quarta-feira, 14 de abril de 2010

ORI PARTE IV


Todo ori, embora criado bom, acha-se sujeito a mudanças. Vimos que feiticeiros, bruxas, homens maus e a própria conduta podem transformar negativamente um ori, sendo sinal dessa transformação uma cadeia interminável de infelicidades na vida de um homem a despeito de seus esforços para melhorar.
O ori, entidade parcialmente independente, considerado uma divindade em si próprio, é cultuado entre outras divindades, recebendo oferendas e orações. Quando ori inu está bem, todo o ser do homem está em boas condições.
Como foi dito, nossos ori espirituais são por eles mesmos subdivididos em dois elementos: Apari-inu e Ori apere – Apari-Inu representa o caráter (natureza), Ori Apere representa o destino.
Um indivíduo pode vir para a terra com um destino maravilhoso, mas se ele ou ela vem com mau caráter (natureza), a probabilidade de desempenho (cumprimento, execução) desse destino é severamente comprometida.
O destino também pode ser afetado, então, pelo caráter da própria pessoa. Um bom destino deve ser sustentado por um bom caráter.
Este é como uma divindade: se bem cultuado concede sua proteção. Assim, o destino humano pode ser arruinado pela ação do homem.

 
Iwa re laye yii ni yoo da o lejo, ou seja, – “seu caráter, na terra, proferirá sentença contra você”.

No odu de ogbeogunda, ifá diz:



“um pilão realiza três funções
Ele tritura inhame
Ele tritura índigo
Ele é usado como uma tranca atrás da porta

Foi feito um jogo adivinhatório para Oriseku, Ori-Elemere e Afuwape. Quando eles foram escolher seus destinos nos domínios de Ijala – Mopin. Foi solicitado para eles que realizassem rituais. Somente Afuwape realizou os rituais que foram solicitados. Ele, em consequência, tornou-se muito afortunado.
Os outros lamentaram, disseram que se soubessem onde Afuwape escolheria seu ori, eles teriam ido até lá para escolher os seus também. Afuwape respondeu que, embora seus ori fossem escolhidos no mesmo lugar, seus destinos é que diferiam.”



A questão que aí se apresenta é que somente Afuwape mostrou bom caráter. Respeitando sua crença e realizando seus sacrifícios, ele trouxe as bênçãos potenciais de seu destino para a efetiva realização. Seus amigos Oriseku e Ori-Elemere falharam em mostrar bom caráter pela recusa em realizar seus rituais e, por isso suas vidas sofreram as consequências.
O nome Ipin está igualmente associado à Orunmilá, conhecido como Eleri-Ipin – o senhor do destino e que é aquele que esteve presente no momento da criação, conhecendo todos os ori, assistindo o compromisso do homem com seu destino, os objetivos de cada um no momento de sua vinda para o aiye, o programa particular de desenvolvimento de cada ser humano e sua instrumentalização para o cumprimento desse programa.
Orunmilá conhece todos os destinos humanos e procura ajudar os homens a trilhar seus verdadeiros caminhos. Temos, assim, que um dos papeis mais importantes de ifá em relação ao homem, além de ser o intérprete da relação entre os orisa e o homem, é o de ser o intermediário entre cada um e o seu ori, entre cada homem e os desejos de seu ori. Apenas como registro, é preciso entender que esse mesmo papel orunmilá tem na relação com os demais orisa, sendo o intermediário entre cada um e o seu ori. E orunmilá, ele mesmo, consulta ifá!
Nos momentos de crise, a consulta ao oráculo de ifá permite acesso a instruções a respeito dos procedimentos desejáveis, sendo considerados bons procedimentos os que não entram em desacordo com os propósitos do ori.
O ser que cumpre integralmente seu Ipin-ori (destino do ori), amadurece para a morte e, recebendo os ritos fúnebres adequados, alcança a condição de ancestral ao passar do aiye para o orun.
Há a crença na existência de duas áreas ocupadas por espíritos dos mortos: Orun Rere – o bom “céu”, habitado pelas divindades e ancestrais, e Orun apaadi – o “céu” de muitas infelicidades, habitado pelos infelizes que sofreram má sorte e pelos maus, julgados pelo ser supremo, segundo o ser caráter. Estes últimos ficam condenados à solidão e ao esquecimento, sem direito a lembrança ou a aparecerem em sonhos e visões – morrem totalmente.
Orun Rere, por outro lado, é prazeiroso e sereno, vivendo os espíritos numa comunidade composta de parentes e amigos. Podem também permanecer junto aos familiares e intervir em suas atividades diárias, sendo-lhes permitido reencarnar em alguma criança nascida no âmbito familiar.
A respeito do ori, resta ainda lembrar que trata-se de uma divindade pessoal, a mais interessada de todas no bem estar de seu devoto. Se o ori de um homem não simpatiza com sua causa, aquilo que ele deseja não pode ser concedido nem por Olodumare, nem pelos orisa.
Da mesma forma se o caráter de um indivíduo é mau, sua escolha de destino pode não se realizar. Se nossa situação é realmente de um mau destino, e não é uma consequência de nosso caráter ou comportamento, então nosso ori-apere precisa ser apaziguado.
Oferendas prescritas ou rituais devem ser realizados para nos trazer de volta a um alinhamento saudável.
Considera-se vital para todo homem recorrer a Ifá, sistema divinatório de consulta a Orunmilá, a intervalos regulares para tomar conhecimento do que agrada ou desagrada o próprio ori. Enquanto intermediário entre a pessoa e as divindades (entre as quais o próprio ori)
Ifá não apenas informa sobre os desejos divinos, mas também conduz os sacrifícios ofertados às divindades para que estas possam cumprir seu papel: ajudar os ori a conduzirem as pessoas à realização do próprio destino.
Se, por outro lado, você ajuda os outros e dá felicidade a eles, sua vida será cheia, não só de riquezas, mas também de alegria e felicidade. No entanto, lembre-se, é decididamente muito mais fácil alterar seu destino do que sua natureza.

