo e o que o Inkisse necessitava foi o preto-velho do meu namorado. Sabe que em angola, muitas vezes é comum (nada absurdo) pelo acolhimento com umbanda um preto velho jogar búzios, e, a entidade é entidade, meu namorado é somente o instrumento neste caso. Mas, quem faz os orôs e inicia é sempre o pai de santo, ou o Inkisse que pode virar e iniciar o munzenza. Mas,meu companheiro comprometeu-se a ensinar-me as coisas todas e o meu tatetu dar as obrigações, dar suas mãos; É só isto que meu pai de santo é na minha vida espiritual. Só não digo que o é de fachada porque raspou meu santo, e, por incrível que pareça onde fui (em outro lugar), o jogo diz está tudo correto. Mas, a par esta parente complicação, tenho medo que meu namorado não me ensine nada e eu dê as obrigações, um dia receber uma cuia e ser incapaz de iniciar um yawô. Como uma pessoa de 5 anos arriado pode ser tão leiga como a filha de santo do meu namorado? E meu pai de santo é um velho desinteressado. Eu argumentei com ele, como ele poderia entregar uma cuia nos 7 anos de alguém que não sabe nada? Perguntei-lhe quando ele pensa em passar a ela alguma coisa...Ele disse que a seu tempo... 1 ANO E MEIO? COM TODOS OS COMPROMISSOS DE TRABALHO QUE ELA TEM, frequentando o barracão só em dia de função que ainda são raras? Tenho medo que isto ocorra comigo, ainda sabendo que tudo é merecimento e eu tenho a oportunidade de saber como fazer as coisas por ser companheiro de um pai de santo. De repente este conhecimento gradativo pode me causar estranhesa e a falsa idéia de que nada saberei, porque ele disse que ela não recebeu ainda porque não tinha merecido, por alguns motivos que ee sabe. Meu caso é diferente. Mas, ainda fica o medo de me entregar ao Inkisse, ao Orixá e ser traído por quem deve me passar o conhecimento a seu tempo. Estou com medo, isto me causa enorme sofrimento e me deprime. Afinal amo a religião e quero ter o conhecimento da verdade para no futuro não destruir vidas. Lidar com vidas é uma responsabilidade grande demais. Queria só uma luz sua.

Dofono de Oxoguian (lembá Dile).

Hunso Sueli de Vodun Abe disse...

Kolofe Dofono!

Vamos lá: Quanto a seu Tateto passar conhecimento, entregar Cuia, etc... fica complicado mesmo, como vc disse, ele só emprestou as mãos, não teria a obrigação de te passar ensinamentos, claro que isto é entre aspas. Se vc mesmo esta dizendo que a responsabilidade espiritual com vc pertence ao seu companheiro, passa a não ser um problema de seu Tateto, concorda?. Em relação a esta maravilhosa energia dos pretos-velhos, vc me desculpe, umbanda é umbanda, candomblé é candomblé, não entendo uma energia que pertence a outra egrégora mágica, dizer como proceder em uma iniciação e/ou qq ritual dentro do candomblé. Mas, não posso discutir magia, derrepente esse preto-velho passou por um processo iniciático enquanto aqui viveu, vai saber! Receber Cuia, não significa que vc passa de discípulo para mestre e sim que vc recebeu o direito de aprender a ser mestre, ai começa o seu verdadeiro aprendizado. Dofono, o aprendizado só vem após os sete anos onde vc começara a praticar tudo aquilo que passou. Saber a verdade, o que é saber a verdade? A verdade esta dentro de nós. O que fazer e como fazer, só a pratica de barracão vai te ensinar e, as dúvidas deverão ser tiradas junto aos mais velhos. Para termos um aprendizado antes de mais nada, precisamos confiar na pessoa responsável pelo nosso vodun/orixá/inkise e na casa onde estamos, ai sim, poderemos buscar a sabedoria e o conhecimento que precisarmos. A gente não aprende a praticar os fundamentos por merecimento não, aprendemos pq acreditamos em nossos voduns/orixá/inkise, amamos a religião e praticamos a religiosidade. E o que é isso? Nada mais que a pratica ritualística da religião. Nossos deuses nos guiam e o conhecimento teórico, aprendemos oralmente, com os nossos mais velhos. A condição de seu namorado ser pai de santo,e te passar informações, não traduz que vc se tornará capaz de conduzir uma casa e/ou lidar com cabeças.
O que acabei de ter expor, não quer dizer que sou a dona da verdade. Essa é a minha verdade.

Asé!

Unknown disse...

Sueli de Abe,

Compreendi suas explicações, de fato só o fato de informações serem passadas não quer dizer que aquele que as recebe tenha talento, ou melhor, dom para lidar com cabeças e conduzir um barracão. De fato, concordo com o que diz em relação aos pretos velhos, Umbanda é Umbanda. Mas, curiosamente já vi numa casa de Umbanda ,um dos pretos velhos no salão com seu jogo de búzios, certamente um preto velho dum médium que nunca deu obrigação em casa de candomblé, tampouco recebeu deká, búzios, olhos lavados e a faculdade de jogar. Também não creio que o médium tão idoso ficasse lendo sobre jogo por odú ou qualquer coisa através de livros ou internet. Parecia uma alma bem simples. Acredito em energias que já tiveram enquanto humanos contato com candomblé, em tempos mais remotos. Bom, neste prisma creio que o preto-velho de um tatetu jogar búzios. Dá certo para os que lá procuram apoio espiritual, haja vista neste caso que relatei raramente o meu companheiro aproxima-se da mesa do jogo sem que esta energia de egrégora proveniente da Umbanda pegue sua cabeça, é impressionante. (Ele não inicia ninguém, mas joga e dá diretrizes, mas quem age é sempre o pai de santo). As suas palavras me consolaram porque eu tenho sim sede de saber, mas de fato, a seu tempo e participando das funções é que a cada dia o santo me dá oportunidade de aprender alguma coisa. Me ensina a humildade que é tão cobrada na religião, a paciência para suportar por vezes certas situações difíceis no barracão, e intuição eu digo com clareza, é o que se traduz na vida de um religioso ou líder religioso, ou o que o Orixá prepara para isto. Ela é como mágica, e entendemos também, além da oralidade, como meio de aprendizado e entendimento sobre algo espiritual. De fato, a senhora me traduziu que a prática no futuro é o maior aprendizado, o ápice do aprendizado por assim dizer. Quanto ao meu pai de santo, não digo que seja por falta de interesse, mas, porque ele nem pensava em iniciar ninguém, mas aceitou no início a um pedido do meu companheiro, Bom, eu creio que zelador não escolhe filho, mas filho escolhe zelador e casa. Só não escolhemos a energia que nos rege. E, essa energia que me rege mostrou-se satisfeita com as mãos que me iniciaram no Inkisse. Ele é idoso e não comanda mais casa. Fato que não complica já que não tenho vínculo familiar de santo com meu companheiro, nem prático nas coisas de santo, simplesmente estou no axé dele sob a responsabilidade em relação às coisas do meu santo do meu Tatetu, exclusivamente. Bom, namorar com um lider espiritual me traz bastante informação, embora que ele seja muito ético em relação ao que me passa no momento, entende... Mas, enfim, creio que através de suas palavras, tudo está certo e conforme os caminhos da religião.

Ntondele, Dofono.

GUILHERME CIMINO disse...

O candomblé é maravilhoso e não se presta a mesquinharias ou vinganças... Se o pai de santo fala que vai prejudicar alguém, tomara que seja da boca pra fora, por mero desabafo, porque isso é ladainha paranóica...
Foco no Ori e bola pra frente!
Axé!