domingo, 9 de setembro de 2012

SACRIFICIO - A UTILIZAÇÃO DOS ANIMAIS NO CANDOMBLÉ - PARTE II


Simbologia da utilização dos animais nos ebós 
Em um determinado caminho , Iyami fez um acordo com o Ifa de entregar seus filhos e os pássaros, para salvação da humanidade, em outro caminho, os quadrupedes tornaram-se objetos      de    sacrifícios e em mais um caminho, substituíram aos seres humanos pelos animais para serem   sacrificados as divindades.
Os animais de maneira geral substituem vida à humana, (uma vida por outra), independentemente da virtude que possuem cada um: os mais habituais    para ebó são:


Os galos: para vencer situações, para a mulher contrair matrimônio, porque o galo representa o macho, é uma ave de batalha persistente.











A galinha : para o mesmo caso precedente mas para os homens, a galinha representa a femea.









As pombas; para ter filhos, casa, dinheiro e casamento, tendo em conta a capacidade que estas tem de reproduzir-se e fazer os seus ninhos. Proteção, dado que a pomba voa acima de muitos perigos.








O coelho; para ter filhos tendo em conta a sua capacidade reprodutora e escapar do falecimento ou a justiça pela faculdade de fugir e dissimulação deste animal.




O cabrito a cabra, o carneiro ou carneira; para saúde, dado que substituem o ser humano.











A galinha d’angola e a codorna:
Para problemas judiciais dado a facilidade que ambas
 tem de escapar de seus perseguidores











O porco: Reprodução,finanças, desenvolvimento, prosperidade geral, saúde..








O pintinho; para a abertura de orun, durante o nascimento, as iniciações e os itutu.







O pato: neutralizar o inimigo, provocar a falta de memória e manter-se alerta









O igbin: para pacificar, é o único   animal      que  não  é hostil com nenhum outro, o seu movimento  lento dá    uma sensação de regulamento, conforto e tranquilidade.









O ajapa: longa vida, casa, filhos, segurança, potência viril, proteção..







O peixe:para nutrir o ori, atrair  egum. Existem certos tipos de peixes, como por exemplo os peixes de lama e as sardinhas que têm uma grande vitalidade e uma capacidade de sobrevivência, mesmo sem água e do pargo que é o animal que faz a comunicação de ori com Olodumare.





O cão: sacrifícios diretos para fins saúde vitórias obtendo o favor do orisha ogun. Regulamento deste orisha.








O rato. Casamento, casa, dinheiro, gestação










Os lagartos; proteçao, das bruxarias malas.etc










O crocodilo: proteção geral, saúde, foi o único animal que Saponã, o Deus da varíola não pôde matar, etc...



SACRIFICIO - A UTILIZAÇÃO DOS ANIMAIS NO CANDOMBLÉ - PARTE I

Sacrificio


Há que se esclarecer de uma forma definitiva, verdadeira e sem hipocrisia, a utilização dos animais pelo Candomblé.
    Os animais comumente utilizados são, em via de regra: galos, cabritos, carneiros, pombos e galinhas da angola; machos e fêmeas. Sua forma de abate, é cortado o pescoço com faca bem afiada, o qual não sofre mais, nem menos, que os que são abatidos, aos milhares, diariamente, pelos grandes abatedouros, ou ainda, os tão procurados "caipiras", pelo seu melhor sabor e consistência, também o são abatidos, das formas mais variadas, sendo que a palavra sacrifício, é apenas um termo, uma forma de expressão, mas que, poderia perfeitamente, ser dito, abate. É feito algum tipo de comentário, por quem quer que seja sobre o abate industrial ou caseiro? Absolutamente não; porque? No fundo, no fundo, ninguém saberia dizer; Mas, intrinsecamente, já está embutido na cabeça das pessoas, pelas mesmas razões, já comentadas, de ordem religiosa, moral, conservadora... ou "pseudos" religiosos, moralistas...através de argumentos, os mais variados e convenientes, ao longo dos anos. Porém, quando essas pessoas, lêem na Bíblia Sagrada, em várias passagens, vou citar uma apenas, a mais marcante, em que Abel, "imolou" (sacrificou) um carneiro, para Deus, e o mesmo foi aceito, tão somente estava repetindo um ato já praticado, provavelmente advindo dos africanos, mas, que pela palavra usada - imolou - fica bonitinho e aceitável, mas sacrifício, não, este é um termo diabólico; que dizem dessas passagens bíblicas, nossos algozes?
    Continuando, após "imolar" o animal, cujo sangue é derramado, em local determinado, são retirados os "axés", que são as vísceras principais (moela, rim, pulmão, coração...) que serão cozidas ou fritas, colocados num oberó (prato de barro) e oferecidas como complemento. A carne, será consumida normalmente pelas pessoas, como se estivesse sido comprada em um supermercado.
    Esta forma como que é utilizado, o sangue e demais vísceras dos animais, tem uma causa e objetivo nobre, o de produzir uma energia, o axé, já tantas vezes mencionado, que ao menos, irá cumprir uma função, de maior ou menor importância, beneficiando o alvo de qualquer religião: o ser humano.
    Onde está a maldade, o diabólico, se ajudar alguém? O abate é o mesmo, só porque é um ato religioso? De um povo já tão, atacado, sofrido e discriminado pela humanidade, ou ao menos parte dela, tudo isto por interesse e influência de alguns? A barata, o pernilongo, a formiguinha, Ah! A formiguinha, animal de folclore, história e lendas, tão bonitinha, mas que, todos foram criados por Deus, com alguma função, que não me cabe analisar, mas criaturas divinas, claro que são insetos, vermes, nojentos, nocivos, e, devem se exterminados, esmagados, pisoteados, e muitas vezes, com ímpetos e rituais de sadismo e com plena satisfação, quer seja com o sapato, chinelo, vassoura, ou mesmo de forma maciça, com o advento do inseticida, mas que se processa de forma algoz, por envenenamento, a morte vem lenta e dolorosa... não importa a forma, desde que seja morto, esmagado de forma definitiva, e ainda olhamos o resultado, sem se importar se sofreram ou não, se ainda estão agonizando ou não, e ainda dizemos, que nojo! Matei mais um, se pudesse matava todos que existem no mundo.
Do ponto de vista, de que são igualmente, criaturas criadas por Deus (por outro não seria), que diferença tem dos animais imolados no Candomblé? O mundo sacrifica animais diariamente.
Com a palavra nossos algozes.

Autor desconhecido