“por toda parte onde ori seja próspero, deixe-me estar incluído,
por toda parte onde ori seja fértil, deixe-me estar incluído,
por toda parte onde ori tenha todas as coisas boas da vida, deixe-me estar incluído.
Ori, coloque-me em boa situação na vida,
Que meus pés me conduzam para onde as coisas me sejam favoráveis.
Para onde Ifá está me levando eu nunca sei
jogaram para Assore no início de sua vida.
Se há qualquer condição melhor do que aquela em que estou no presente,
que possa meu ori não falhar em colocar-me nela.
Meu ori me ajude! Meu ori faça-me próspero!



Orin ori



Ori ka f’anjá ori ô ori ka f’anjá
ori ká f’anjá ori ô ori ka f’ajnjá
ori ká f’anjá alá umbó bàbá lá toloxé
agô ni kekerê kerê kê
agô ni kekerê kerê kê eru janjan
Ori ka f’anjá ori ô ori ka f’anjá
ori ká f’anjá ori ô ori ka f’ajnjá
ori ká f’anjá alá umbó bàbá la toloxé
ago ni kekerê kerê kê
agô ni kekerê kerê kê eru janjan



Orí ô ori apere
lé fibô didê lésé orixá
apere ô ori ô orí apere
lé fibô didê lésé orixá
Ori ô ori xê
wa dá meuá l’apere ô ori ô
ori xê e uá lese orixá
ori gbó apere
Orí gbó mó gbó tijí
orí gbó a pe re
ori gbó mó gbó tijí



Ori loman bó inxê
Ori loman



Iyemoja mi xekê mi ô
Iyemoja mi xekê mi rô
Orí ô iyemoja mi xekê mi ô

Ori mi ô xererê fun mi
ori mi ô xererê fun mi
ori oká unsanu oka
ori ejo unsanu ejô
Afomo opué
ori mi ô xererê fun mi
 O guégué oló guégué
o guégué ori umbó
 ori mi axé um o yê

Oni dôdô ori man i man yin
oni dôdô ori man i man yin
ibá ti kotá lobé fakalé
e a um ô loni á fi a jí



Omobá olokó ilé
omobá olokó ilé
omobé yi delê
omobé yi delê o yê
omobá olokó ilé



*** ori é o protetor do homem antes das divindades.”

Muitas vezes as pessoas nos julgam incapazes sem mesmo nos conhecerem, não levam em conta a força interior que nós temos. Ori foi uma prova disso, não o julgavam capaz de realizar uma tarefa pois possuía apenas uma cabeça, e isso é o que basta, já que é nela que está uma das armas mais poderosas que possuímos, nossa inteligência!

ORI PARTE III


Ao escolher sua cabeça e seguir em direção ao àiyé, o ser humano atravessa vários ambientes como de calor excessivo de desertos: muito frio como das zonas gélidas da terra: zonas onde tem de atravessar tempestades com ventos e chuvas fortes. E se as cabeças não tiverem sido bem confeccionadas elas irão se danificar e ficarão em péssimo estado ao chegarem ao àiyé.
Dependendo do estado em que cheguem, se a cabeça estiver boa àquela pessoa trabalhará, e tudo o que fizer será para si mesmo, podendo prosperar na vida, alcançando o sucesso e a fortuna. Se a cabeça estiver danificada, aquela pessoa trabalhará e tudo o que conseguir será para gastar com os reparos mo seu orí.
Quando ele não for muito danificado, os primeiro anos de vida dessa pessoa serão um pouco sacrificados, ela poderá passar por privações e dificuldades em virtude de não conseguir prosperar na vida, pois, tudo o que arrecadar irá para o conserto do seu orí. Depois que ele terminar os reparos necessários, o que ele fizer será para si próprio, é então quando ele começa a prosperar em sua vida no àiyé.
Outras pessoas têm orí tão danificados, que por mais que trabalhem na vida, jamais conseguirão consertar os danos do seu orí. E tudo o que fizerem na vida será para gastar com seu orí ruim. São aquelas pessoas que passam a vida toda vegetando, nunca conseguem fazer nem concluir as coisas, vivendo sempre na penúria e no aperto nunca possuindo nada de seu e não conseguindo serem felizes por mais que se esforcem, pois, tem um orí ruim.
Mas, acredita-se que esses consertos podem ser feitos através de oferendas – eborí – ebo orí, que ajudarão a restaurar aquele orí mais depressa, o que pode mudar um pouco essa predestinação. Não é porque a pessoa tem um bom orí que ela poderá ficar sentada esperando tudo de bom na vida.
Ela está predestinada ao sucesso em sua vida, mas, desde que trabalhe para isso. Seus caminhos estarão sempre abertos para alcançar seus objetivos, esforçando-se para isso.

Àjàlá orí, orí l’ewà, l’ewà, l’ewà.
Àjàlá orí, orí l’ewà, l’ewà, l’ewà.
Opé ènyin edùmarè, wá orí, e kú ó.
Opé ènyin edùmarè, wá orí, e kú ó.
E kú ó òrun, e kú ó òsùpá, e kú òjò, òjò bò ilè.
E kú ó òrun, e kú ó òsùpá, e kú òjò, òjò bò ilè.
Iré orí ó jí, ó jí ire orí,
Iré orí ó jí, ó jí ire orí.

