terça-feira, 12 de janeiro de 2010

ARVORES SAGRADAS .......continuação


Zan

Existem muitas variedades de palmeiras de ráfia no Benin, e de uma forma geral, todas elas servem para a confecção de objetos de culto e de utensílios domésticos, e também na alimentação. Da maioria delas se aproveita as folhas para um trançado de cestos, cordas, esteiras, telhados de palha, etc. Elas são em geral denominadas de Zan pelos fons.
Também se utiliza a Raphia  para a alimentação com a fabricação do “sodabi” (bebida alcólica tipo vinho; um vinho de palma); para os ritos de zangbeto, de espíritos de caçadores e guaridões da noite; os ritos de vodun, e de iniciação ao vodun, no Benin e na diáspora, enfim que envolvem a confecção de vestimentas e adornos elaborados com as folhas desta palmeira que também é conhecida pelos mahis, nagôs e iorubás sob a denominação de Iko ou Igi Ogoro, em gun seu nome é Apelle Kode ou Oba. Durante período longo da iniciação os hun'sis (vodunsis; iniciados), além de aprenderem outros trabalhos e estudos religiosos aprendem a trabalhar artezanalmente a palha e a tecê-la, produzindo trabalhos para uso interno do hunkpame (vodunkpame; convento) e para serem vendidos fora dele de modo a angariar fundos que serão anexados nas despesas do mesmo. O convento é o local de preparo do indivíduo para a sociedade, e reintegração à sua família, tendo em vista a obdiência a ancestralidade como principal fator de coesão social.
Existem também a palmeira Hóxódé (Hohode) que é consagrado a Hoho entre os fons, os voduns gêmeos que representam a benção da duplicidade e prosperidade, muito conhecidos entre os nagôs e iorubás como Ibeji.

 Detin; Ede; Igi Okpe
Muito conhecido na Bahia como Dendezeiro. No Benin é conhecido como Detin em Língua Fongbe e no dialeto Gun (de Allada) que é uma variação do fongbe entre outras, e por Ede em adja. Os nagôs e iorubás denominam este coqueiro por Igi Okpe. Do fervimento se sua polpa surge o azeite-de-dendê (zomi ou ami-vovo dos fons; epò-pupa dos nagôs e iorubás). E do coquinho, o okwe conhecido pelos mahis, é preparado o adin (óleo de sòsò) e isto desagrada a Legba, sendo um legbasu (proibição de Legba; de su- proibição) porquê envolve a destruição do coquinho para seu preparo, e os coquinhos são sagrados de Fá, divindade da advinhação com a qual Legba colabora servindo de intermediário no Fá-Titê (Jogo do Okpele-Ifá em yorùbá), trazendo as respostas de Fá através da leitura dos dùs (destinos). Por isto Legba não gosta do adin. Devido ao temor que se tem da divindade, as indústrias não costumam utilizar do coquinho de quatro orifícios, ou olhos, sagrados do Fá, e procuram usar nos processos aqueles que não servem para o jogo, com números de olhos distintos. O azeite-de-dendê movimenta uma boa parte do mercado de exportação e do mercado interno de muitos países do oeste africano. Ele é o óleo natural mais rico em vitamina A vegetal (b-carotenos) até então conhecido. O dendezeiro, que dá frutos que servem ao ritual de advinhação, é consagrado ao vodun Fá.



Jogbe

Este atin de linda folhagem tem o poder de atrair o vodún em alguns rituais específicos. É um atin muito sagrado e de suma importância nas tradições do culto de Fá Vodún.


 Ayan; Anya'tin; Agnan

Trata-se de um arbusto muito exótico e que pode atingir uma boa altura. Conhecido em fon como Ayan; Anya'tin; Agnan /ainhã/, a Dracena é muito utilizada nos conventos de vodún sinsen geralmente decorando com suas folhas ritualísticas e medicinais (Anyama), dividindo espaços, delimitando áreas e servindo de local de adoração do vodún (vodum ou vodun) Xebioso ou Hevioso (Heviosso) do trovão. Seu aspecto decorativo chama muito a atenção do transeunte, são ornamentais em residências, dentro em vasos, nos jardins, ruas e praças, são muito comuns seus variados tipos tanto na África, quanto na Europa e no Novo Mundo.
Uma das espécies de dracena, porquê são muitas, conhecidas no Brasil e no Benin é o “Pelegun”(Peregum) a Dracaena fragrans, ou Pepelegun, termos do nagô; Folha-de-Nativo, Pau-d'água ou Pau-da-Sorte, ele é muito utilizado nestes lugares e com uso similar ao Ayan. Ainda no Brasil, atribui-se o arbusto de folhas listadas verde e amarelo ao vodun Gbesen (Dangbe) e o de cor verde ao òrisà Òsòsi dos nagôs. As de folhas verdes (Anyama) no Benin são atribuidas à divindade do trovão e envolvidas em preceitos e festividades do vodún Age, pelo menos em Abomey. Seu cacho florido possui um agradável odor exalado durante a noite que pode ser identificado à distância. Existem pessoas do culto que crêem firmemente eque este perfume exalado é capaz de afastar coisas ruins, maus presságios e maus espíritos. As suas folhas são utilizadas em muitos rituais dentro do Candomblé, desde a tradicional limpeza ritualística as iniciações de vodún, de òrisà, e muitas outras obrigações.


Ahowe'tin; Orogbo

O ahowe'tin (Fon e Gun) ou Orogbo (Nagô e Yorùbá) é o atin do fruto muito conhecido no Brasil como orogbo e em Candomblé Jeje por ahowe. Este fruto é consumido como alimento, e utilisado nos rituais de voduns com muitas finalidades. Tem muitas propriedades medicamentosas, como no tratamento natural da diabetes, angina, icterícias, cefaléias, tipos de anemias, etc.Esta árvore é mencionada em Fá, no dù Di Medji como a árvore dos que procuram pela fortuna, como descrito por Verger na Trajetória de Iya mi Odù do céu à terra.

 Gbanja; Golo; Obi Gbanjà

Este atin dá frutos que possuem dois gomos, a cola ou “obi”, é muito conhecido no Brasil como Obi Banjá, em Fon é Golo, em Gun é Gbanja, e em Yorùbá seu nome é Obi Gbanjà. Possui propriedades medicamentosas e nutritivas, é um alimento muito apreciado, e oferecido em rituais de voduns. Da cola se obtém um extrato utilizado na fabricação de certas bebidas que são muito apreciadas e ganharam o mercado internacional. A comunidade de Allada (Ayou), pronuncia-se Ayú, é uma das comunidades que se baseiam comercialmente no plantio de Gbanja.

 Avi; Vi; Obi Abàtà
Este atin dá um obi que possui quatro gomos, algumas espécies dão de cinco, o qual é oferecido a Gu, os de quatro além de serem oferecidos a certos voduns em certos rituais, e de possuírem propriedades medicamentosas e nutritivas, também servem para consultá-los e consultar os antepassados, é o tipo mais consumido de cola no Benin e na Nigéria, seu extrato segue a mesma utilização do extrato de Kola nitida à nível industrial. A denominação que os guns lhe conferem é Avi, os fons lhe conhecem por simplesmente Vi e os nagôs e iorubas lhe denominam por Obi Abàtà ou Awedi.
 
 
 
 


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