sábado, 26 de março de 2011

XANGO/HEVIOSO/NZAZI - PARTE II

Xangô, o estrategista

Um dos orixás mais venerados em toda a Diáspora e conhecido como a mais forte expressão masculina da energia dos orixás. Xangô é a essência da estratégia.
Associamos este orixá ao deus grego Zeus e o deus romano Júpiter, pois todos eram reis e donos dos raios e deuses muito poderosos. Este é o poder de Xangô. Inimigo do mal e do sofrimento, é um orixá muito íntegro e adora corrigir erros.
Segundo a lenda, Xangô era um rei muito poderoso, que não mostrava nenhuma clemência aos seus inimigos e sua fama se espalhou por toda a África. Sua personalidade foi tão notável que seu espírito foi elevado ao status de orixá, depois da sua morte. Honrado pela maioria dos territórios africanos, de onde até mesmo os Bantos da área do Congo vieram lhe prestar homenagem. Lá ele era chamado de Nsasi. No Daomé era chamado de Hevioso e Djakutá. Sua popularidade não se extinguiu na África, mas se espalhou também pela América, onde a cada dia aumenta a devoção ao nosso amado Xangô.
Apesar de sua integridade, Xangô não é um orixá moralista. Digamos que é um excelente estrategista. Afinal, um rei próspero é, geralmente, um ótimo estrategista. Se nos referirmos à sua energia como tendo o “poder da dança”, o “poder do tambor”, o “poder da palavra”, podemos ter alguma idéia da posição deste orixá no panteão. A habilidade para falar é essencial a um estrategista. A habilidade de Xangô em visualizar o futuro e de ter comprado de Orunmilá as suas habilidades, é um outro modo de reconhecer o grande estrategista que está olhando os movimentos do futuro.
A expressão de Xangô, ao invés da essência da sua energia é bastante interessante. Em nossa cultura ocidental, a satisfação a curto prazo é o que todos querem e esta habilidade para manobrar os outros se expressa em um comportamento ruim. Desta forma, Xangô sempre está predisposto a oferecer satisfação a curto prazo, sem levar em conta as conseqüências a longo prazo. A confiança de Xangô de que sua energia sempre vai descobrir uma forma de se livrar das dificuldades leva a isto. Mas, esta é a expressão da energia, não sua essência.
Não é uma falha em Xangô, mas em nossa sociedade.
A utilização da energia de Xangô pode ser poderosa e construtiva, mas, examine o seu caráter antes de utilizá-la. Muitas das lendas de Xangô o mostram em relação com diversas mulheres. Yemanjá era sua mãe. Teve relações com Oxum, Oyá e Obá. Obá era sua esposa legítima, mas ele gastou muito mais tempo com Oxum e Oyá. Era um verdadeiro mulherengo e as mulheres o amavam. Depois de ter trocado suas ferramentas de adivinhação com Orunmilá em troca da habilidade de dançar e falar, nada o deteve. Mas, freqüentemente, isto lhe causou problemas e teve de perder muito tempo em guerras. Xangô tinha um grande poder psíquico e o utilizava para se sair vitorioso das diversas situações perigosas que vivera. Os filhos de Xangô nascem, em sua maioria, com essas habilidades.

Um dos símbolos de Xangô é o Oxé, um machado que possui duas lâminas. Esta é a arma que Xangô utilizava para destruir seus inimigos e também é um símbolo do equilíbrio. Da mesma forma, associamos a Xangô a balança, também símbolo do equilíbrio e da justiça, da qual ninguém consegue fugir. Uma forma de Oxé também era utilizado no império romano para simbolizar a autoridade do Imperador e o poder que ele tinha.
Apesar de todo o seu poder, a energia de Xangô não é utilizada indiscriminadamente. Seu trabalho é cuidar das leis universais. Sua ira não é dirigida a qualquer um, mas para aqueles que cometeram alguma infração ou foram injustos. Ele não só protege seus filhos, mas todos os outros filhos dos outros orixás. Qualquer um que se sinta prejudicado pode buscar a ajuda de Xangô, se são, verdadeiramente, as vítimas da injustiça. 

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