Tradução
Àjàlá que molda cabeças, deixe este orì lindo, lindo, lindo.
Agradeço-te deus, venha para esta cabeça, eu te saúdo.
Eu saúdo o sol, eu saúdo a lua, eu saúdo a chuva, chuva que cai sobre a terra.
Vc será uma cabeça feliz, acorde feliz orí.


Ori o ori o
Ori mi o!
Se rere fun mi!


Tradução
Meu ori!
se alegre comigo!

Para termos idéia quanto a importância e precedência do ori em relação aos demais orisa, um itan do Odu Otura Meji, ao contar a história de um ori que se perdeu no caminho que o conduzia do orun para o aiye, relata: “… Ogun chamou ori e perguntou-lhe, “você não sabe que você é o mais velho entre os orisa? Que você é o líder dos orisa?’…”. Sem receio podemos dizer, “ori mi a ba bo ki a to bo orisa”, ou seja, “meu ori, que tem que ser cultuado antes que o orisa” e temos um oriki dedicado à ori que nos fala que ” ko si orisa ti da nigbe leyin ori eni”, significando, “… não existe um orisa que apóie mais o homem do que o seu próprio ori…”.



Quando encontramos uma pessoa que, apesar de enfrentar na vida uma série de dificuldades relacionadas a ações negativas ou maldade de outras pessoas, continua encontrando recursos internos, força interior extraordinária, que lhe permitam a sobrevivência e, inclusive, muitas vezes, mantém resultados adequados de realização na vida, podemos dizer, “eniyan ko fe ki eru fi aso, ori eni ni so ni”, ou seja, “as pessoas não querem que você sobreviva, mas o seu ori trabalha para você”, trazendo, essa expressão, um indicador muito importante de que um ori resistente e forte é capaz de cuidar do homem e garantir-lhe a sobrevivência social e as relações com a vida, apesar das dificuldades que ele enfrente.
Esta é a razão pela qual o eborí, forma de louvação e fortalecimento do ori utilizada em nossa religião, é utilizado muitas vezes, precedendo ou, até, substituindo um ebo. Isso se faz para que a pessoa encontre recursos internos adequados, esta força interior de que falamos, seja à adequação ou ajustamento de suas condições frente às situações enfrentadas, seja quanto ao fortalecimento de suas reservas de energia e consequente integração com suas fontes de vitalidade.
É importante dizer que é o ori que nos individualiza e, por conseqüência, nos diferencia dos demais habitantes do mundo. Essa diferenciação é de natureza interna e nada no plano das aparências físicas nos permite qualquer referencial de identificação dessas diferenças. . Sinalizando essa condição, talvez uma das maiores lições que possamos receber com respeito a ori possa ser extraída do itan odu osa meji, que reproduzimos a seguir e que é a resposta que foi dada por ifá para mobowu, esposa de ogun, quando ela foi lhe consultar:

“ori buruku ki i wu tuulu.
Aki i da ese asiweree mo loju-ona.
A ki i m’ ori oloye lawujo.
dia fun mobowu ti i se obinrin ogun.
Ori ti o joba lola, enikan o mo ki toko-taya o mo pe’raa won ni were mo.
Ori ti o joba lola, enikan o mo.”

Tradução
“uma pessoa de mau ori não nasce com a cabeça diferente das outras.
Ninguém consegue distinguir os passos do louco na rua.
Uma pessoa que é líder não é diferente e também é difícil de ser reconhecida.

É o que foi dito à Mobowu, esposa de Ogun, que foi consultar Ifá. Da mesma forma que o ori de Afuwape sobreviveu, o seu sobreviverá. Ele será favorável a você. Tudo de que você precisa, tudo o que você quer para a sua vida, é ao seu ori que você deverá pedir. É o ori do homem que ouve o seu sofrimento…”

A espécie de material com o qual são modelados os ori individuais indicará que tipo de trabalho é mais conveniente, proporcionando satisfação e permitindo a cada um alcançar prosperidade. Indica também as interdições – ewo – aquilo que lhe é proibido comer, por causa do elemento com o qual o seu ori foi modelado”.
Ou seja, os ewo representam a proibição de que o indivíduo “coma” alimentos que contenham a mesma “matéria” da qual foi retirada uma porção para modelagem do seu ori. A não observância da interdição traduz-se por uma disfunção energética de consequências profundamente negativas para o equilíbrio do indivíduo, seja do ponto de vista orgânico, seja do ponto de vista do mundo emocional, seja quanto as suas condições de realização do “programa” particular de existência.
Ori., qual o seu papel na vida do homem? O conceito de ori está intimamente ligado ao conceito de destino pessoal e à instrumentalização do homem para a realização deste destino.
Um itan do Odu Ogunda Meji, nos dá a exata dimensão da matéria quando nos relata sobre a correspondência entre o ori e o homem e a relação de causa e efeito existente nesta correspondência:

“… ori, eu te saúdo!”.
Aquele que é sábio,
Foi feito sábio pelo próprio ori.
Aquele que é tolo,
Foi feito mais tolo que um pedaço de inhame,
Pelo próprio ori…”



No Odu Ogbeyonu (Ogbe Ogunda) vamos encontrar ainda, “… quando acordo pela manhã coloco minha mão no ori. Ori é fonte de sorte. Ori é ori!…”.
É um oriki dedicado à Ori, mostrando o papel que Ori tem na vida de cada pessoa quanto as suas relações interpessoais, suas relações com as outras pessoas, e as suas condições de realização e progresso em todos os empreendimentos da vida, nos diz:

“ori mi
Mo ke pe o o
Ori mi
A pe je
Ori mi
Wa je mi o
Ki ndi olowo o
Ki ndi olola
Ki ndi eni a pe sin
Laye



O, ori mi
Lori a jiki
Ori mi lori a ji yo mo laye”

Tradução



Meu ori
Eu grito chamando por você
Meu ori,
Me responda
Meu ori,
Venha me atender
Para que eu seja uma pessoa rica e próspera
Para que eu seja uma pessoa a quem todos respeitem
Oh, meu ori!
A ser louvado pela manhã,
Que todos encontrem alegria comigo”

Toda existência no universo da criação se processa em dois planos: o mundo visível, o aiye, universo concreto que habitamos, e o mundo invisível, orun, onde habitam os seres sobrenaturais e os “duplos” de tudo o que se encontra manifestado no aiye. Não são, como é possível pensar, mundos independentes ou rigidamente separados. Na realidade podemos afirmar que o aiye é, antes de mais nada, uma “projeção” da realidade essencial que tem existência e se processa no orun.
Para o negro-africano o visível constitui manifestação do invisível. Para além das aparências encontra-se a realidade, o sentido, o ser que através das aparências se manifesta. Sob toda manifestação viva reside uma força vital: de deus a um grão de areia, o universo africano é sem costura. (Erny, 1968:19) universo de correspondências, analogias e interações, no qual o homem e todos os demais seres constituem uma única rede de forças.”
É necessário entender, assim, que aiye e orun constituem uma unidade e, enquanto expressões de dois níveis de existência, são inseparáveis e complementares. Essa unidade é simbolizada pelo igba-odu, cabaça formada de duas metades unidas onde a parte inferior representa o aiye e a parte superior representa o orun. No interior, os “elementos indispensáveis à existência individualizada”. Poderia ser representada por uma figura e sua imagem refletida no espelho – há plena identidade entre elas, uma é apenas a imagem invertida da outra.
Podemos dizer nessa figuração que o aiye é a imagem refletida do orun. Essa analogia provavelmente explica a situação conhecida de que os odu, quando vieram do orun para o aiye, tiveram sua ordem de precedência invertida. Ou seja, muito embora no aiye considere-se ejiogbe meji como o mais antigo dos odu, todo babalawo saúda ofun meji, ou orangun meji como é também conhecido, em sua realeza, dizendo: Eepa odu!, louvando assim sua antiguidade e sua precedência efetiva.



Temos assim que toda existência no aiye reflete uma realidade anterior existente no orun. A existência no aiye implica em processar-se uma “modelagem” anterior no orun, a partir da qual porções de matérias-massas que constituem a base da existência genérica são tomadas em fragmentos particulares e vão constituir a manifestação dessa existência em forma individualizada no aiye.
Esses elementos matrizes possuem, por consequência, dupla existência: uma parcela presente no orun e a outra parcela dando vitalidade ou formação às diferentes partes que formam a “realidade” individualizada de vida. A esses fragmentos particulares retirados da massa genitora chamamos ipori e é ele, ipori, que determinará o orisa que cada indivíduo cultuará no aiye, condicionando também sua instrumentalização particular na relação com a vida e o repertório possível de escolhas que possa realizar.
Podemos perceber que a compreensão sobre o papel que ori desempenha na vida de cada homem está intimamente relacionado à crença na predestinação – na aceitação de que o sucesso ou o insucesso de um homem depende em larga escala do destino pessoal que ele traz na vinda do orun para o aiye. A esse destino pessoal chamamos kadara ou ipin e é entendido que o homem o recebe no mesmo momento em que escolhe livremente o ori com que vai vir para a terra.
Ori desempenha um papel importante para os seguidores de IFÁ. Nele acredita-se que escolhemos nossos próprios destinos. E nós o fazemos mediante os auspícios do orisa Ijala Mopim. A esfera de ação de Ijala é junto a Olodumare é ele que sanciona as escolhas de destino que fazemos. Essas escolhas são documentadas pelas divindades que chamamos de Aludundun. Um verso de ifá explica esta questão: “



“você disse que foi apanhar o seu ori.
Você sabia onde Afuwape apanhou o seu ori?
Você poderia ter ido lá para apanhar o seu.
Nós pegamos nossos ori nos domínios de ijala,
Assim somente nossos destinos diferem”

Ijala é responsável pela modelação da cabeça humana, e acredita-se que o ori e o odu – signo regente de seu destino que escolhemos, determina nossa fortuna ou atribulações na vida, como foi dito. Ijala, embora notável em sua habilidade, não é muito responsável e, por isso, muitas vezes modela cabeças defeituosas: pode esquecer de colocar alguns acabamentos ou detalhes desnecessários, como pode, ao levá-las ao forno para queimar, deixá-las por um tempo demasiado ou insuficiente.



Tais cabeças tornam-se assim, potencialmente fracas, incapazes de empreender a longa jornada para a terra, sem prejuízos. Se, desafortunadamente, um homem escolhe uma dessas cabeças mal modeladas, estará destinando a fracassar na vida.



Durante sua jornada para a terra, a cabeça que permaneceu por tempo insuficiente ou demasiado no forno, poderá não resistir à ação de uma chuva forte e chegará mais danificada ainda. Todo o esforço empreendido para obter sucesso na vida terrena terá grande parte de seus efeitos desviada para reparar tais estragos.

Pelo contrário, se um homem tem a sorte de escolher uma das cabeças realmente boas, tornar-se próspero e bem sucedido na terra, uma vez que sua cabeça chega intacta e seus esforços redundam em construção real de tudo aquilo que se proponha a realizar.

O trabalho árduo trará, ao homem afortunado em sua escolha, excelentes resultados, já que nada é necessário dispender para reparar a própria cabeça. Assim, para usufruir o sucesso potencial que a escolha de um bom ori acarreta, o homem deve trabalhar arduamente. Aqueles, entretanto que escolheram um mau ori têm poucas esperanças de progresso, ainda que passem o tempo todo se esforçando.



Sendo estes os pressupostos, retomamos as perguntas: como saber se a escolha do próprio ori foi boa ou má? Pode um homem conhecer as potencialidades da própria cabeça ou da cabeça de outrem?



O jogo divinatório de Ifá possibilita que a pessoa tome conhecimento dos desígnios do próprio ori, saiba a respeito do orisa ou irunmale que deve ser cultuado e conheça seus ewo – proibições quanto ao consumo de alimentos, uso de cores e condutas morais
Muitas referências são feitas às relações entre ori e o destino pessoal. O destino descrito como Ipin Ori – a sina do ori – pode ser dividido em três partes: Akunleyan, Akunlegba e Ayanmo.
Akunleyan é o pedido que você fez no domínio de ijala – o que você gostaria especificamente durante seu período de vida na terra: o número de anos que você desejaria passar na terra, os tipos de sucesso que você espera obter, os tipos de parentes que você deseja.
Akunlegba são aquelas coisas dadas a um indivíduo para ajudá-lo a realizar esses desejos. Por exemplo: uma criança que deseja morrer na infância pode nascer durante uma epidemia para garantir a morte dele ou dela.
Ayanmo é aquela parte do nosso destino que não pode ser mudada: nosso gênero (sexo) ou a família em que nascemos, por exemplo.

Ambos, Akunleyan e Akunlegba podem ser alterados ou modificados quer para bom ou para mau, dependendo das circunstâncias.

Assim o destino descrito como Ipin Ori – a sina do ori pode sofrer alterações em decorrência da ação de pessoas más chamadas como Araye – filhos do mundo, também chamadas Aiye – o mundo ou ainda, Elenini – implacáveis (amargos, sádicos, inexoráveis) inimigos das pessoas.

Entre estes encontram-se as àjé – bruxas, os oso – feiticeiros, os envenenadores e todos aqueles que se dedicam a práticas malignas com intuito de estragar qualquer oportunidade de sucesso humano.

Sacrifício e ritual podem ajudar a melhorar as condições desfavoráveis que podem ter resultados destas maquinações maléficas imprevisíveis.

continua........

ORI PARTE II


IWA LEWA - que significa “caráter é beleza”. É através destas escolhas que fazemos, que somos capazes de ser vistos como algo belo, e estas escolhas são acompanhadas do destino. É através destas escolhas que nosso caráter é moldado.
Nós não conseguiremos alcançar nosso destino a não ser que desenvolvamos bom caráter.

ENIKEJI - , nosso gêmeo espiritual, que se mantém em espírito para nos lembrar do nosso destino escolhido em ILE ORUN. Quando formos para casa, haverá uma reconexão com enikeji para ver se alcançamos nosso destino. Todos os ori vem de Eledá, Olorun. Tudo vem daquele que dá vida – OLÓRUN– e se manifesta como vida – OLODUMARE.
Cada pessoa, pedra, árvore, punhado de terra é composto de odu e tem um espírito de eledá em si, ori ou oro, o que habita dentro. Tudo vem da mesma fonte, não diferentes, eu posso voltar como um pássaro, mas ainda com ori, o que me dá a escolha necessária de alcançar meu destino escolhido. Mas ainda assim ori vem de eledá. O corpo do pássaro é somente a residência do espírito do pássaro, e o espírito vem de Olodumare.

IGBA IWA -  que é nosso corpo que contem o nosso caráter, é somente a residência do espírito, independente de sua forma física. Nós temos a tendência de nos separarmos deste espírito, e é o que nos impede de alcançarmos IWA PELE

KOTOPO-KELEBE era o apelido de ori antes dele se tornar a cabeça de todos os orixás. Especificamente, o apere de ori indica sua vitória sobre as outras divindades, e a ascensão de ori ao alto da ponta do cone da existência, isto é a razão de existir. Para saber como ori lidou com todas as ameaças de oposição de seus rivais e ditou seus destinos, é pertinente para mostrar o duplo sentido mostrado no verbo “da” (vencer ou conquistar ou criar) usado no odu em ori. Nós temos a noção de que em para ser ou criar algo, temos de sobrepor alguma oposição ou vencer alguém. Sem luta, não há sucesso na vida.
O mais alto lugar,a posição de autoridade chamada APERE se tornou o trono de ori. Ori foi mais adiante para provar sua superioridade sobrePRINSÁLA dando a ele um lugar permanente chamado OLE-ALAMOLEKE e em Ode Iranjé,e uma função específica em AJALAMO ambos sobre o controle de ori.
AJALAMO é um lugar muito interessante em IFÉ, é um lugar em que um vai em espírito para escolher seu ori. E a pessoa designada a este lugar é chamada de AJALAMOPIM o moldador de ori ou cabeças,e ORINSALA cuida de moldar os corpos.
Há outro em AJALAMO que não é mencionado,conhecido pelo nome de KORI,o moldador dos espíritos de crianças. Ori é aquele com axé que nos faz tê-lo.
É tão poderoso que até IFÁ tem de se submeter a sua vontade.
Ori venceu todos os orixás e foi o único capaz de abrir o obi do axé. Vontade dita como as coisas acontecem em nossa vida, se deixarmos ori para trás, nós perdemos o direito de reclamar sobre nossa situação.ninguém pode aprisionar nossa mente,mas só nós podemos. Escravidão é uma armadilha mental e quando nós deixamos de lado nossos direitos a liberdade,nós nos mantemos escravos.
Diretamente a IWA que contem a palavra caráter. Para o yorubás IWA não quer dizer cumprir as diretivas de Olodumare que também é chamado de OBÁ MIMÓ. OBA PIPE,significando “o rei puro ou o rei perfeito” ou ALALÁ FUNFUM OKE“aquele de branco que habita no alto”
É esta força que dispersa que é chamado IFÁ IYA ,ou o oráculo do coração. Os oráculos do coração são as diretivas ou ordens de OLODUMARE, aquilo que é o certo ou errado,que leva a cumprir ou não, o destino.todos nós sabemos o que é o certo porque isto também foi dado com o sopro de Olodumare (EMI) que pôs em nós.é o oráculo do coração que nos guia e determina nossa vida ética.o oráculo do coração é a consciência da pessoa. As leis de OLODUMARE estão escritas no coração.

JE ÈWO -  significa “comer o que é tabu” ou “fazer o que é proibido” e GBIGBA ÈWO significa “receber o tabu” ou “fazer o certo” (cumprir o preceito) esta é uma das maneiras que um é reconhecido, no desenvolvimento de IWA. Mas antes mesmo de virmos para este mundo,nós aprendemos e recebemos diretivas enquanto espíritos e isto são o que nós chamamos de instintos,ou deja vu,a memória de ori.

As leis dos homens são feitas para controlar e tirar as escolhas. Olodumare diz que cada um de nós tem escolha e que há uma punição divina. Nós temos a oportunidade de escolher a direção em que queremos ir, mas temos de realizar que todas as dividas deverão ser pagas.é muito importante que nós mesmos escolhemos nossa própria direção para desenvolver iwa, por que isto determinara o sucesso ou insucesso de alcançarmos nosso destino.

De acordo com um dos versos de Ogunda Meji, ORUNMILÁ reuniu todos os orixás e perguntou qual deles acompanhariam seus devotos numa viagem distante através do oceano sem desertá-los em nenhum lugar. Xangô,o deus do trovão e o mais corajoso, respondeu que ele iria com seus devotos para qualquer lugar sem olhar para trás. Orunmilá convenceu xangô que esta não era a resposta correta,e um por um ele convenceu cada um dos orixás que esta não era a resposta a sua pergunta. Eles imploraram a Orunmilá para revelar a resposta correta,a qual orunmilá respondeu que somente ori,a divindade pessoal de cada um,pode nos acompanhar até o lugar mais longínquo do mundo sem voltar atrás.

terça-feira, 13 de abril de 2010

ORI - PARTE I

ORI





O corpo humano segundo a tradição afro religiosa é composto das seguintes partes.



ARA - ou corpo físico visível.



OJIJI -  E a nossa sombra, nos acompanha onde quer que vá, ao mesmo tempo é seu amigo e seu inimigo. Quem não tem sombra está morto.



EMI -  é a respiração, o sopro de vida que anima o corpo humano. É o oxigênio que oxida o sangue e produz o calor necessário para a sobrevivência da célula ...



OKAN - o coração, é responsável pela manutenção de todas as partes do corpo vivo, levando o fluido vital (sangue), carregados com oxigênio e alimento para estas.



ORI - A cabeça é ela que pensa e ordena ao corpo (ARA) os movimentos e ações, assim como comanda todas as funções vitais e é onde está contido o ORI INU ..



ORI INU - é o espírito interior do homem, é o eu de cada um, é a parte mais importante e também invisíveis para a existência. É independente de cada ser humano. Ori será afetado por dois componentes do corpo: o estômago  (IPIN JEUN) e os órgãos sexuais (OBO ATI OKO), ambos podem levá-lo a perder o controle.



OPOLO – O cérebro – é ele que acumula através dos anos os conhecimentos necessários para que ori alcançe a compreensão, o conhecimento e a inteligência que serão aspectos que melhorarão seu desenvolvimento dimensional .

IPAKO - Cerebelo: A parte que rege as ações do corpo (ARA). Nem sempre atua em conjunto com Opolo porque se vê influenciado por ipin jeun e obo ati oko.



ABIBO -  O Orixá que ensinou aos homens a trabalhar e a mover os membros. Ele vive dentro do cérebro e da família de ori. É constituída de duas partes: akinkin otun olo orun abibo (hemisfério cerebral direito) e osin olo orun abibo gongo orun (hemisfério cerebral esquerdo).


ORI INU -  se divide em duas partes: ORI APERE e APARI INU.



ORI APERE - É o caminho que já esta predestinado na terra para cada individuo.



APARI INU: Este será o comportamento ou o caráter da pessoa, que definitivamente melhorará ou piorará seu ORI APERE ou seu destino na terra. Se seu APARI INU for bom, então, poderá ser capaz de suportar as vicissitudes da vida em paz e harmonia, pode diminuir a dor, evitar as armadilhas, atenuar as consequências negativas, não dar importância às coisas materiais que só nos acompanham por pouco tempo , vai colocar tudo em termos de espiritualidade e de sua capacidade de adaptar-se a seu  preconcebido destino, nos levará para a  felicidade apenas colocando terra abaixo nossos sentimentos impuros que obscurecem o interior de cada um de nós são eles: a vaidade, o ódio, o ciúme , egoísmo, maldade, ressentimento, etc  Sendo assim, teremos logrado o prazo para o fim, denominado IWA PELE que é a nossa paz interior e o controle do ORI APERE  alcançando assim o estado de ORUN RERE um estado, que é o céu ou a dimensão dos deuses, ou seja, dizer que se converteria em um ORIXÁ que é o verdadeiro objetivo da religião.

Quem tem seu APARI INU em desacordo com seu ORI APERE obterá um estado de ORUN APAADI., que é uma dimensão de sofrimento onde fica ali  esperando apos a morte até chegar a hora de regressar á Terra, AIYE, que é onde passamos as provas e iremos melhorando nossa espiritualidade alcando distintos níveis no ORUN até alcançarmos novamento o final ORUN RERE. Ifa diz que a Terra é um mercado, e o céu é nossa casa. Os animais seriam um exemplo para seguirmos,pois a tartaruga se conforma em nadar em suas águas e ali encontrar seu alimento e faz isso muito bem, porem nunca lhe ocorrera voar como uma águia, e asssim como a águia voa alto e veloz, captura sua presa onde queira , e não lhe ocorre tentar nadar e comer como a tartaruga. A incoformação é o inimigo do APARI INU e por sua vez se APARI INU se perder, nosso ORI APERE será um desastre.

continua............

sexta-feira, 2 de abril de 2010

EKEJI/AJOIÉ/IYAROBÁ/MAKOTA DE ANGUZO/PONCILÉ



Ekeji e ogã devem indicar os caminhos, para o exemplo moral dos iniciados.
Os verdadeiros ogãs e ekejis devem orientar a coletividade de orixá.
A orientação deve ser voltada a preservação dos costumes tradicionais.
Uma das funções dos ogãs e ekejis é de educar a comunidade com exemplos comportamentais que inspirem as pessoas devotamento ao culto ao orixá. Existem muitos ogãs de verdade e ekejis também. Mas reconhecemos que muitos apenas somente têm o título, e muitas vezes nem tem ritual de acordo com os ditames da religião.
A moral no culto ao orixá existe e deve ser observada, pois orixá existe para a nossa melhora como pessoa na vida coletiva e comunitária.
Orientar não é mostrar que ele, ou ela tem prestígio, mas a situação do cargo que ocupa lhe confere ajudar ao templo de orixá de forma adequada, obedecendo ao orixá da casa com o respeito devido.
Encontramos em nosso caminho muitos destes que apenas são simples figuras de poder, e que nada contribuem ao culto de forma positiva, mas somente afugentando as pessoas do culto pelos seus dizeres imprudentes e incabíveis. Infelizmente, muitos sacerdotes se fazem de desapercebidos para não criar discussões, mas nessa parte o sacerdote deve interferir de forma intransigente mostrando a todos a coerência com o cargo assumido.
A humildade é a palavra chave que manterá o equilíbrio daqueles que possuem cargo de relevância, no caso ogã e ekeji.
A função deles é ajudar ao sacerdote para preservar a tradição, ensinar, educar e acompanhar os adeptos do culto com verdade e pura intenção ao orixá.
Um “iyawo” que procura uma “ekeji” para um conselho, e esta última inspirada pela verdade e prudência irá ajudar ao “iyawo” na sua duvida. Eis a verdadeira “ekeji”.
São os pais que educam os filhos e a coletividade no geral.



Qual a função real de quem ocupa esses cargos?



Ekeji - são mulheres escolhidas pelos orixás para cuidar dos seus interesses, são mulheres serias amáveis , respeitáveis e acima de tudo competentes. Elas fazem de tudo para agradar os orisás dos quais consideram-se mães e filhas. As roupas dos orisás e seus acessórios ficam sob seus cuidados. Há ekeji preparadas para tarefas mais fáceis , e outras recebem asé para participar de todas as obrigações.
Assim como os demais oloyés, uma ajoié tem o direito a uma cadeira no barracão. Deve ser sempre chamada de "mãe", por todos os componentes da casa de orixá, devendo-se trocar com ela pedidos de bençãos. Os comportamentos determinados para os ogãs devem ser seguidos pelas ajoiés.
Em dias de festa, uma ajoié deverá vestir-se com seus trajes rituais, seus fios de contas, um ojá na cabeça e trazendo no ombro sua inseparável toalha, sua principal ferramenta de trabalho no barracão e também símbolo do óyé, ou cargo que ocupa.
A toalha de uma ajoié destina-se, entre outras coisas, a enxugar o rosto dos omo-orixás manifestados. Uma ajoié ainda é responsável pela arrumação e organização das roupas que vestirão os omo-orixás nos dias de festas, como também, pelos ojás que enfeitarão várias partes do barracão nestes dias.
Mas, a tarefa de uma ajoié não se restringe apenas a cuidar dos orixás, roupas e outras coisas. Uma ajoié também é porta-voz do orixá em terra. É ela que em muitas das vezes transmite ao babalorixá ou yalorixá o recado deixado pelo próprio orixá da casa.

Existem na casa o cargo de:



Iyatenin: é a primeira ekedi ;os olhos do sacerdote
Sidagã:é a segunda ekedi ;é responsável por vestir os voduns e cuidar de esú (Esse cargo também pode ser ocupado por uma vodunsi
Iyatebexé – Ekeji responsável pelos cânticos e rezas dos orixás
Iyásingè = responsável pela cozinha ritual
Iyáomoniye = cuida das tarefas referentes aos iniciados dentro e fora do quarto de Òrìsà.
Iyáoloye = semelhante a Iyáomoniye. Possui também atribuições específicas relativas aos possuidores de cargos, isto é: iniciado com mais de sete anos (Egbon) que recebeu funções de comando ou responsabilidade (Oye) dentro da própria Casa ou Família de Asé.
Kota mbakisi - cuida das divindades
Gonzegan - Cuida das Gonzen  (quartinhas) e do"Gra" que seria um estado selvagem do vodun. 

No candomblé do Engenho Velho ou Casa Branca, as ajoiés são chamadas de ekejis. No Gantois, de "Iyárobá". Já na nação de Angola, é chamada de "Makota de Angúzo".

O que a pessoa precisa para ser ekeji?

Um grande sentimento maternal, ser ekeji é cuidar dos filhos. Ekeji é mãe por excelência mas não quer dizer que terá que ser sempre boazinha, pelo contrário, a boa ekeji repreende, orienta, dá carinho, enxuga a lágrima e o suor, enfim ser ekeji é muito mais que ficar “pajeando” o zelador (pai ou mãe-de-santo) dando cafezinho na bandeja de prata e copo de cristal, isso é vassalagem e não cabe nas funções da ekeji.
Ela deve cuidar da comunidade de forma respeitosa e igualitária. As ekejis, são consideradas mães. São importantíssimas no decorrer de qualquer cerimônia, elas devem aprender a cantar, dançar, os oros, as folhas, os rituais, e tudo o que sua zeladora/o ensinar para dar o apoio necessário. Ser ekeji é motivo de grande felicidade e respeito aos compromissos e tradições da casa . Mas no seu posto ela só vai realmente ser respeitada quando mostrar aos seus filhos, que eles têm nela uma mãe de fato.

- uma ekeji estã sempre pronta para atender os orisás.
- sua função respeitar e ser respeitada (isso se adquiri com ações e comportamento.
- nunca estar sem seu pano da costa.
- estar sempre a disposição dos orisas para o que ele precise e não deixar que outros de fora o façam.
- verificar se as quartinhas (quartinha de desvirar e as dos orisas) estão cheias.
- estar com pano da costa e a dilonga com água a mão (ekejis).
- nunca deixar orisa sozinho no barracão ou em outro ambiente.
- se não sabe pergunte, não entende pergunte, se tem duvida pergunte, nunca haja por impulso.
- orisa (de seu irmão de santo) deve ser desvirado deitado, na sua casa, e em outras casas no apoti ou aperé (banco) ou de joelho. (com calma e respeito)
- aprender como louvar, cantar e até cuidar dos orisas.
- aprender tudo que se deve ou não fazer na casa de santo.
- aprender as comidas tanto de orisa como em ebos, principalmente áses a serem feitos (a cozinha é restrita as iyabas).
- em funções verificar se tudo está correto, em mãos para que sua mãe/pai de santo não tenha que se desviar para corrigir.
- nunca esteja de conversa enquanto sua yalorisa/babalorisa está trabalhando.
- ter suas roupas em dia e estender isso fora do barracão, como não usar preto ou roupa inapropriada na casa de santo ou bebendo sem a autorização da yalorisa/babalorisa - lembre-se vc é o exemplo.
- quarto de santo e de exú é sua responsabilidade também, (verificar desde cozinha a quarto de santo)
- desvirar o orisa da mãe/pai de santo somente a ekeji ou ogã dela (exceções os ogãns do seu avô/ó de santo).
- dar orientações aos filhos da casa - para isso fale com educação e se souber o correto.
- seus irmãos de santo são sua responsabilidade e o orisa também.
- aprenda a se impor com respeito e educação.
- vc tem certas regalias, mas não abuse delas, sua mãe/pai de santo ainda assim será superior a vc.
- humildade sempre é o melhor caminho.
- uma verdadeira ekeji ou um verdadeiro ogã se mostra com respeito, amor e principalmente livre de ciúmes, inveja, ódio, rancor ou preconceito.
- saber se colocar não quer dizer ser arrogante ou ter escolhas pessoais. Vc deve respeitar a todos e principalmente ser educada (o).
- uma verdadeira ekeji ou ogã segue o exemplo da mãe/pai de santo (tanto no àse como fora dele)
- agilidade sempre (mas não a pressa e a imperfeição).

O que mais dizer ?

Ser ekeji é ser amor...
É ser os olho do(a)
Zelador(a),
A cantiga, a palavra e a
Compreensão
Ser ekéji é ter o coração
Preenchido de,
Infinito amor, respeito
E zelo..
É ver a criança nascer...
Fecundar, cuidar...
Sob os seus abraços...
Um laço de vida e
Esperança..
A força, a fé e a magia
De cada vodun
É ser abençoada por
Deus e escolhida para
Dar continuidade...
É ser o doce gesto, o
Eterno acalanto, a mão
Que orienta, e conduz...
Luz infinita no exercício
Impecável de ser..
Mãe...
Que o plano que reside
Acima de nós
Para sempre nos orientar,
Guiar e proteger,
Para que nossas atitudes
Dignifiquem cada
Gota de energia de
Cada filho que nos é
Entregue nos braços, e
Que seus abraços
Representem à mágica
Troca na expressão
Infinita
Do verbo “amar” !!